Uma mulher natural de Belém, no Pará, virou ré na Justiça Federal do Ceará após tentar enviar 105,5 quilos de cocaína escondidos em resmas de papel do Aeroporto Internacional de Fortaleza para Maputo, em Moçambique, país localizado no continente africano. O caso aconteceu em 23 de setembro de 2022 e chegou ao órgão federal em fevereiro deste ano. A primeira audiência do caso está marcada para o dia 16 de julho.
A ré se trata de Kelle Elaine do Rosário Oliveira, que já era monitorada pela Interpol e possuía histórico criminal de tráfico internacional de drogas. Ela já havia sido presa na África do Sul e na Irlanda.
Apesar de nunca ter sido presa no Brasil, Kelle foi capturada e chegou a cumprir pena no exterior. Em junho de 2019, ela relatou ter sido presa ao desembarcar em Joanesburgo, na África do Sul, com uma mala a qual ela acreditava só conter roupas.
Já na Irlanda, ao ser solicitada para fazer um novo transporte de mala, acabou capturada no desembarque em Dublin.
Segundo as investigações da Polícia Federal (PF), Kelle teria feito múltiplas viagens internacionais entre 2019 e 2021 para países parte da rota do tráfico, como Etiópia, Panamá e Portugal.
Documentos aos quais o Diário do Nordeste obteve acesso mostram que Kelle responde ao processo em liberdade. Ela foi formalmente localizada e notificada para se defender das acusações em outubro de 2025.
Ela chegou a prestar depoimento na Delegacia de Repressão aos Entorpecentes (DRE), da Polícia Federal (PF), em janeiro do ano passado, e disse que não possui envolvimento direto com o tráfico. Kelle afirmou que foi usada e coagida por terceiros, "mediante ameaças".
A agora ré na Justiça afirmou à época que participou do esquema, pois, enquanto esteve presa na Irlanda, uma mulher teria tentado sequestrar seu filho no Brasil. Ela disse que, ao cumprir pena na cidade irlandesa de Dublin, retornou ao Pará e foi mandada para Fortaleza para se encontrar com um nigeriano e iniciar o esquema ilícito.
A reportagem procurou a defesa da mulher para esclarecimentos sobre a situação dela na Justiça, mas não recebeu retorno até o fechamento desta matéria.
Empresa de fachada tentou esconder esquema
A droga foi identificada pela PF após uma inspeção no Terminal de Cargas do Aeroporto de Fortaleza, quando os mais de 100 kg de cocaína foram localizados em meio a uma carga legal de resmas de papel ofício, embaladas com alumínio. Foi constatado que a carga era exportada pela empresa KELLE COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA, que seria pertencente à acusada.
A empresa tinha sede no bairro Parquelândia, em Fortaleza, e o prédio havia sido alugado meses antes da apreensão da droga. Em diligências, a PF foi informada pela locadora que Kelle abandonou o imóvel e deixou de pagar mensalidades do aluguel.
[...] conforme a informação policial juntada às fls. 112/120 do IPL, verifica-se que a denunciada possui registro de crimes passados (a maioria de ameaça), bem como que a Polícia Federal identificou registros migratórios de Kelle, atestando que ela realizou viagens recorrentes à Etiópia, Panamá e Portugal nos últimos 5 anos, o que denota rota de tráfico. Ademais, constata-se que há registro de restrição pela INTERPOL, recomendando inspeção pessoal na denunciada, haja vista que esta já foi presa anteriormente na África do Sul e na Irlanda por tráfico de drogas.
Ela admitiu que nunca usou a empresa para fins comerciais, mas disse não ter conhecimento da carga de cocaína que foi encontrada no Aeroporto de Fortaleza. Ainda segundo Kelle, não foi ela quem abriu a empresa de fachada.