Dois PMs e um guarda municipal são denunciados pelo MPCE por extorsão mediante sequestro

Quadrilha é acusada de sequestrar empresário e cobrar R$ 100 mil para a sua liberação. Um dos militares foi preso em flagrante e baleado na ação da CGD

Legenda: Policial Militar foi transferido para o IJF após ser baleado durante uma operação da Controladoria.
Foto: Foto: Rafaela Duarte

O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou, na última quarta-feira (20), dois policiais militares, um guarda municipal e mais um homem por extorsão mediante sequestro, que teve um empresário como vítima. Um dos PMs foi preso em flagrante pela Controladoria Geral de Disciplina de Órgão de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) e baleado, em agosto de 2019.

O PM Francisco Thiago Gomes da Silva foi acusado ainda por associação criminosa e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, enquanto o PM Zacarias da Costa Brasil Neto, o guarda municipal Michel Martins dos Santos Ribeiro e Wandson Luiz da Silva foram denunciados também por associação criminosa.

Conforme a denúncia do MPCE, um proprietário de uma oficina no bairro Planalto Ayrton Senna, em Fortaleza, passou a ser seguido pela quadrilha e foi sequestrado, na tarde de 13 de agosto de 2019. O militar Francisco Thiago e um comparsa disseram ser policiais para abordarem, algemarem e colocarem a vítima dentro de um carro, que circulou por cerca de 20 minutos. Durante esse tempo, o empresário permaneceu encapuzado.

Em uma residência, os criminosos disseram ao homem que tinham recebido uma proposta de R$ 100 mil para matá-lo. Ele, então, negociou com os suspeitos e acertou de pagar a mesma quantia para não ser assassinado, sendo R$ 80 mil pagos de imediato e mais R$ 20 mil no fim do mês.

Nos dias seguintes, sem a entrega do valor, a quadrilha proferiu ameaças de morte ao empresário e a familiares. O homem, então, procurou a Delegacia de Assuntos Internos (DAI), da CGD, que começou a investigar o caso.

Policial militar baleado e preso

O empresário prometeu aos criminosos efetuar o pagamento na tarde de 20 de agosto daquele ano, na Avenida Coronel Carvalho. O bando pediu que o homem deixasse a bolsa com o dinheiro no "meio fio" da Avenida, mas ele não viu a mensagem. Então, o PM Francisco Thiago se aproximou do veículo onde estava a vítima, na posse de uma arma de fogo.

Neste momento, policiais da DAI apareceram e pediram para o militar entregar a arma. Mas ele demonstrou resistência e terminou baleado, sendo socorrido sob escolta policial ao Frotinha do Antônio Bezerra. Uma pistola calibre Ponto 40 foi apreendida.

Organização da quadrilha

"O modo de atuação desse grupo criminoso consistia em consulta, por meio do sistema policial, de pessoas que tivessem algum tipo de envolvimento com condutas ilícitas. Os criminosos implantavam rastreadores nos veículos das vítimas, com a utilização de carros próprios para a prática criminosa, ou seja, para o cerco, abordagem e sequestro destas vítimas", afirma o MPCE.

Os dois policiais militares e o guarda municipal tinham um grupo no aplicativo WhatsApp para trocar informações sobre as vítimas e os planos criminosos. Já Wandson Luiz era próximo do empresário e foi cooptado para fornecer informações de sua rotina para auxiliar no sequestro.

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