Moradores acima de 50 anos de idade lembram da época em que dois cinemas atraiam grande público no Município
Iguatu Há quase uma década não funciona sala de exibição cinematográfica nesta cidade, polo da região Centro-Sul, com cerca de 100 mil habitantes. Nos últimos 30 anos, essa vem sendo a realidade de vários centros urbanos do Interior do Ceará. Há toda uma geração que desconhece a experiência de ver filme na telona, no escurinho do cinema.
Primeiro cinema de Iguatu, o Alvorada, foi construído na década de 1960, e funcionou por cerca de 20 anos
Até a década de 1980, funcionavam dois cinemas nesta cidade, o Alvorada e o Coliseu, espaços que atraiam um grande número de espectadores. O primeiro era o mais antigo, construído na década de 1960. O segundo foi implantado em meados dos anos de 1970, e funcionou por quase 20 anos. A maioria dos moradores deseja que a cidade tenha salas de cinema, entretanto, diversos empresários não acreditam na viabilidade econômica do empreendimento.
Lembranças
Os moradores acima de 50 anos de idade recordam os tempos em que a opção nas noites de sábado e domingo consistia em ir ao cinema. "Era a nossa diversão. Não perdia os lançamentos, a gente costumava ir com os amigos e amigas para depois comentar o filme na praça", comenta a professora aposentada Francisca Oliveira.
Os cinemas eram espaço para começar namoro ou adiantar os relacionamentos. "Infelizmente, a tendência no Brasil, mesmo em grandes cidades, foi de fechamento das salas, que, posteriormente, só deram certo em shopping centers", observa o comerciário Paulo Ribeiro. "É o espaço dos adolescentes passearem e encontrar os amigos".
O último esforço de abertura de cinema, em Iguatu, aconteceu no Shopping Asa Branca, há cerca de dez anos. O shopping faliu, mas, mesmo com as lojas do shopping fechadas, a sala de exibição perdurou por mais algum tempo, só que com público muito reduzido. "Acho que faltou administração. Tinha tudo para dar certo e eu gostava de frequentar", observa a consultora de vendas Dâmares Correia.
Na opinião dela, o cinema faz diferença em uma cidade. "É uma excelente opção para se divertir com os amigos. Um cinema em Iguatu daria certo, a cidade cresceu", destaca. Dâmares não acredita que a possibilidade de ver filmes em casa, com o DVD e a Internet, tenham contribuído com o fechamento das salas de exibição.
Exibição de cinema ao ar livre, em Iguatu, promovida pelo Sesc, momento em que a população pode assistir a vários filmes nas telonas FOTO: HONÓRIO BARBOSA
César Teixeira, produtor cultural, acredita na viabilidade de cinema nas maiores cidades do Interior do Estado. "É preciso formar uma plateia, fazer um grande trabalho para incentivar os jovens. Em Iguatu, por exemplo, com o surgimento de cursos universitários, existem mais jovens morando na cidade. Por isso, acredito que um cinema daria super certo", fala.
O comerciante Marcelo Cavalieri pensa de forma diferente. "Concordo que a formação de plateia é importante, mas não vejo viabilidade comercial. É preciso ter incentivo do poder público, podendo funcionar até mesmo uma sala administrada por uma instituição cultural. Esse espaço poderia apresentar filmes nacionais", sugere.
Alternativas
Sem cinema no Município de Iguatu, os moradores assistem aos filmes na TV, em canais abertos, ou em DVD. Quem tem maior poder aquisitivo fica com maior opção e dispõe de canais por assinatura, como é o caso do vendedor Fernando Leite, que costuma curtir a programação diária de cinema na TV.
Camile Teixeira, uma das coordenadoras da mostra de Cinema de Iguatu, que acontece anualmente com apoio do Serviço Social do Comércio (Sesc), observa que os moradores foram perdendo o hábito ao longo do tempo. "Há toda uma geração que nunca requentou salas de exibição na cidade. Por isso, é preciso formar uma plateia", afirma Camile Teixeira.
Mais informações:
Prefeitura Municipal de Iguatu
Secretaria de Cultura,
Rua 21 de Abril, s/n
Bairro Prado - Iguatu/CE
Telefone: (88) 3581.7649
REPÓRTER
HONÓRIO BARBOSA
Cine Poty leva conhecimento e diversão a Crateús
Crateús Diversão e conhecimento. Esses são alguns dos ganhos trazidos pelo Cine Poty aos frequentadores e sociedade local, na avaliação dos coordenadores Karla Gomes e Carlos Henrique. A dupla faz parte da Sociedade Amigos da Biblioteca Norberto Ferreira Filho (Sabi), ONG responsável pela instalação e manutenção da Sala de Cinema, por meio do Projeto Cine Mais Cultura, uma iniciativa do Governo Federal.
Além das sessões semanais na sede da Sabi, o Cine Poty também se desloca para associações, instituições e escolas da cidade FOTO: SILVANIA CLAUDINO
Desde fevereiro de 2010, documentários, filmes infantis, dramas, comédias, ficção, animação e todos os gêneros estão disponíveis para os mais diversos públicos da cidade. É a única Sala de Cinema da cidade com funcionamento regular.
As sessões acontecem às noites de quartas-feiras, na sede da Sabi, ao ar livre. Quem vai ao espaço tem o privilégio de assistir a películas nacionais (somente nacionais por exigência do Projeto e opção da direção da ONG), contemplar a lua e sentir o vento nos cabelos e na pele, já que a sala que comporta um público de até 100 pessoas é montada no quintal da residência durante quase todo o ano. "No inverno, montamos o cinema em uma sala aqui na sede, que cabe em torno de 40 pessoas. No verão, optamos pelo quintal, que é um ambiente bem agradável e ventilado", explica Karla.
Além de assistir aos filmes gratuitamente e ainda participar de um reflexivo debate e, às vezes, caloroso, dependendo da obra, o frequentador ainda ganha pipoca para a sessão ficar mais agradável. "Fazemos questão de partilhar a pipoca com todos e fica tudo ainda mais animado", completa a integrante da Sabi.
Itinerante
Além das sessões semanais, o Cine Poty se desloca para associações, instituições e escolas, de acordo com convites e parcerias firmadas e agendadas previamente com a ONG. Para a manutenção e divulgação, conta com o apoio de empresários locais e pessoas que admiram cinema e apostam em ações culturais. "As parcerias nos fortalecem, nos dão credibilidade e nos ajudam na construção desse novo hábito aqui no Interior, que é o cinema. Essa é uma luta difícil, vivida dia a dia", ressalta Carlos Henrique.
Atualmente, o Cine Poty está com uma parceria com a Associação Caatinga, que, por meio do Cine Tela Verde, exibe filmes e documentários nas 16 comunidades do entorno da Reserva Natural Serra das Almas, gerenciada pela Associação.
A parceria teve início em junho por ocasião da Semana do Meio Ambiente, com a exibição do documentário "Tom da Caatinga". Em julho, aconteceram nove exibições, com debates e rodas de conversas depois do filme. Foram beneficiadas as comunidades de Tucuns, Queimadas, Ibiapaba, Poti, Cabaças, Tapuio, Filomena, Tabuleiro e Quebradas. Um público de aproximadamente 450 pessoas, entre crianças, jovens, adultos e idosos, participou das sessões.
Visitas
A meta de agosto, segundo a Associação, é visitar o restante das comunidades com o projeto. "Buscamos despertar um novo olhar sobre o bioma Caatinga, práticas sustentáveis e também para uma convivência harmoniosa, compreendendo a relação do homem com a natureza, respeitando a fauna e flora", diz Andreza Antunes, educadora ambiental da Associação.
A iniciativa da Sabi, com a instalação da Sala de Cinema e a nominação de Cine Poty, também fez um resgate histórico importante para o Município: trouxe de volta à comunidade o Cine Poty, primeiro e único cinema que existiu na cidade. Funcionou na década de 70, depois fechou e, nos anos 80, foi reaberto por pouco tempo. Depois, o espaço fechou novamente.
"O nome resgata esse período que viveu Crateús, com a opção de um cinema, mesmo que privado. Por isso, decidimos fazer o resgate como lembrança e homenagem", cita Karla.
Mais informações:
ONG Sabi
Telefone (88) 9910.9473 Associação Caatinga
Telefone/Fax: (88) 3691.8671
Centro de Crateús/CE
Repórter
Silvania claudino