Pingo d’agua melhora a qualidade de vida

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
11 de Outubro de 2003 - 19:28
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Legenda: Água encanada chega a todas as casas
Foto: Jonas Sousa
Quixeramobim (Sucursal/ Quixadá) - O Projeto Pingo D’água, premiado pela Caixa Econômica e que está concorrendo a um prêmio internacional, vem mudando significativamente a vida de milhares de pessoas que moram na zona rural do Município, encravado no Sertão Central do Ceará. O programa aboliu praticamente o carro-pipa, está gerando emprego e renda, acabou com o êxodo rural e tem muita gente que foi embora para São Paulo e que agora está voltando para a sua terra de origem.

Os 352 poços profundos em áreas de aluvião, levando água tratada para as residências, beneficiam cerca de 2100 famílias das diversas localidades da região, dentre elas Carunos, Patos, Forquilha, Arueiras, Onça, Várzea do Meio, Castelo, São Bento, Riacho Verde, Lagoa Cercada e Malhadinho. São 30 associações comunitárias envolvidas no projeto, produzindo maracujá, mamão, melão, goiaba, melancia, tomate e outros produtos. O milho irrigado em pleno período de estiagem, também é fruto do sucesso do Projeto Pingo D’água, hoje reconhecido internacionalmente.

São muitas as pessoas que conseguiram melhorar a qualidade de vida. Deusimar Cândido de Oliveira, é líder comunitário. Ele preside a Associação e disse que já tinha ido embora para a cidade. Depois de alguns anos voltou para a zona rural, depois de ouvir falar no “Pingo D’água”. ´Eu estava desempregado e hoje faturo mensalmente cerca de dois mil reais mensais com a venda dos produtos para a Ceasa”, disse. Deusimar e sua família desfrutam da modernidade e possui, inclusive um computador em casa “para modernizar seus negócios e monitorar a área produtiva”, diz.

O Agricultor Aldenor Manú, que viu a Rede Globo mostrar o sucesso do “Pingo D’água”, decidiu deixar São Paulo, onde estava morando há 5 anos, para trabalhar nas terras produtivas de Quixeramobim, lugar onde nasceu. Para ele, o mais importante é que existe trabalho e garantia de renda. “Estou muito feliz por aqui. São Paulo nunca mais”, completou ele.

A dona de casa Erivanda Oliveira não esconde sua satisfação em ter conseguido melhorar de vida na localidade de Forquilha. Comprou uma antena parabólica e uma televisão. “Estamos vivendo uma vida bem melhor depois que apareceu este projeto”, disse ela. Explica que a família toda está trabalhando no campo, e ninguém pensa mais em sair do lugar.

O jovem agricultor da localidade de Forquilha, Alexandre Felipe, conta admirado que nunca teve na vida sequer um jumento. Depois que passou a plantar nas áreas de aluviões do projeto Pingo D’água a sua vida mudou completamente, passou a ganhar dinheiro e hoje já tem a sua motocicleta para fazer a entrega da produção em diversas localidades. “Aqui ninguém passa fome, nós temos muitas boas frutas que alimentam muita gente, nossas famílias e nossos filhos”, disse ele.

O Secretário de Desenvolvimento Econômico de Quixeramobim, Carlos Simão, que acompanhou a equipe de reportagem do Diário do Nordeste para as áreas atendidas pelo Projeto Pingo D’água, observou que nas 30 comunidades não existem mais casas de taipa. Os agricultores mudaram suas vidas e hoje todos moram em casas de alvenarias. Explicou que 80% do projeto são administrados pelas as associações comunitárias. A Prefeitura entra com a assistência técnica, oferece energia rural e técnicos para elaboração de projetos que são enviados pelas entidades para o Banco do Nordeste.

Segundo Carlos Simão, os agricultores fazem seus próprios empréstimos e eles mesmos se organizam e pagam estes os financiamentos. Isso é possível através do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf).

O Agricultor Francisco Ferreira, da localidade de Arueiras, revela que a produção de frutas é um benefício muito grande para os sertanejos. Mostra-se está feliz com o que produz com a família e as vendas são garantidas. Chegam compradores de diversas partes do Estado. Os preços são compatíveis com os praticados no mercado.