Construído num terreno arenoso e entre duas lagoas, o aterro sanitário de Itapipoca vem causando transtornos aos moradores de seis comunidades do Município. Desde 2003, quando foi construído, a comunidade protestou por considerar o local impróprio para um lixão. Três anos depois, a preocupação se mostrou relevante. As lagoas do Bruziguim e da Cruz estão totalmente poluídas por resíduos vindos do aterro. Contra isso, as comunidades de Bruziguim, Lagoa da Cruz, Jardim, Tamanduá, Cajuiz e Cedro interditaram a rodovia CE-085, na entrada do aterro sanitário, impedindo a passagem dos caminhões de lixo por três dias. Junto ao protesto, estiveram estudantes universitários, o Fórum de Defesa do Meio Ambiente de Itapipoca e a paróquia local.
De acordo com a pauta de reivindicações, os protestantes exigem a presença do superintendente do Ibama, Semace, Ministério Público Federal, Estadual e Municipal para negociação. Entre os pontos reivindicados, estão a imediata interdição do aterro, a escolha de um local provisório para a colocação do lixo, a recuperação da área ocupada pelo lixão e a revitalização da Lagoa do Bruziguim. Com a situação como está, a principal e única prejudicada é a população. As águas das lagoas poluídas serviam, e ainda servem, ao abastecimento das comunidades.
Segundo a representante da Associação da Lagoa da Cruz, Raimunda Faustina de Sousa Barbosa, em sua comunidade, moram 290 famílias. Já no Bruziguim, são mais 39 famílias. Todas dependendo diretamente das lagoas. Com a poluição constatada por exames de laboratório, diz o representante do Fórum do Meio Ambiente, Antônio Carneiro, ninguém poderia mais estar utilizando essas águas. Mas a falta de recursos para comprar de um carro-pipa ou mesmo a falta de uma cisterna em casa, faz com que muitas pessoas ainda utilizem a água para serviços domésticos e lazer.
A dona de casa Vicência Freire da Silva, 70 anos, é uma das que ainda utiliza a água da Lagoa da Cruz. Ela lava roupas e louças com a água. Para beber, ela diz aliviada, “minha felicidade é uma cisterna que tenho, mas já tá começando a faltar”. Depois disso, ela adianta que vai ter que arranjar R$ 35,00 para comprar do pipa. Além disso, ela revela que ainda come peixe da Lagoa, que também está contaminado. Houve dias, conta os moradores, que dezenas de peixes apareceram mortos nas lagoas.
A água que antes era transparente, hoje está verde com o lodo. O cheiro também já está ruim. Ainda boiando na água, sempre se encontra resíduos sólidos que se formam como a poluição na lagoa. Entrando no aterro, se encontram fossas que deságuam nas águas que levam às lagoas.
De acordo com os protestantes, nas épocas de chuva, as águas inundam o aterro e rompem as barreiras do local, escorrendo, mais uma vez, para as lagoas. Mas em meio a toda a gravidade da situação, ainda se vê crianças e adultos se banhando nas lagoas. Lazer proporcionado por essas águas que alguns moradores insistem em manter. O resultado, são doenças de pele que se espalham pelas comunidades.
Cristiane Vasconcelos
enviada a Itapipoca