Policial civil que matou 4 colegas em Camocim deixará hospital psiquiátrico no Ceará

Laudos periciais atestaram melhora no quadro clínico do policial, que tem apresentado comportamento calmo e colaborativo.

Escrito por Matheus Facundo matheus.facundo@svm.com.br
30 de Julho de 2026 - 17:17 (Atualizado às 17:20)
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Legenda: Mortes aconteceram dentro de delegacia em Camocim em 2023.
Foto: Mateus Ferreira

O policial civil Antônio Alves Dourado, que matou quatro colegas de Corporação em Camocim, no interior do Ceará, deixará o hospital psiquiátrico no qual estava internado desde 2025. Dourado deve se mudar para Belém, no Pará, onde ficará sob acolhimento familiar e continuará o tratamento ambulatorial na rede psicossocial, por meio de um plano terapêutico.

A decisão da Justiça do Ceará foi baseada em uma reavaliação que constatou melhora no quadro clínico do policial e também segue diretriz do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que privilegia a reabilitação psicossocial e o suporte familiar em detrimento do isolamento. Quando foi decidida a internação, no ano passado, a Justiça citou o "grave estado de saúde mental do acusado e a imprescindibilidade de tratamento em regime de internação hospitalar". 

Laudos periciais feitos nos últimos meses por equipes multiprofissionais distintas apontam que o réu teve "melhora significativa do quadro clínico, mantendo comportamento calmo e colaborativo, adequado padrão de sono e alimentação, autonomia para os cuidados pessoais, inexistindo evidências de risco iminente de auto ou heteroagressão (hostilidade contra outros), além da ausência de qualquer intercorrência". 

Antônio havia sido denunciado por homicídio qualificado, mas foi considerado inimputável, ou seja, não pode ser responsabilizado pelo crime judicialmente, pois estava em transtorno psiquiátrico grave. 

O inspetor de Polícia Civil chegou a ficar preso na Penitenciária Industrial de Sobral (PIRS), onde tentou matar um colega de cela. 

Após sair do internamento, Dourado deverá cumprir uma série de obrigações para que não sofra sanções judiciais, como comprovar o início do tratamento e manter vínculo com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de Belém (PA).

O policial também não poderá alterar seu endereço sem autorização prévia do juízo e deverá manter seu endereço e contatos telefônicos permanentemente atualizados nos autos do processo.

A família deverá permanecer acolhendo o réu, com supervisão diária da administração da medicação, conforme recomendado tecnicamente.

Por fim, a Justiça cearense determinou que a Secretaria de Estado de Saúde do Pará (SESPA) deverá enviar ao juízo relatórios trimestrais sobre a evolução e regularidade do tratamento ambulatorial do réu.

Chacina em delegacia 

Antônio Alves Dourado entrou na Delegacia Regional de Camocim na madrugada do dia 14 de maio de 2023 e matou os quatro colegas de profissão. Ele estava de folga. 

O crime se desenrolou por volta das 4h30 daquele dia, quando Dourado entrou pelos fundos do prédio, após estacionar uma motocicleta, e pulou o muro para invadir a unidade policial. 

Pelo menos três das quatro vítimas estavam dormindo, após terminarem de realizar um flagrante pouco tempo antes, de acordo com um Relatório de Local de Crime elaborado pela Delegacia Regional de Sobral.

Ele conseguiu entrar, pois tinha as chaves da unidade policial. Os policiais Antônio José Rodrigues Miranda, Francisco dos Santos Pereira e Gabriel de Souza Ferreira foram assassinados no dormitório da Unidade.

Já o escrivão Antônio Cláudio dos Santos, que estava acordado, tentou fugir, mas quebrou o braço ao pular do primeiro andar, antes de ser perseguido e morto com disparos pelas costas. Dourado deixou a delegacia em uma viatura, mas foi preso poucos minutos depois. 

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