No próximo dia 27 de setembro, milhares de estudantes vão realizar a prova do vestibular 2027 do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). O processo seletivo é considerado um dos mais difíceis por cobrar dos candidatos conhecimento aprofundado dos conteúdos teóricos e capacidade de interpretação e resolução das questões.
Nesta primeira fase da seleção, os candidatos terão que, em um único dia, responder a 48 questões objetivas de Matemática, Física, Química e Inglês. Para direcionar os estudantes, o Diário do Nordeste apresenta o Raio-X dos assuntos mais cobrados conforme cada área do conhecimento, com base no levantamento do SAS Educação.
Idelfranio Moreira, diretor de ensino e inovação do SAS Educação, explica que as estatísticas possibilitam que os candidatos possam, na reta final, focar nos conteúdos mais contemplados. “Ele oferece uma visão geral do que o estudante precisa considerar e a segurança de ter visto tudo o que precisaria estudar”, destaca.
“Em Matemática, o Raio X indica que se deve dar igual atenção às Geometrias (Plana, Analítica e Espacial). Em Física, ele deixa clara a predominância da Mecânica nas provas, bem como de Físico-Química nas provas de Química”, exemplifica.
candidatos por vaga é a concorrência estimada em 2026, segundo o levantamento.
Ainda conforme Moreira, a prova traz questões desafiadoras, que demandam conhecimento profundo dos conceitos, capacidade de leitura, interpretação e concentração prolongada. Requer também dos candidatos resiliência, regulação emocional e autoeficácia — crença em sua própria capacidade.
Veja os assuntos mais frequentes por matéria
O raio-X é um agrupamento dos assuntos mais cobrados no ITA com base na análise das provas do processo seletivo de 2008 a 2005. Confira abaixo:
Na reta final de preparação, Moreira sugere investir em resolução de questões de provas passadas, simulados ou de listas de exercícios específicas. Isso garante "segurança nos acertos" e direciona a revisão ou o estudo nos erros. Além disso, cria familiaridade do candidato com o estilo próprio das questões.
Como é o vestibular do ITA?
Dividido em três etapas, a seleção oferecerá, neste ano, o maior número de vagas já disponibilizado na história — serão 200 oportunidades para as sedes de São José dos Campos (SP) e de Fortaleza.
A primeira fase do vestibular será no dia 27 de setembro, com as questões objetivas. A etapa seguinte acontecerá entre os dias 20 e 23 de outubro, com provas dissertativas de Matemática, Física, Química, uma redação e questões objetivas de Português.
Para ser habilitado a prestar a segunda fase, o candidato precisa acertar pelo menos cinco questões de cada matéria da primeira prova e obter média final igual ou superior a 5 pontos.
Há uma quantidade pré-estabelecida de candidatos para passar para a próxima fase: 490 na ampla concorrência, 175 pretos e pardos, 21 indígenas e 14 quilombolas. Assim, é preciso também estar entre os mais bem classificados.
Por fim, a última etapa em 8 de dezembro será a inspeção de saúde, com exames clínicos, de imagem, laboratoriais e toxicológicos definidos no edital. Essa fase é obrigatória para comprovar a não existência de patologia ou característica incapacitante para o serviço militar.
É realizada também a validação das autodeclarações dos candidatos cotistas, com a heteroidentificação complementar para pretos e pardos e apresentação de documentos específicos para comprovar o pertencimento étnico de indígenas e quilombolas.
Das vagas ofertadas neste ano, 140 serão destinadas à ampla concorrência, 50 para candidatos pretos e pardos, seis para indígenas e quatro para quilombolas. A medida adequa-se à lei nº 15.142/2025, a Lei de Cotas.
Desde 2019, o ITA adota uma reserva de vagas para as cotas raciais após o Ministério Público Federal em Brasília ter ajuizado uma ação civil pública requerendo que os concursos para ingresso nas Forças Armadas adotassem a reserva de vagas para candidatos negros conforme previsto na Lei Federal 12.990/2014.
ITA em Fortaleza
Não há informações de quantas das 200 vagas serão destinadas ao campus Fortaleza. Isso ocorre porque todos os alunos recém-ingressos precisam passar por dois anos de curso de formação fundamental, ministrado apenas no campus de São Paulo.
Conforme publicado pelo Diário do Nordeste, a previsão é de que os estudantes que passarem agora venham para Fortaleza somente no terceiro ano de formação. A informação é de Katiane Liberato, orientadora de célula da Coordenadoria de Protagonismo Estudantil e Educação Complementar da Secretaria da Educação do Ceará (Seduc).
Após os dois anos iniciais, os três seguintes são dedicados aos cursos profissionais para cada especialidade de engenharia: Aeroespacial, Aeronáutica, Civil-Aeronáutica, de Computação, Eletrônica, Mecânica-Aeronáutica, Sistemas e Energia.
Na capital cearense, foram confirmados os cursos inéditos de Engenharia de Sistemas e de Energia. As formações vão passar a receber alunos a partir de 2027, com aqueles que entraram no Instituto em 2024 e estão finalizando o curso fundamental em 2026.