Professora é a primeira cearense a ganhar “Educador Nota 10”

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
07 de Outubro de 2006 - 03:22
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Preocupada e insatisfeita com o desinteresse de seus alunos pela leitura, a professora Francisca das Chagas Menezes de Sousa, 29 anos, resolveu tomar uma atitude que despertasse em seus alunos o prazer de ler e escrever. Ela implantou na 8ª série da Escola de Ensino Fundamental João Pinto Magalhães, na zona rural de São Gonçalo do Amarante, o projeto “Cordel, rimas que encantam”. A iniciativa não só rendeu o esperado, resgatando o prazer da leitura em 43 estudantes, como deu à Francisca das Chagas o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, de São Paulo. A professora foi a primeira cearense e a segunda nordestina premiada em nove edições do concurso.

Segundo Chaguinha, como é conhecida, ela sempre acompanhou de perto o Prêmio. Desta vez, ela, que diz gostar de criar projetos, aprimorou uma idéia surgida no ano passado e a inscreveu no Educador Nota 10. “Acompanho de perto esse prêmio faz anos. Em 2005 tive essa idéia do projeto. Fui aperfeiçoando e mandei esse ano”, conta.

A idéia de Chaguinha não poderia ser mais adequada. Integrando um pouco de cultura popular ao conteúdo diário aplicado em sala de aula, ela alcançou o objetivo desejado. “O resultado foi o melhor possível. Eles não lêem mais por obrigação”, se orgulha. Tudo começou com a procura da professora por alguma tradição popular que ainda fosse forte na região. Assim, Francisca (re)descobriu o cordel, livrinho típico do sertanejo que ela mesma, em sua juventude, lia para seu avô. Chaguinha apresentou “a novidade” para os alunos. Mas antes de começar a trabalhar com o cordel nas aulas, fez com que eles descobrissem aos poucos o que era, enfim, aquilo.

Nas primeiras etapas do projeto, com apoio da Secretaria de Educação do Município, eles visitaram a biblioteca de São Gonçalo do Amarante e usaram a internet no Centro Vocacional de Tecnologia. Locais onde pesquisaram sobre o tema e conheceram, inclusive, o eterno poeta popular, Patativa do Assaré. Já apresentados ao cordel, o próximo passo foi conseguir exemplares para utilizar em sala de aula. Professora e estudantes partiram então pelas casas da comunidade pedindo por folhetos de cordel.

Os moradores mais velhos tinham alguns exemplares e, ao final, a turma conseguiu reunir o necessário para a programação na Escola. “Começamos a trabalhar em sala de aula com as histórias contadas em rima, com tudo escrito certo. Fazíamos momentos de leitura. Eles gostaram tanto que nem queriam mais devolver”, lembra Chaguinha. Ela ri quando conta que teve trabalho em recolher todos os folhetos com o compromisso de devolvê-los aos donos.

Depois de três meses de trabalho — de abril a maio deste ano — os alunos lamentaram o fim do projeto. Apesar disso, a semente plantada pela professora deu frutos. “Teve estudante que trazia de casa um cordel feito para me mostrar. Eles me surpreenderam”.