Um homem identificado como Francisco Jean da Silva Lopes, de 36 anos, conhecido como 'Anjo da Morte', foi preso por equipes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no bairro José de Alencar, Área Integrada de Segurança Pública 19 (AIS 19) do Ceará. A reportagem apurou que o Jean é investigado por vários homicídios na região da Grande Messejana, no contexto da disputa entre facções criminosas Massa Carcerária/Tudo Neutro (TDN) e Comando Vermelho (CV).
Procurado por conta de um mandado de prisão expedido pela 6ª Vara do Júri, o 'Anjo da Morte' teria esse apelido por ser um 'matador' da facção que predomina na região, segundo as investigações do DHPP. A defesa de Francisco Jean, representada pelo advogado Roberto Cruz Cavalcante, afirmou que não poderia se manifestar, pois ainda não teve acesso ao processo, que está em segredo de Justiça. "Assim que tiver acesso, poderei me manifestar", disse.
Francisco Jean foi localizado por policiais civis da 3ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Além do mandado por homicídio, ele era procurado ainda por integrar organização criminosa.
Segundo informações da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o "suspeito tem antecedentes criminais por homicídio doloso; duas vezes por tentativa de homicídio; duas vezes por posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito; porte ilegal de arma de fogo de uso permitido; posse irregular de arma de fogo de uso permitido; integrar organização criminosa; tráfico de drogas; e conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada".
Prisão mantida em audiência de custódia
Na manhã dessa sexta-feira (7), ele foi submetido a audiência de custódia e permaneceu preso. Durante a sessão, Jean disse que sua profissão era de pedreiro. Ele relatou que cursou até o Ensino Médio e que morava no bairro José de Alencar (Grande Messejana),
Sobre a ação dos policiais, o investigado disse que "não houve violência policial no cumprimento do mandado". No fim da audiência, o Juízo do Núcleo de Custódia e das Garantias da Comarca de Fortaleza concluiu que não havia "vício de ilegalidade a impor o imediato relaxamento da prisão".
O magistrado também não percebeu ilegalidades no cumprimento do mandado de prisão expedido e determinou a remessa dos autos ao órgão responsável pela ordem de prisão.
Conforme documentos obtidos pela reportagem, a decisão que determinou a prisão de Francisco Jean afirma que a medida era "indispensável para possibilitar a continuidade das diligências, evitar intimidação de testemunhas, muitas das quais solicitaram preservação de identidade por temor de represálias, impedir a combinação de versões entre os investigados e resguardar a coleta de novos elementos probatórios, especialmente diante das notícias de ameaças anteriores atribuídas aos suspeitos e do contexto de elevada violência que permeia os fatos apurados".
O documento cita ainda que os investigados "são pessoas de considerada periculosidade e aparentemente influenciam o comportamento da comunidade local, respondendo a diversos processos criminais por crimes graves, conforme se extrai das certidões de antecedentes criminais acostadas aos autos".