A Justiça do Ceará adiou o júri dos ex-policiais militares Glauco Sérgio Soares do Bonfim e José Luciano Souza, acusados pelo assassinato do advogado Francisco Di Angellis Duarte de Morais. O julgamento ocorreria nesta quinta-feira (30), na 1ª Vara do Júri, no Fórum Clóvis Beviláqua, e estavam marcadas oitivas de 15 testemunhas: 10 de defesa e 5 de acusação. O novo júri foi marcado para 4 de novembro.
O Diário do Nordeste apurou que o adiamento se deu a pedido da acusação, representada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), pois uma testemunha considerada imprescindível não pôde comparecer ao Tribunal. A testemunha seria uma policial que atuou no caso.
A morte aconteceu em 6 de maio de 2023, no bairro Parquelândia, em Fortaleza, na porta da própria casa da vítima.
O assassinato do advogado de 41 anos envolve uma trama de ameaças e extorsão. Di Angellis estava sendo ameaçado para fazer a retirada de notícias de um site que publicou informações de ascensão econômica de um empresário dos ramos de cooperativa de saúde e postos de combustíveis.
Os réus foram pronunciados, ou seja, tiveram a confirmação do julgamento, em maio de 2025, pelo juiz da 1ª Vara do Júri. A mesma decisão impronunciou o empresário Ernesto Wladimir de Oliveira Barroso, que havia sido apontado pelo MPCE como mandante do homicídio.
Na época, o magistrado pontuou que Ernesto foi impronunciado "por ausência de convencimento quanto aos indícios suficientes de autoria ou de participação desse réu nos crimes narrados na denúncia" e as prisões dos dois ex-PMs mantidas para garantia da ordem pública".
Ameaças e extorsão
Conforme a denúncia do MPCE, o empresário disse à Polícia Civil do Ceará (PCCE) que teria se desentendido com o advogado devido a "matérias jornalísticas e postagens em grupos de WhatsApp" que falaram da sua ascensão financeira.
Tudo começou, segundo Ernesto, quando ele negou ao deputado federal pelo Ceará, Júnior Mano (PL), parte do dinheiro das emendas federais que o parlamentar direcionou para a área da saúde.
Dias depois, teriam começado a circular no Don7 Media Group, do jornalista Donizete Arruda, notícias de que Ernesto tinha cavalos de valores milionários e matérias jornalísticas de denúncias contra a cooperativa de saúde da qual Ernesto era diretor. "Tais postagens foram encaradas pelo denunciado Ernesto como ataques à sua pessoa e que suscitavam dúvidas quanto à lisura de seu patrimônio", conforme trecho da denúncia.
O advogado morto era responsável pelo jurídico do grupo de comunicação e teria feito parte de negociações para que as notícias saíssem do ar.
Em resposta à reportagem, o deputado federal Júnior Mano disse à época que a versão do acusado do homicídio do advogado de que sofreu extorsão cometida por ele é inverídica. “A referência ao nome do Dep. não encontra nenhum respaldo no contexto probatório, tratando-se de uma versão isolada e inverídica apresentada apenas pelo acusado com objetivos políticos e de ofuscar o grave crime pelo qual está preso e respondendo perante a Justiça Criminal".
Ele afirmou ter compromisso com "a transparência, a ética e a veracidade dos fatos, e confiamos nos órgãos responsáveis pela persecução penal, dos quais estamos inteiramente à disposição”.
Já o jornalista Donizete Arruda, quando procurado pela reportagem à época, depois do crime, não respondeu.
Um outro inquérito foi instaurado na Polícia Civil do Ceará para apurar as acusações de extorsão, mas Júnior Mano e Donizete não foram indiciados ou denunciados na investigação.