Após ser encontrada morta na área externa um edifício residencial na Aldeota, em Fortaleza, na noite do último domingo (13), a estudante de direito Isabelle Caracristi, 22, foi levada ao Instituto Médico Legal (IML) sem documentos e sem ter seu paradeiro informado à família.
Segundo a advogada Patrícia Viana, que acompanha a família Caracristi, no momento em que o corpo de Isabelle foi encontrado na área externa do edifício, nem o namorado dela, João Munhoz Neto, nem a mãe dele, que residiam no local, estavam no local. Conforme ela informou ao Diário do Nordeste, não se sabe se havia alguém no apartamento da família nos momentos que antecederam a morte da estudante.
O corpo de Isabelle foi encontrado por volta das 20h40 do último dia 13 de setembro. De acordo com imagens de câmeras de segurança obtidas pela reportagem, o namorado dela e a mãe dele teriam se ausentado entre às 18h31 e às 22h47. No entanto, mesmo após retornarem ao edifício, eles não teriam avisado a professora Isorlanda Caracristi, mãe de Isabelle, sobre a morte da jovem.
De acordo com a advogada da família Caracristi, Isorlanda só foi informada do falecimento da filha no dia seguinte, quando foi ao local procurar a filha com um irmão. "Quando a mãe da Isabelle e o tio dela estavam lá e informaram que era da família da Isabelle, o porteiro, altamente nervoso, foi chamar a síndica", relata a advogada.
"Ficaram os dois muito nervosos e foi quando o tio da Isabelle disse: 'Se vocês não me disserem o paradeiro da minha sobrinha, eu vou chamar a polícia'. Foi aí que ela [síndica] disse: 'Sua filha faleceu'", completa.
A advogada Patrícia Viana ressalta que, até o momento, nem o namorado de Isabelle nem a mãe dele tentaram nenhum tipo de contato com a família e as advogadas do caso.
"Até agora ninguém entrou em contato com a família e isso é o mais desesperador para a família. Por que que um namorado se apresentou pra família dizendo que amava e que ia cuidar da filha dela? Por que que o namorado não entrou em contato? E por que que a mãe do namorado também não entrou em contato, de mãe para mãe, ou então para falar com a gente, profissionais, para que ela explique a versão dela ou a versão dele do que aconteceu?", questiona.
Perícia aponta politraumatismo como causa da morte
A secretaria ainda informa que o laudo cadavérico apontou politraumatismo como causa da morte de Isabelle. As lesões encontradas no corpo seriam compatíveis com impacto contra o solo.
Exames laboratoriais não identificaram substâncias de interesse toxicológico.
A conclusão sobre a causa da morte, contudo, não esclarece como ocorreu a queda. Segundo a SSPDS, somente após a conclusão de todos os trabalhos será possível estabelecer a dinâmica dos fatos que influenciaram a morte da estudante.
Namorado é procurado pela Polícia
O namorado de Isabelle Caracristi, João Munhoz Neto, é procurado pela Polícia Civil após novas diligências realizadas neste domingo.
No início desta noite, a Polícia Civil localizou a mãe de João Munhoz na praia do Cumbuco, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido, e o celular e um tablet dela foram apreendidos para perícia.
A mulher morava no apartamento e teria saído com o filho na noite da morte. João Munhoz Neto, porém, não foi localizado pelas equipes policiais.
As informações são da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará (SSPDS), por meio de nota divulgada na noite deste domingo.
O texto enviado à reportagem não explicou por que o namorado de Isabelle está sendo procurado. Assim, também não foi respondido se existe um mandado de prisão contra ele, se a intenção é localizá-lo para prestar esclarecimentos ou se a Polícia Civil pretende cumprir algum mandado, a exemplo do de busca e apreensão para recolher o celular e outros pertences, como foi feito com a mãe do bacharel em Direito.
A reportagem do Diário do Nordeste questionou a SSPDS sobre essas possibilidades, mas não recebeu esclarecimento até a publicação desta matéria.
Também não foi informado pela Secretaria se João é considerado suspeito pela morte de Isabelle.
O que diz Isorlanda Caracristi, mãe da estudante
A mãe de Isabelle Caracristi afirmou que o relacionamento era abusivo e que o homem era "extremamente controlador, fora do normal e obsessivo". Em vídeo de desabafo nas redes sociais, a professora Isorlanda Caracristi comentou que alertou a filha sobre a relação.
Isorlanda chegou a classificar o comportamento do então genro como "muito louco". Ela relembrou uma consulta ginecológica à qual Isabelle foi acompanhada da mãe e do namorado, e contou que ele tentou tomar a frente e entrar na sala com a jovem.
"Quando eu vou entrar com a minha filha na sala, ele aparece já querendo entrar na minha frente. Gente, o que é isso? A médica também estranhou, tanto que perguntou: 'É o marido dela?' Eu disse: 'Não. Ele é só um recém-namorado'. Ali já acendeu todos os meus alertas como mãe. Um comportamento muito louco", disse no vídeo.
Isabelle passava muitos dias dormindo na casa do namorado, que também era um dos chefes dela no estágio. Segundo Isorlanda, o homem era 10 anos mais velho, dizia ser um dos sócios da empresa e afirmava ter ficado ‘encantado’ com ela.
Quem era Isabelle Caracristi?
O Diário do Nordeste conversou com o irmão da universitária, Rafael Magalhães, que falou sobre os "sonhos interrompidos e a tragédia que a família vive agora".
"Desde muito pequena ela sempre quis ser advogada, defensora dos direitos, ela brigava pelos direitos, pelas suas questões. Ela queria ser advogada criminalista, uma juíza, queria defender os direitos de crianças e mulheres", contou Rafael.
A Isabelle, minha irmã, sempre teve muitos sonhos, somos de uma família batalhadora, filhos de professora, filhos de quem sempre lutou".
O irmão lembra da jovem como uma menina alegre e que cuidava da mãe e da avó: "ela gostava de estar presente, de estar junta".
"Todo mês a Isabelle ia pintar o cabelo da minha avó e agora ela pergunta: 'quem vai pintar meu cabelo?'. Ela era comunicadora, divertida, não tinha tempo ruim para a minha irmã".