Um dos principais prédios antigos de Aracati abriga o museu que conta a história da colonização do Estado
Aracati. Antes que o desejo de ser reativado virasse também uma peça antiga, o Museu Jaguaribano, em Aracati, foi completamente reformado, restaurado e reabre as portas de um dos patrimônios mais antigos e importantes da história do Ceará. No museu é possível conferir relíquias econômicas, sociais e culturais dos primeiros ocupantes do Estado. Cerca de 400 peças constituem o acervo, cujo prédio já é, em si, uma peça histórica das mais importantes.
Os estudantes são o público mais assíduo do equipamento cultural, aos poucos fazendo parte do roteiro turístico. Está lá um pedaço da história do Ceará, justificada pela importância de Aracati como principal centro econômico nos primeiros momentos da colonização. Situado na Rua Coronel Alexanzito, a conhecida Rua Grande, o Museu Jaguaribano é um dos prédios históricos mais valiosos do Ceará. Foi lá que morou José Pereira da Graça, o Barão de Aracati (1812-1889), dono de um dos maiores currículos da aristocracia colonial brasileira - foi juiz desembargador, deputado por três vezes pela província do Ceará, ministro do Supremo Tribunal de Justiça e vice-governador da província do Maranhão. Aracati também foi berço de resistências políticas, como a Confederação do Equador.
O prédio tem quatro pavimentos, numa arquitetura imponente e contextualizada em vários momentos também da história municipal. O local ainda foi colégio, clube e hotel até ser museu, em 15 de novembro de 1968.
Aos 41 anos, comemora este mês a sua reabertura, após ser restaurado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), depois de dois anos da paralisação e constantes interrupções nas obras de reforma. Mais de 12 mil livros e 400 peças de igrejas e de famílias ilustres estão distribuídas em três dos quatro pisos.
Logo na entrada, os ciclos econômicos. Carroças e celas encouraçadas lembram o ciclo do couro. Já as máquinas de tear, o ciclo do algodão. "Estamos aos poucos construindo a memória dos ciclos, trazendo as peças para o museu e recebendo outras por meio de doações", afirma José Correia, diretor do Museu. No segundo piso, foi reconstruída uma típica residência colonial, notadamente dos barões, com salas bastante espaçosas, cadeiras e mesas de um século ou mais. A homenagem é a uma época, mas também a seus personagens. Um quarto reconstitui os escritórios de atendimento do médico Eduardo Alves Dias e do odontólogo Francisco Porto.
Os corredores do museu trazem, ainda, fotos de pessoas ilustres, inclusive do humilde e pitoresco casal Ana e Cruel. Autênticos fumadores de cachimbo, moravam em uma casinha de taipa. Ela tinha a estranha mania de só andar sete passos atrás do marido, demonstração da cultura patriarcal.
O terceiro piso traz a força do cristianismo. Está neste piso uma das peças mais antigas da mostra, uma pia batismal em pedra sabão, datada do século XVII (anos 1600). O quarto pavimento é espaço para oficinas. A primeira delas tratou da Ação Educativa em Museus.
MAIS INFORMAÇÕES
Museu Jaguaribano - Aracati
(88) 9902.5275
As escolas públicas têm acesso gratuito. O visitante individual paga R$ 2.
Melquíades Júnior
Repórter
Aracati. Antes que o desejo de ser reativado virasse também uma peça antiga, o Museu Jaguaribano, em Aracati, foi completamente reformado, restaurado e reabre as portas de um dos patrimônios mais antigos e importantes da história do Ceará. No museu é possível conferir relíquias econômicas, sociais e culturais dos primeiros ocupantes do Estado. Cerca de 400 peças constituem o acervo, cujo prédio já é, em si, uma peça histórica das mais importantes.
Os estudantes são o público mais assíduo do equipamento cultural, aos poucos fazendo parte do roteiro turístico. Está lá um pedaço da história do Ceará, justificada pela importância de Aracati como principal centro econômico nos primeiros momentos da colonização. Situado na Rua Coronel Alexanzito, a conhecida Rua Grande, o Museu Jaguaribano é um dos prédios históricos mais valiosos do Ceará. Foi lá que morou José Pereira da Graça, o Barão de Aracati (1812-1889), dono de um dos maiores currículos da aristocracia colonial brasileira - foi juiz desembargador, deputado por três vezes pela província do Ceará, ministro do Supremo Tribunal de Justiça e vice-governador da província do Maranhão. Aracati também foi berço de resistências políticas, como a Confederação do Equador.
O prédio tem quatro pavimentos, numa arquitetura imponente e contextualizada em vários momentos também da história municipal. O local ainda foi colégio, clube e hotel até ser museu, em 15 de novembro de 1968.
Aos 41 anos, comemora este mês a sua reabertura, após ser restaurado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), depois de dois anos da paralisação e constantes interrupções nas obras de reforma. Mais de 12 mil livros e 400 peças de igrejas e de famílias ilustres estão distribuídas em três dos quatro pisos.
Logo na entrada, os ciclos econômicos. Carroças e celas encouraçadas lembram o ciclo do couro. Já as máquinas de tear, o ciclo do algodão. "Estamos aos poucos construindo a memória dos ciclos, trazendo as peças para o museu e recebendo outras por meio de doações", afirma José Correia, diretor do Museu. No segundo piso, foi reconstruída uma típica residência colonial, notadamente dos barões, com salas bastante espaçosas, cadeiras e mesas de um século ou mais. A homenagem é a uma época, mas também a seus personagens. Um quarto reconstitui os escritórios de atendimento do médico Eduardo Alves Dias e do odontólogo Francisco Porto.
Os corredores do museu trazem, ainda, fotos de pessoas ilustres, inclusive do humilde e pitoresco casal Ana e Cruel. Autênticos fumadores de cachimbo, moravam em uma casinha de taipa. Ela tinha a estranha mania de só andar sete passos atrás do marido, demonstração da cultura patriarcal.
O terceiro piso traz a força do cristianismo. Está neste piso uma das peças mais antigas da mostra, uma pia batismal em pedra sabão, datada do século XVII (anos 1600). O quarto pavimento é espaço para oficinas. A primeira delas tratou da Ação Educativa em Museus.
MAIS INFORMAÇÕES
Museu Jaguaribano - Aracati
(88) 9902.5275
As escolas públicas têm acesso gratuito. O visitante individual paga R$ 2.
Melquíades Júnior
Repórter