Acusado de decepar orelha e tentar matar mulher em Fortaleza é condenado a 33 anos de prisão

Ricardo Damásio, o 'Pelé', atingiu a companheira com facadas.

Escrito por Redação seguranca@svm.com.br
19 de Junho de 2026 - 16:18
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Legenda: O homem está preso na Unidade Prisional de Maracanaú, desde o dia do crime.
Foto: Reprodução.

O Júri Popular decidiu condenar Francisco Ricardo Damásio de Oliveira, conhecido como 'Pelé', acusado de tentativa de feminicídio. A pena imposta ao denunciado é de 33 anos e 10 meses de prisão.

'Pelé' sentou no banco dos réus nesta sexta-feira (19), menos de um ano após o crime cometido com requintes de crueldade. A ele foi negado o direito de recorrer da decisão em liberdade.

A vítima, Elisângela dos Santos Gomes, era companheira do acusado e teve a orelha decepada. Segundo a acusação, Ricardo golpeou a vítima com uma faca na região da cabeça e dos braços. 

Letícia Santos, filha de Elisângela, disse que: "hoje nós vimos que a Justiça fez valer o que tem na lei. Isso nos deixa mais seguras. Nós clamamos por Justiça e a Justiça veio. Espero que ele cumpra em regime fechado. Agora nós ficamos com o coração um pouco mais em paz".

A mulher foi socorrida ao Instituto Doutor José Frota (IJF), levou 283 pontos na cabeça, passou mais de um mês hospitalizada chegando a ficar em coma induzido e perdeu o movimento de um dos braços. 

O julgamento aconteceu na sala da 2ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza e faz parte da IX Semana Estadual do Júri. Vítima e réu ficaram 'frente a frente' durante a sessão.

A defesa do acusado sustentou a tese de que Francisco agiu em legítima defesa.

O TJCE destacou que o acusado também foi sentenciado a pagar indenização no valor de R$ 15 mil às vítimas. 

RELEMBRE O CASO

O caso ocorreu no bairro Lagoa Redonda, em Fortaleza. Na ocasião, o homem feriu Elisângela e a mãe dela, enquanto duas crianças, sendo uma delas filha de Elisângela, assistiam à cena de violência extrema. 

Elisângela e Francisco moravam no mesmo prédio e mantiveram um relacionamento por oito meses. Segundo depoimento de uma testemunha, Francisco já havia sido violento com Elisângela em outra ocasião. 

"Com certeza a minha mãe não foi a primeira que ele agrediu, xingou, torturou psicologicamente", comentou a estudante Letícia Santos.

Após o término do relacionamento, a vítima decidiu, por medo, ficar na casa da mãe por alguns dias. Antes de cometer o crime, Francisco mandou mensagens para familiares de Elisângela, dizendo que ficassem tranquilos, pois "jamais faria mal a ela".

Segundo documentos obtidos pela reportagem, Francisco Ricardo Damásio pulou o muro da casa da mãe de Elisângela, por volta das 16h do dia 21 de julho de 2025. 

Durante o atentado, as duas crianças que estavam na residência correram pedindo ajuda. "O vizinho da frente entrou para tentar tirar o Ricardo de cima dela, só que não conseguia, porque ele não queria parar de esfaquear minha mãe", contou a filha mais velha de Elisângela.

O vizinho que intercedeu na cena afirmou em depoimento às autoridades que arrastou Francisco pelo pescoço para o lado de fora da residência e o segurou enquanto os irmãos e cunhados da vítima a socorriam. 

Em depoimento às autoridades, Francisco afirmou que foi até a casa da mãe da ex-namorada para conversarem diante do término do relacionamento. Segundo ele, Elisângela abriu o portão e afirmou que estaria o traindo.

Segundo ele, a mulher então o teria golpeado com uma faca e eles entraram em luta corporal. O réu afirmou estar muito alcoolizado e não lembrar de mais detalhes. 

IX Semana Estadual do Júri

Começou na última segunda-feira (15) a IX Semana Estadual do Júri. Até o próximo dia 30 de junho, segundo o TJCE, estão agendados 317 julgamentos de processos de crimes contra a vida.

As sessões acontecem em todo o Estado: "a pauta inclui processos prioritários, como casos envolvendo réus presos, feminicídios, júris anulados, crimes envolvendo crianças e adolescentes e atos praticados contra ou por agentes de segurança pública", conforme o TJCE.

Para os júris, a previsão é de que sejam mobilizados 623 jurados. Segundo o Tribunal, do total de processos pautados, 61 são das seis varas do júri da Capital, enquanto 256 são de 83 varas das comarcas do Interior com competência para o Tribunal do Júri.

A força-tarefa conta ainda com a participação do Ministério Público do Ceará (MPCE), da Defensoria Pública do Estado (DPCE) e da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Ceará (OAB-CE).

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