O policial militar do Ceará, Leandro Vidal dos Santos, foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) por participação em duplo homicídio e tentativa de homicídio em Juazeiro do Norte, no Cariri cearense. A acusação dá conta de que o PM, que ainda está preso, deu "apoio logístico" para que os crimes fossem cometidos.
A denúncia contra o policial foi feita por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas Sul (Gaeco Sul), do MPCE. Leandro já havia sido denunciado outra vez pelo MPCE e virou réu na Justiça em abril de 2019 por participar da Chacina de Milagres, quando 14 pessoas foram mortas.
A defesa do PM não foi localizada pela reportagem.
Segundo investigações do caso mais recente, um grupo armado de fuzis e espingardas invadiu uma residência, matou o homem e atirou contra o irmão da vítima, que chegava em casa em uma motocicleta por aplicativo.
O irmão conseguiu fugir, mas o motociclista foi atingido e não resistiu aos ferimentos.
.De acordo com o MP, Leandro Vidal dos Santos disponibilizou o local para guardar veículos adulterados usados na execução, mostrou rotas e participou do comboio de apoio aos executores, além orientar uma testemunha a falsear o depoimento para atrapalhar a investigação
Os outros réus devem ser julgados separadamente do PM, por decisão do MPCE. O órgão acusatório pede que Leandro seja submetido ao Tribunal do Júri e pague reparação mínima de R$ 50 mil para cada vítima fatal e para o sobrevivente.
O ex-prefeito de Nova Olinda, Ítalo Brito Alencar, também é um dos investigados pelos assassinatos. À época da investigação, a defesa de Ítalo, patrocinada pelos advogados Stênio Rolim de Oliveira e José Jefferson Campos de Santana, informou que recebeu as medidas de busca e apreensão com "surpresa", e afirmou que tem "plena confiança nas instituições e no Poder Judiciário, acreditando que os fatos serão devidamente esclarecidos no curso regular da investigação, com observância das garantias legais e constitucionais".
Duplo homicídio motivado por plano de assassinato
Na época, as vítimas foram identificadas como um comerciante e um motociclista de app. Conforme informações obtidas pelo Diário do Nordeste, o comerciante foi identificado como Cícero Ronaldo Nunes, 43 anos, conhecido como 'Ronaldo do Mercantil'.
Ele seria o único alvo dos criminosos, que invadiram a residência da vítima e praticaram a execução. Ronaldo era investigado por, supostamente, estar envolvido no plano para assassinar o ex-prefeito da cidade de Nova Olinda. Ele já havia sido preso em março de 2025 durante a investigação do caso.
Um motociclista de aplicativo que transitava pelo local em uma motocicleta no momento do crime também foi atingido pelos tiros. A vítima chegou a ser levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.