Mártir Benigna ganhará estátua e santuário em Santana do Cariri

A menina foi reconhecida e aguarda cerimônia para ser oficializada como a primeira beatificação de um cearense. O santuário terá templo, jardins, estacionamento e monumento em homenagem à mártir

Projeto inclui a construção de complexo para peregrinação em homenagem à primeira beatificada da história do Ceará
Legenda: Projeto inclui a construção de complexo para peregrinação em homenagem à primeira beatificada da história do Ceará
Foto: Reprodução

Aguardando apenas a cerimônia para ser oficialmente a primeira beata cearense, a menina Benigna Cardoso da Silva, a mártir Benigna, vai ganhar um santuário erguido em sua cidade natal, Santana do Cariri.

A estrutura contará com uma estátua da jovem, rampas de acesso ao monumento, templo para celebração de missas campais, via pavimentada, jardim e estacionamento. O projeto será executado pela Superintendência de Obras Públicas (SOP) do Governo do Estado.

“A expectativa é que as obras comecem ainda este ano”, destaca o superintendente adjunto de Edificações da SOP, Celso Lelis. O projeto passará por processo licitatório a partir da próxima quarta-feira (16), às 9h, pela Procuradoria Geral do Estado.

O espaço será construído no distrito de Inhumas, que fica a cerca de quatro quilômetros da sede de Santana do Cariri, onde ela foi morta, aos 13 anos, em 1941, ao resistir à tentativa de violência sexual. Aclamada como “heroína da castidade”, logo o local se tornou alvo de devoção. Em outubro, uma romaria chega a reunir cerca de 30 mil pessoas.

De acordo com Celso Lis, o intuito é melhor receber esse volume de visitantes que deve voltar a circular pela localidade com a devida segurança sanitária, após a pandemia da covid-19, numa área de aproximadamente 48 mil metros quadrados destinada à construção do Santuário. “Vamos compor todo este complexo no município para a realização das romarias da Menina Benigna, que será um grande atrativo para a cidade", acredita. 

O projeto do Santuário que tem previsão de iniciar suas obras ainda em 2021
Legenda: O projeto do Santuário que tem previsão de iniciar suas obras ainda em 2021
Foto: Reprodução

Na avaliação de Cristina Holanda, coordenadora do Patrimônio Cultural e Memória da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult-CE), o santuário também agregará outros atrativos culturais e turísticos do Município, como o Museu de Paleontologia e os geossítios Parque dos Pterossauros, Pedra Cariri e Pontal da Santa Cruz. “São atrativos dos turismo científico há décadas”, observa.

Heroína da Castidade

Natural de Santana do Cariri, Benigna foi brutalmente assassinada aos 13 anos de idade, em 24 de outubro de 1941, a golpe de facas seu vizinho, Raul Alves, outro adolescente que a assediava e que tentou forçá-la a ter relações sexuais com ele. Aclamada como “Heroína da Castidade”, ela se tornará a primeira beata cearense.

Sua beatificação seria celebrada no dia 21 de outubro de 2020, em Crato, presidida pelo cardeal Giovanni Angelo Cardeal Becciu, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, no Vaticano, que representaria o Papa Francisco. Por causa da pandemia, foi adiado com expectativa de acontecer este ano. 

Em outubro de 2019, o Papa Francisco autorizou a beatificação de Benigna Cardoso
Legenda: Em outubro de 2019, o Papa Francisco autorizou a beatificação de Benigna Cardoso
Foto: Antonio Rodrigues

O processo  de beatificação

A Diocese de Crato abriu o processo de Benigna em 2011 e, dois anos depois, foi aceito pelo Vaticano. Após ser aprovado, ela foi aclamada “Serva de Deus”, após apresentar as virtudes necessárias, foi proclamado “Venerável”.  Já a beatificação, é o primeiro passo para a canonização, onde a Igreja reconhece oficialmente a fama e o testemunho de santidade de alguém que viveu e morreu heroicamente, marcado pelas virtudes cristãs.      

Na fase inicial, os teólogos investigaram as virtudes e as circunstâncias da morte. A comprovação de um milagre, critério necessário para tornar-se beato, é dispensado em caso de martírio. No caso da menina, que foi assassinada por um adolescente que assediava, os populares acreditam que “ela deu a vida para não cometer pecado”.

Além da extensa documentação que a equipe diocesana entrou na Sede da Igreja Católica, o Vaticano solicitou, em 2016, depoimentos de pessoas que viveram entre as décadas de 1940 a 1980, relatando graças alcançadas e sobre a consciência popular do martírio de Benigna. Com a aprovação da Comissão dos Teólogos, a fase mais longa do processo, restou aos bispos discutirem a aprovação da beatificação da menina para, em seguida, encaminhar para o Papa Francisco. 

 

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