Reservatório foi construído após a severa seca de 1932

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
10 de Fevereiro de 2018 - 01:00
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Legenda: Desde o início, a produção de peixe gerou emprego e renda para muitas famílias no entorno do Lima Campos, que agora se veem desoladas pela seca

Icó. O Ceará vivenciou secas que dizimaram o gado, acabaram com a economia agrícola, mataram gente de fome, sede e doenças. A História apresenta registros de intensas estiagens nos séculos XVIII, XIX e XX. Uma delas, a de 1877-79 atingiu em cheio esta cidade, considerada um empório, o caminho do gado, do couro e do algodão para a exportação no Porto de Aracati, em direção à Europa.

> Com apenas 1,9%, o Lima Campos está agonizando 

O então presidente da Província do Ceará, Carlos Honório Benedito Otoni, enviou circular às Câmaras Municipais, em 1884, solicitando informações sobre açudes existentes e locais adequados para construir reservatórios. Naquela época, já se tinha a percepção de que a construção de açudes seria uma alternativa ao flagelo da seca, mas as obras seguiam lentamente e só ganhavam impulso quando nova estiagem castigava o sertão. A consulta feita em 1884 só se tornaria realidade em 1932, quando se construiu o Açude Estreito que mais tarde seria oficialmente denominado Lima Campos.

Em 1909, foi criada a Inspetoria Federal de Obras contra a Seca (IFOCS), atual Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs). O órgão passou a construir açudes e perfurar poços, por meio de ações administrativas mais regulares.

Um desses estudos apontou o boqueirão do Estreito, no Rio São João, como um dos 34 locais no Ceará favoráveis para a construção do reservatório. O projeto foi elaborado em 1911, mas foi considerado de ampla dimensão para a vazão do rio ou riacho. Por conta do erro, o reservatório deixou de ser construído em 1913 e, por quase 20 anos, a ideia ficou apenas no papel.

A seca de 1932 foi severa. Faltou água e comida para o sertanejo logo nos primeiros meses do ano. Naquela época, a ferrovia já passava por Iguatu e muitos tentaram chegar à capital, em busca de trabalho e alimento, mas foram barrados em Senador Pompeu, em áreas denominadas campos de concentração.

O cenário era desolador. A urgência venceu a burocracia e a obra começou. Em abril de 1932 começou o alistamento de flagelados para a construção do Lima Campos. O sertanejo ocupava abrigos coletivos. Amontoados em precárias condições, surgiram epidemias de tifo e paratifo. Muitos morreram.

Em 1933, a barragem estava pronta. A denominação homenageia o engenheiro Artur Fragoso de Lima Campos, que ocupava o cargo de inspetor das secas, e que morreu em acidente aéreo em Salvador, pouco tempo após o início da obra. Além do açude, homens, mulheres e crianças construíram as estradas para Icó, Iguatu e Orós, canais de irrigação e residências na Vila Lima Campos. A primeira sangria foi em 1934.

Foi implantado o Departamento de Piscicultura do então IFOCS, que trouxe para a região um pescado da Amazônia, o tucunaré, que caiu no gosto do sertanejo cearense. A produção de peixe gerou emprego e renda para muitas famílias no entorno do Lima Campos.

Após a construção do Orós, no início da década de 1960, foi feito um túnel que transfere água daquele reservatório para o Lima Campos, por gravidade, para reabastecimento. Mas hoje, após seis anos seguidos de perda de água, as duas barragens estão secando.