O homem de 27 anos preso por suspeita de participação no duplo homicídio do casal de comerciantes em um trailer de lanches no bairro Mondubim, em Fortaleza, disse que recebeu R$ 5 mil para dirigir uma motocicleta usada no crime. A informação foi obtida por investigadores durante o interrogatório de Victor Rodrigues Freire, capturado no bairro Aracapé nesse domingo (30).
Segundo documentos obtidos pela reportagem, o preso admitiu ter estado na cena do crime, mas disse que somente dirigiu uma motocicleta e que o garupeiro efetuou os disparos. Ele disse que foi abordado na mesma noite do crime, na última sexta-feira (28), com a proposta criminosa.
Além da moto usada e um revólver com numeração raspada, com Victor foram encontrados quase oito quilos de cocaína, 7,5 kg de crack e um quilo de maconha, embalados para comercialização.
Uma blusa azul de manga longa, que é apontada por testemunhas como a vestimenta da pessoa que atirou, também foi achada na casa onde ocorreu a captura. Os investigadores do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil do Ceará (PCCE) acreditam, no entanto, que ele foi o atirador.
Embora VICTOR tenha atribuído a execução dos disparos exclusivamente ao indivíduo que o acompanhava, as imagens, informações no local, depoimentos testemunhais, a vestimenta encontrada em sua residência e os demais elementos já colhidos constituem circunstâncias que demandam investigação acerca de sua efetiva função na empreitada criminosa, não sendo possível, neste momento, acolher como verdadeira, de forma isolada, a versão exculpatória apresentada pelo conduzido
A companheira do suspeito preso também foi ouvida, e disse que a blusa azul pertencia ao namorado, e diz que não sabia dos homicídios.
O crime ocorreu na região da Areninha do Novo Mondubim. O homem, Wallace Goes de Oliveira, morreu em frente ao trailer, enquanto a esposa, Roseany Lima de Oliveira, foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu em uma unidade de saúde. O casal de trabalhadores deixa três filhos.
'Não mata o cara não'
Em depoimento aos investigadores, uma testemunha disse ter ouvido os tiros, pois estava em uma casa próxima ao trailer. Ela contou que o dono de um food truck vizinho gritou "não mata o cara não".
A pessoa disse aos policiais que desconhecia dívidas de agiotagem ou ameaças contra o casal morto a tiros.
Outra testemunha disse também ter ouvido os disparos de arma de fogo e viu a pessoa de blusa azul subindo na garupa após a ocorrência, além de também ter ouvido a narração do dono de um trailer vizinho.
Suposto pedágio de facção
Victor foi autuado em flagrante por homicídio, tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo e receptação. Ele já possuía antecedentes por roubo, corrupção de menores, posse irregular de arma de fogo de uso permitido, tráfico ilícito de drogas, integrar organização criminosa e lesão corporal.
Ele apresentou versões contraditórias sobre a suposta motivação dos assassinatos e demonstrou receio de represálias de outros envolvidos.
Victor chegou a dizer, entretanto, que "ficou sabendo" que o crime podia estar relacionado à cobrança de "caixinha" de facção criminosa, briga com clientes ou agiotagem.
Essas são as linhas de investigação com as quais a Polícia trabalha.
De acordo com testemunhas ouvidas pela Polícia Militar no local do crime, o casal de comerciantes teria se negado a pagar pedágio à facção criminosa Comando Vermelho. A informação consta no relatório policial ao qual a reportagem obteve acesso.
Testemunhas ouvidas pela polícia disseram ainda que, apesar das ameaças, o casal, por não concordar em pagar a taxa exigida, decidiu abrir o trailer e manter o funcionamento normal, ocasião em que teria ocorrido o ataque.