André Fernandes bate recorde de Ciro e é o deputado federal mais votado da história do CE

O parlamentar recebeu mais de 670 mil votos na sua campanha de reeleição à Câmara dos Deputados.

04 de Outubro de 2026 - 21:10 (Atualizado às 21:41)
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Legenda: André Fernandes é reeleito deputado federal pelo Ceará com o recorde da maior votação da história do estado.
Foto: Ismael Soares

André Fernandes (PL) foi reeleito para a Câmara dos Deputados, neste domingo (4), ultrapassando 673 mil votos (com 97% das urnas apuradas). Ele bateu o recorde de deputado federal mais votado da história do estado do Ceará, superando Ciro Gomes (PSDB), que detinha o título desde 2006, quando foi eleito para o cargo com 667.830 votos.

André quase triplicou a votação da última eleição quando estreou na disputa por uma vaga no Congresso, obtendo 229.509 votos.

O deputado federal acompanhou a apuração no comitê no bairro José Walter, onde comemorou a reeleição junto a apoiadores e acompanhou o momento em que bateu o recorde histórico de votação no estado. 

"De coração, o meu muito obrigado. Obrigado, Ceará, por ter dado essa resposta ao sistema que muitas vezes quis me barrar, que dizia que eu não conseguiria ser deputado federal, porque eu não tenho apoio de prefeito. Eu sempre falei, pode juntar aquela reca de prefeito do outro lado. Enquanto eu estiver do lado do povo, eu esou do lado certo. Então, meu muito obrigado por cada um dos seus votos, pela confiança".
André Fernandes
Deputado federal mais votado do Ceará

Perfil de André Fernandes

Natural de Iguatu, o parlamentar acumula vitórias expressivas no Legislativo e episódios marcantes da sua atuação política, sendo uma das figuras políticas mais populares do estado na atualidade.

Além dos mandatos parlamentares, André tem na sua bagagem a presidência estadual do Partido Liberal (PL), a vice-liderança da oposição no Congresso e a condução das principais articulações do bloco oposicionista no Ceará. No campo acadêmico, ele possui formação em Ciência Política e Relações Internacionais, além de pós-graduações em Direito Constitucional e Gestão Pública.

A sua estreia na vida pública, ainda no ano de 2018, foi sustentada pelo extinto Partido Social Liberal (PSL), que também abrigava o então candidato a presidente Jair Bolsonaro. Após ele deixar a legenda e se filiar ao PL, já como titular do Planalto, André Fernandes fez o mesmo movimento, assim como outros nomes da base bolsonarista no Estado. 

O deputado também tem passagens pelo extinto Patriota (que depois se fundiu ao PTB e formou o PRD), União Brasil e Republicanos, segundo informações consultadas no sistema Filia, organizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na última quarta-feira (30).

Da internet à Alece

Nascido em 1997, André Fernandes de Moura é filho do deputado estadual e candidato derrotado ao Senado nas eleições deste ano, Alcides Fernandes (PL), e de Marilene de Moura Fernandes. O parlamentar é casado com a esteticista Luana Fernandes, com quem tem uma filha.

Antes de ingressar na política institucional, Fernandes ganhou notoriedade nas redes sociais produzindo vídeos de humor, memes e paródias. A transição para a militância conservadora ocorreu em 2017, quando publicou conteúdos de apelo político, como o vídeo "Você tem coragem de votar em Bolsonaro?", passando a atuar também como palestrante do movimento Direita Ceará.

André Fernandes iniciou a vida pública em 2018 e foi candidato a deputado federal em 2026.
Legenda: André Fernandes iniciou a vida pública em 2018 e foi candidato a deputado federal em 2026.
Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados.

Em 2018, na sua primeira disputa eleitoral, foi eleito deputado estadual pelo PSL com 109.742 votos. Aos 20 anos de idade, tornou-se o parlamentar mais jovem eleito no País naquela legislatura e o mais votado do Ceará para a Assembleia Legislativa do Ceará (Alece).

O ineditismo não o privou de crises políticas. A passagem pelo PSL foi marcada por atritos internos com a direção regional do partido, culminando em uma suspensão de 30 dias em novembro de 2019, ocasião em que declarou alinhamento ao ex-presidente Jair Bolsonaro em meio a desgaste do então mandatário com o comando da legenda, representado por Luciano Bivar.

Acompanhando a movimentação de Bolsonaro, Fernandes deixou o partido e filiou-se ao PL na virada de 2021 para 2022. Nas eleições de 2022, candidatou-se à Câmara dos Deputados e chegou ao Congresso Nacional como o deputado federal mais votado do Ceará.

Eleições em Fortaleza e presidência do PL

Em 2024, André Fernandes fez sua estreia em disputas majoritárias ao concorrer à Prefeitura de Fortaleza em chapa pura do PL, tendo a advogada Alcyvania Pinheiro como vice. Durante a campanha, adotou um tom moderado e focou em propostas administrativas para a Capital.

No primeiro turno, liderou a votação com 40,20% dos votos válidos, avançando para a segunda etapa contra Evandro Leitão (PT). No segundo turno, obteve 49,62% dos votos válidos, sendo derrotado por uma margem de 10.838 votos em relação ao petista, no pleito municipal mais acirrado da capital em 24 anos.

André Fernandes é o deputado federal mais votado do Ceará.
Legenda: André Fernandes é o deputado federal mais votado do Ceará.
Foto: Thiago Gadelha.

Após o resultado das urnas, o deputado cumpriu um período de recolhimento reservado à família e ao nascimento de sua filha, retomando posteriormente as agendas públicas e o trabalho de articulação das bases oposicionistas.

Em setembro de 2025, em jantar realizado em Brasília com a presença de Valdemar Costa Neto, assumiu a presidência do PL no Ceará, sucedendo o deputado estadual Carmelo Neto e assumindo o comando das estratégias partidárias regionais.

Visando às eleições deste ano, o PL oficializou apoio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Ceará, em movimento intermediado por Roberto Cláudio (União), candidato a vice na chapa tucana. Na ocasião do anúncio, em maio, Fernandes argumentou que, embora mantivesse divergências históricas com o ex-ministro, a oposição possuía "mais convergências que divergências" para derrotar o grupo governista no Estado.

A articulação, que acontecia de maneira concreta desde o ano passado, gerou divergências públicas com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que classificou a aproximação com Ciro como "precipitada". Fernandes rebateu as declarações afirmando que agia com o aval de Jair e da cúpula nacional do partido. “Só estou obedecendo Bolsonaro", disse.

No plano majoritário, Fernandes também bancou a indicação de seu pai, Alcides, para a vaga ao Senado, à revelia de Michelle. Ela defendia a presença da deputada federal Priscila Costa (PL), também reeleita neste pleito, na chapa senatorial. A articulação feminina, contudo, não avançou.

O arranjo costurado por André recebeu a sustentação do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato a presidente da República, e foi ratificado na convenção estadual do PL em julho de 2026.

Durante a campanha de 2026, o próprio Ciro Gomes divulgou mensagem em apoio à candidatura de Fernandes à reeleição, declarando querer que o parlamentar batesse o seu recorde histórico de 667 mil votos obtidos para a Câmara Federal em 2006.

Atuação política

Ao longo de seus mandatos, Fernandes esteve envolvido em episódios de forte repercussão. Em 2019, na Alece, acusou parlamentares de ligação com facções criminosas e formalizou denúncia contra o então deputado Nezinho Farias, hoje prefeito de Horizonte. O procedimento foi arquivado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) por ausência de provas, e Fernandes posteriormente retratou-se e pediu desculpas ao colega em plenário.

Acusações relativas a suposto nepotismo também foram objeto de apuração pelo MPCE. Em 2021, o parlamentar celebrou acordo com o órgão e pagou multa de R$ 1 mil. Um inquérito instaurado em 2022 foi arquivado por falta de elementos, e, em dezembro de 2025, o MPCE promoveu o arquivamento definitivo de outra representação sobre o tema, ao constatar a inexistência de vínculo funcional, relação hierárquica ou dolo.

Na esfera federal, o deputado foi investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) devido a publicações em redes sociais relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Embora a Polícia Federal (PF) tenha apontado indícios de incitação a crime, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou o arquivamento do caso por entender que a relação de causalidade constituía "suposição indemonstrável". A manifestação foi acatada pelo ministro Alexandre de Moraes, levando ao arquivamento do caso em junho de 2026.

Em janeiro de 2026, Fernandes uniu-se ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) na chamada "Caminhada pela Liberdade", percorrendo a pé um trajeto de mais de 200 km entre Minas Gerais e Brasília em protesto contra prisões decorrentes do 8 de janeiro e contra o veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria.

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