O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou cinco acusados de manter a plantação de maconha na zona rural de Acopiara, descoberta no último mês de junho. A denúncia feita pelos promotores da 2ª Promotoria de Justiça de Acopiara e do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas Sul (Gaeco Sul) foi enviada ao Judiciário nessa terça-feira (20).
Conforme o órgão, o grupo deve responder por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Se condenados, as penas podem chegar a 25 anos de prisão para cada um dos denunciados.
"De acordo com o MP, o grupo dividia as funções entre os integrantes, que ficavam responsáveis pelo gerenciamento do espaço e pela definição, custeio, compra e transporte dos insumos utilizados no cultivo, além de outras atividades criminosas", segundo divulgado nesta quarta-feira (21).
Os nomes dos acusados não foram divulgados e o processo segue em segredo de Justiça.
RELEMBRE O CASO
A Polícia Civil do Ceará (PCCE) localizou no dia 25 de junho de 2026 a plantação de maconha com cerca de 290 mil pés da planta, escondida em uma área isolada no município de Acopiara.
A plantação se estendia por uma área de aproximadamente três hectares, o equivalente a quatro campos da Arena Castelão.
Durante a investigação, aeronaves e drones da PCCE tiveram que sobrevoar o local para medir a área total da plantação. Ao todo, foram encontrados no local cerca de 160 mil pés de maconha em fase de cultivo e outros 130 mil pés já colhidos, totalizando uma estimativa de 290 mil pés da planta.
Dias depois, o proprietário do terreno foi preso. O agricultor João Holanda Neto, de 59 anos, alegou ser inocente e diz que não sabia que o arrendatário, um amigo da família dele há 15 anos, plantava maconha no local.
Na época, a reportagem apurou junto aos advogados Maria Lopes e Itael Nunes que João recebia mensalmente, com pagamento em espécie, o valor de R$ 5 mil pela locação do terreno.
PLANTIO SUSPEITO
O arrendatário teria dito que desejava utilizar o terreno para plantar sorgo e milho para silagem, além de feijão, extração de madeira (estaca de sabiá) e produzir carvão.
"Do local onde ficava na entrada até esse plantio de maconha, que até então não sabia, a distância era de 9 quilômetros. A coisa era tão bem articulada que o pagamento da locação do terreno era feito em dinheiro (espécie) para nem deixar comprovante"
Os advogados afirmam que o arrendatário colocou cadeados e correntes nas cancelas que davam acesso ao local.
'ALUGUEI PORQUE ELE ERA 'DE CASA'
Antes de se apresentar à Polícia e ser preso preventivamente, João gravou vídeos com a família e fez um apelo ao arrendatário para que ele se entregasse às autoridades e prestasse esclarecimentos sobre a plantação de drogas.
“Eu peço até pela alma da sua mãe, de seus filho… Você fazer isso comigo? Com minha família? Eu pensando que você era uma pessoa boa... Tomava café na casa da minha mãe… eu aluguei porque você era de casa, fiz contrato” (sic).
“Se eu soubesse que uma coisa dessa ia acontecer comigo jamais eu alugava, por dinheiro nenhum. Mesmo que eu não pudesse trabalhar, eu deixava a mata tomar de conta lá… Criei meus filhos trabalhando, se entregue por amor de Jesus Cristo”.
DENÚNCIA
Três dias após a operação, o deputado federal André Fernandes esteve no local e publicou vídeos que mostravam diversos pés de maconha ainda preservados, quando a lei obriga a custódia e incineração da droga.
Pelas possíveis falhas, o tema virou pauta política.
O governador Elmano de Freitas foi presencialmente ao local onde a droga foi encontrada para supervisionar o terreno e a destruição da droga.
"Houve uma denúncia e, no meu entender, a denúncia é muito grave, de que, aqui, teria havido negligência para que o crime pudesse atuar e até levar algum bem daqui. Nós vamos apurar absolutamente tudo. Não vamos passar a mão na cabeça de ninguém. E quero pedir ao deputado que ele tenha a honra de poder, em depoimento, dizer que autoridade teria ligado para suspender o trabalho da Polícia Civil aqui. [...] Nossa determinação é enfrentar o crime de maneira implacável", disse Elmano.
O governador disse, no dia, que a "Polícia não sai daqui enquanto não destruir toda essa plantação”.
Dois delegados de Polícia Civil se tornaram alvos de Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) que visa apurar a conduta dos agentes na possível falha de custódia da plantação de 290 mil pés de maconha encontrados em Acopiara, no interior do Ceará.