Veja cronologia do duplo homicídio do casal de comerciantes em Fortaleza

As imagens mostram o trajeto feito pelos homicidas na noite dos assassinatos.

Escrito por Redação seguranca@svm.com.br
01 de Setembro de 2026 - 10:00 (Atualizado às 10:55)
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Legenda: A Polícia Civil do Ceará (PCCE) analisou 10 minutos de imagens de câmeras de segurança e reconstituiu a rota percorrida pelos criminosos.
Foto: Reprodução.

Os primeiros desdobramentos da investigação sobre o duplo homicídio que vitimou um casal de comerciantes em Fortaleza indicam que o ataque se tratou de um crime premeditado. A Polícia Civil do Ceará (PCCE) analisou imagens de câmeras de segurança e reconstituiu a rota percorrida pelos criminosos.

As imagens mostram o trajeto feito pelos homicidas na noite dos assassinatos de Wallace Goes de Oliveira e Roseany Lima de Oliveira e foram cruciais para que os investigadores localizassem e prendessem o primeiro suspeito pelas mortes. 

Antes de chegar ao trailer onde as vítimas trabalhavam vendendo lanches na última sexta-feira (28), os homicidas partiram de uma casa localizada na Rua 25 de Maio, no bairro Aracapé. Cinco minutos após trafegarem em duas motocicletas, chegaram à cena do crime pela Avenida Contorno Leste, às 22h07. Segundos depois o ataque aconteceu. 

Às 22h08, outras câmeras flagraram os mesmos homens trafegando em direção à Avenida Contorno Sul, já em rota de fuga. Às 22h12, dois homens retornaram para a mesma casa de onde o trio partiu. Eles desembarcam do veículo, abrem o portão e entram no imóvel.

VEJA:

Momento da chegada dos executores na cena do crime pela Av. Contorno Leste.
Legenda: Momento da chegada dos executores na cena do crime pela Av. Contorno Leste.
Foto: Reprodução.

Ås 22:08:20, os homens foram captados pelas câmeras do estabelecimento de ensino localizado nos cruzamentos da Rua 105 com a Av. Contorno Oeste, a bordo de duas motocicletas e trafegando em direção à Av. Contorno Sul, já em rota de fuga.
Legenda: Ås 22:08:20, os homens foram captados pelas câmeras do estabelecimento de ensino localizado nos cruzamentos da Rua 105 com a Av. Contorno Oeste, a bordo de duas motocicletas e trafegando em direção à Av. Contorno Sul, já em rota de fuga.

Em posse das imagens, os policiais solicitaram ordem de busca e apreensão no imóvel, deferida pelo Judiciário. No local foram encontrados Victor Rodrigues e a esposa dele. 

Victor revelou aos agentes que tinha um revólver guardado em uma gaveta do guarda-roupa. Na casa também foram encontradas drogas, dentre elas cocaína, maconha e crack, além de uma camisa azul de manga longa, com listras.

A roupa tem características semelhantes à vestimenta usada por um dos homens visto nas imagens relacionadas ao homicídio.

Itinerário percorrido pelos criminosos até o local do homicídio.
Legenda: Itinerário percorrido pelos criminosos até o local do homicídio.
Foto: Reprodução.

Nessa segunda-feira (31), o suspeito teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva. 

R$ 5 MIL EM TROCA DE PARTICIPAR DO CRIME

Victor disse à Polícia que recebeu R$ 5 mil para dirigir uma motocicleta usada no crime. Segundo a Polícia Civil do Ceará (PCCE), o homem seria o autor dos disparos que vitimaram o casal.

A prisão teve apoio da Coordenadoria de Inteligência (Coin) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e do Departamento de Inteligência Policial (DIP) da PCCE. 

Conforme documentos obtidos pela reportagem, o preso admitiu ter estado na cena do crime, mas disse que somente dirigiu uma motocicleta e que o garupeiro efetuou os disparos. Ele disse que foi abordado na mesma noite do crime, na última sexta-feira (28), com a proposta criminosa. 

Além da moto usada e um revólver com numeração raspada, com Victor foram encontrados quase oito quilos de cocaína, 7,5 kg de crack e um quilo de maconha, embalados para comercialização.

O homem morreu ainda no local do crime e a mulher foi socorrida ao hospital.
Legenda: O homem morreu ainda no local do crime e a mulher foi socorrida ao hospital.
Foto: Reprodução.

Embora VICTOR tenha atribuído a execução dos disparos exclusivamente ao indivíduo que o acompanhava, as imagens, informações no local, depoimentos testemunhais, a vestimenta encontrada em sua residência e os demais elementos já colhidos constituem circunstâncias que demandam investigação acerca de sua efetiva função na empreitada criminosa, não sendo possível, neste momento, acolher como verdadeira, de forma isolada, a versão exculpatória apresentada pelo conduzido
Polícia Civil

'Não mata o cara não' 

Em depoimento aos investigadores, uma testemunha disse ter ouvido os tiros, pois estava em uma casa próxima ao trailer. Ela contou que o dono de um food truck vizinho gritou "não mata o cara não". 

A pessoa disse aos policiais que desconhecia dívidas de agiotagem ou ameaças contra o casal morto a tiros. 

Outra testemunha disse também ter ouvido os disparos de arma de fogo e viu a pessoa de blusa azul subindo na garupa após a ocorrência, além de também ter ouvido a narração do dono de um trailer vizinho.

Suposto pedágio de facção 

Victor foi autuado em flagrante por homicídio, tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo e receptação. Ele já possuía antecedentes por roubo, corrupção de menores, posse irregular de arma de fogo de uso permitido, tráfico ilícito de drogas, integrar organização criminosa e lesão corporal.

Ele apresentou versões contraditórias sobre a suposta motivação dos assassinatos e demonstrou receio de represálias de outros envolvidos. 

Victor chegou a dizer, entretanto, que "ficou sabendo" que o crime podia estar relacionado à cobrança de "caixinha" de facção criminosa, briga com clientes ou agiotagem.

Essas são as linhas de investigação com as quais a Polícia trabalha. 

De acordo com testemunhas ouvidas pela Polícia Militar no local do crime, o casal de comerciantes teria se negado a pagar pedágio à facção criminosa Comando Vermelho. A informação consta no relatório policial ao qual a reportagem obteve acesso. 

Testemunhas ouvidas pela Polícia disseram ainda que, apesar das ameaças, o casal, por não concordar em pagar a taxa exigida, decidiu abrir o trailer e manter o funcionamento normal, ocasião em que teria ocorrido o ataque.

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