"É pra ser assistido na tela grande, levando as pessoas que a gente gosta, para poder rir e chorar". É assim que o cineasta Allan Deberton convida o público brasileiro a conferir o longa cearense “Feito Pipa”: no cinema e em boa companhia.
A produção, gravada em Quixadá e que representa o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar de 2027, estreia nacionalmente nesta quinta-feira (5), após série de pré-estreias especiais espalhadas pelo País.
O filme acompanha Gugu (Yuri Gomes), um menino criativo de 12 anos que tem na avó Dilma (Teca Pereira) o principal eixo familiar, mas enfrenta uma relação difícil com o pai (Lázaro Ramos).
Papel foi “desafio”, diz atriz Teca Pereira
Abordando temas como infância, envelhecimento e memória, “Feito Pipa” faz um retrato bem-humorado e emocionante da relação de afeto entre neto e avó, contando com interpretações premiadas do estreante Yuri Gomes e da veterana Teca Pereira.
“Quando eu li o roteiro, já gostei bastante dela (Dilma), porque é um desafio para uma atriz trazer essas diferenças de temperamento que ela apresenta”, conta a atriz em entrevista ao Diário do Nordeste.
O roteiro do filme é assinado por André Araújo, que também assina o roteiro de "Pacarrete", filme de estreia de Allan Deberton.
“Ela é muito alegre, muito viva, tem naquele neto um amor muito grande. Eu não tenho netos, então transferi o amor de vó para o Gugu, para o Yuri”, segue Teca. A trama, no entanto, é marcada por uma virada quando Dilma começa a apresentar sinais de esquecimento.
O início de uma doença remexe a estrutura familiar estabelecida entre os dois. “O desafio da Dilma, para mim, foi essa coisa gradativa. Precisei da ajuda de um médico, fui procurar um neurologista, porque precisava construir com verdade”, descreve Teca.
“(O médico) me mostrou filmes de pessoas doentes, em diferentes etapas, então eu captei, abracei aquilo. Foi bem emocionante fazer esse trabalho, muito. Exigiu bastante atenção”, destaca a atriz.
A experiência foi a primeira de Teca trabalhando no Ceará, terra de “receptividade maravilhosa”. “Vocês são muito calorosos e o calor também é grande, então é muito bom”, brinca.
A recepção dos cearenses, destaca, foi diferencial no processo. “Eu gostaria de voltar ao Ceará, trabalhar de novo (aqui), porque o ator precisa dessa vontade de colaborar, de conhecer e acolher. Fui muito bem acolhida aqui”, reforça.
Pelo papel, Teca venceu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Gramado — de onde o filme saiu com cinco troféus, no total — e, com Yuri, levou a premiação de melhor atuação do Festival de Guadalajara. Natural da Bahia, o ator mirim estreia nos cinemas no papel do protagonista.
Veja o trailer de 'Feito Pipa'
Repercussão internacional
A estreia do filme ocorreu no início de 2026, no Festival de Berlim, de onde ele saiu multipremiado. De lá para cá, circulou por eventos na Colômbia, na China e tem reforçado a presença nos Estados Unidos, para intensificar a campanha na temporada de premiações.
No último dia 2, o filme teve exibição em Los Angeles apresentada por Wagner Moura. Depois, foi submetido aos votantes do Globo de Ouro, premiação prévia ao Oscar. “De fato, ‘Feito Pipa’ está sendo um acontecimento”, define Allan ao Diário do Nordeste.
A trama, como destaca o cineasta, traz elementos identificáveis para pessoa de todos os países, como “o lugar do amadurecimento do personagem do Gugu, o cuidado da Dilma em relação ao neto, a construção de uma comunicação com o pai”.
“(Isso) faz com que todo mundo se envolva com um personagem, que consiga ali, na tela, se enxergar ou se lembrar de alguém”, destaca o diretor.
Os prêmios recebidos em eventos internacionais e a repercussão das sessões em diferentes nações comprovam o caráter universal da trama, o que pode ajudar no caminho até o Oscar.
Torcida e carinho do público rumo ao Oscar
“A gente está com foco agora apresentando (o filme) à plateia nos Estados Unidos, mas também em diversas outras cidades do mundo, em busca desse carinho, igual como a gente tem percebido o carinho brasileiro”, afirma o cineasta.
Allan lembra que o trabalho apresentado é “coletivo”, feito por centenas de colaboradores. “A gente tem muita gente envolvida, são mais de 500 entre a equipe técnica, elenco, figurantes, pessoas da cidade que colaboraram com o projeto”, lista.
“Isso é o audiovisual brasileiro, que está sendo visto e apaixonando as pessoas. A gente percebe essa torcida pelo cinema nacional, pela premiação. Aconteceu com ‘Ainda Estou Aqui’, com ‘O Agente Secreto’ e a gente está nesse momento agora com o ‘Feito Pipa’”, celebra.
Em evento e nas próprias redes sociais, o ator Lázaro Ramos ressaltou que o filme foi feito para o público brasileiro, mas que os espectadores daqui podem fazer barulho na internet marcando perfis da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que concede o Oscar.
A importância do apoio do público nessa empreitada é ecoada por Allan: “A gente conta com a torcida e o carinho dos espectadores para poder estar somando forças junto aos nossos esforços em relação à campanha”, sustenta.