Ciro Gomes, então candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) ao Governo do Ceará, acumulou mais uma derrota eleitoral neste domingo (4), ao obter 46,56% dos votos válidos — com 96,06% das urnas apuradas. O tucano tentava voltar à chefia do Executivo estadual após mais de três décadas — ele esteve no posto de governador entre 1991 e 1994, pela mesma legenda.
Com 96,06% das urnas totalizadas, a vitória ficou com o governador Elmano de Freitas (PT), reconduzido ao posto com 52,83% dos votos e representando uma coligação composta por PSB, PDT, Podemos, Mobiliza, PT, PCdoB, PV, Republicanos, PSD, MDB, PRD, Solidariedade, Psol e Rede.
Esta é a terceira derrota consecutiva do político em um pleito. Anteriormente, ele não obteve sucesso nas corridas à Presidência da República de 2018 e 2022 — ambas quando ainda era membro do Partido Democrático Trabalhista (PDT).
Em 2018, Ciro ficou em terceiro lugar na briga pela cadeira de mandatário do Palácio do Planalto. Na eleição seguinte, o então pedetista logrou o quarto lugar entre os presidenciáveis e, conforme declarou durante a campanha mais recente, decidiu se retirar das discussões nacionais.
A corrida eleitoral
Durante a corrida eleitoral, Ciro criticou fortemente o ciclo de gestão petista no Ceará, iniciado pelo atual senador Camilo Santana, seu ex-aliado, em 2015. Por sucessivas oportunidades, o tucano apontou falhas da gestão, principalmente nas áreas da Segurança Pública e da Saúde. Ligações de adversários com políticos investigados em esquemas de corrupção também entraram no rol de queixas do postulante agora derrotado.
Entre as propostas apresentadas por ele estiveram a realização de concursos para a redução do número de professores temporários na rede estadual, o apoio ao setor de comércio e serviços, a regionalização do tratamento oncológico, assim como o enfrentamento ao crime organizado por meio de um programa integrado de segurança e o combate ao endividamento da população.
A campanha de Ciro Gomes foi marcada pela não nacionalização do pleito. Sem um candidato declarado ao Palácio do Planalto, o político evitou tratar de temas nacionais. Por vezes, em declarações à imprensa, disse que estava afastado das discussões que não fossem relacionadas ao cenário local.
Ainda compunha a chapa de oposição ao Governo do Ceará, na condição de vice-governador, o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União). Também para os postos majoritários, foram lançados como nomes dessa aliança ao Senado Federal o ex-deputado federal Capitão Wagner (União) e o deputado estadual Alcides Fernandes (PL).
Quem é Ciro Gomes
Atual presidente estadual do PSDB no Ceará, ele é parte da Família Ferreira Gomes, nome de peso na política cearense e, também, do município de Sobral, no interior do estado. Esta foi a nona eleição que disputou.
Ele é natural de Pindamonhangaba, em São Paulo, tem 68 anos e se mudou com a família para o Ceará ainda criança. Além de deputado estadual e federal, Ciro foi prefeito de Fortaleza por um curto período, logo deixando o cargo para se candidatar ao Governo do Estado nas eleições de 1990, período em que foi eleito.
Ele também exerceu a titularidade do Ministério da Fazenda na gestão Itamar Franco, da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) durante o primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e secretário estadual da Saúde quando seu irmão, Cid Gomes (PSB), atuou como governador do Ceará.
Suas primeiras filiações foram ao extinto PDS e ao então PMDB (hoje MDB), nos anos de 1980. Em 1990, ele foi o primeiro governador da história do PSDB, mas deixou a legenda em 1997, quando se filiou ao PPS. Ciro também foi filiado ao PSB, ao PROS e ao PDT.
Corrida eleitoral marcou retorno ao PSDB
O retorno de Ciro ao PSDB envolveu uma ruptura com o PDT, em 2025, após dez anos de filiação. Em carta enviada à direção nacional do partido naquela época, o político cearense chegou a comunicar que estaria deixando o grupo após uma série de insatisfações.
A volta ao tucanato foi articulada pelo ex-senador Tasso Jereissati, liderança da sigla com quem Ciro reatou as relações políticas em 2020, após uma cisão no início dos anos 2000 provocada por divergências nas eleições municipais de Fortaleza.
O realinhamento colocou o PSDB de volta ao jogo político cearense, ao passo que articulou uma frente de oposição contra a aliança liderada pelo Partido dos Trabalhadores (PT). A coligação encabeçada por Ciro Gomes reuniu outras seis agremiações além da sua: PL, Cidadania, União, PP, DC e Avante.
Ao longo das costuras que antecederam a decisão de tentar a Governadoria do Ceará, o nome dele chegou a ser cogitado para uma nova candidatura para presidente da República.
O deputado federal e presidente nacional da legenda, Aécio Neves, defendeu publicamente o nome de Ciro para o páreo durante um evento com lideranças do PSDB, em maio. Por meio de telefonema, posteriormente, o convidado comunicou que não iria se lançar novamente ao Planalto.
A oficialização de Ciro como representante do PSDB no páreo pelo Governo do Estado ocorreu em um evento realizado em 1º de agosto no Marina Park Hotel, em Fortaleza. A candidatura, no entanto, já havia sido homologada dias antes, durante um encontro fechado do partido.