Cacique Raoni apresenta quadro de obstrução intestinal e continua na UTI em estado grave
Apesar da gravidade, condição do líder indígena é considerada estável.
Cacique Raoni, maior liderança indígena do Brasil, segue em estado grave após ser transferido do Mato Grosso para a UTI do Hospital São Paulo, na capital paulista.
Boletim divulgado na noite dessa sexta-feira (19) pelo Instituto Raoni aponta que o cacique apresenta agora obstrução intestinal, desidratação e pneumonia aspirativa.
Uma atualização do estado de saúde do indígena deve ser divulgada ainda neste sábado (20), quando ele passará por uma cirurgia de desobstrução intestinal.
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Segundo o Uol, apesar do prognóstico, médicos consideram a situação dele estável. Já respira, por exemplo, sem ajuda de aparelhos.
O tratamento conta com antibióticos, e o planejamento é que o indígena de 94 anos seja monitorado continuamente e realize novos exames para investigação diagnóstica.
O que os exames apontam
Os primeiros exames no Hospital Dois Pinheiros, em Mato Grosso, onde inicialmente o Cacique estava internado, apontaram alterações na função renal e indicadores compatíveis com um processo infeccioso grave, conforme o g1.
Segundo o hospital, ele foi transferido para São Paulo para que o tratamento tivesse continuidade numa unidade de referência para o acompanhamento cirúrgico.
Em maio deste ano, Raoni foi internado após sentir fortes dores na barriga devido a uma hérnia antiga. Ele recebeu alta em dois dias, mas voltou a apresentar complicações de saúde e foi novamente para a UTI para tratar um quadro de pneumonia.
O líder indígena apresentava múltiplas comorbidades, entre elas Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), cardiopatia com marcapasso implantado e insuficiência cardíaca.
Importância de Cacique Raoni
Líder dos Kayapó e conhecido internacionalmente, Cacique Raoni carrega no disco labial e no cocar de penas amarelas os símbolos de um guerreiro disposto a morrer pela própria terra.
Ele denuncia há mais de três décadas as ameaças contra os povos amazônicos por causa do desmatamento.
Esse ativismo iniciou em 1954, quando aprendeu português e foi uma voz importante para o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas na Constituição de 1988.
No ano passado, recebeu do presidente Lula o título de Grão-Mestre da Ordem Nacional do Mérito, a mais alta honraria do País.