Por que reunião com Pazuello é importante para o Ceará?

Aconteceria nesta terça-feira (12), sob grande expectativa, mais uma reunião do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, com governadores de todo o País. Na pauta, vacinação contra a Covid-19. Tema de primeira ordem para estados e municípios. O encontro acabou adiado para a próxima terça (19), mas segue sendo estratégico para o Ceará.

Por videoconferência, também participariam da reunião desta terça representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Instituto Butantan, além do Supremo Tribunal Federal (STF), do Congresso Nacional e dos conselhos nacionais de secretários estaduais e municipais de saúde.

O pleito a ser levado, agora na semana que vem, é de que haja a definição de data para o início simultâneo do Programa Nacional de Imunização em todos os estados. Ainda em dezembro, na última grande reunião de Pazuello com os gestores estaduais, o cearense Camilo Santana (PT) pediu ao representante do Governo Federal coordenação do processo e manutenção de diálogo com os demais entes federativos.

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Num intervalo de praticamente um mês entre um encontro e outro, coordenação não pareceu ponto forte na relação entre União e estados. A disputa política em torno da vacina segue travando a celeridade dos trâmites necessários até o início da imunização da população brasileira.

Respostas necessárias

Com prazo definido para que a Anvisa responda aos pedidos de uso emergencial da Coronavac, da chinesa Sinovac Biontech em parceria com o Instituto Butantan (o próprio Camilo já havia pedido a Pazuello que, se este imunizante fosse o primeiro a estar disponível no Brasil, pudesse ser usado logo) e da vacina da Universidade de Oxford/AstraZeneca em parceria com a Fiocruz, é provável que os governadores saiam da reunião desta terça com mais respostas.

Pode contribuir para isso, também, a pressão - tardia, mas útil diante do contexto que tem deixado o Brasil, referência mundial em vacinação, para trás - do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelo envio de doses do imunizante da AstraZeneca produzidas na Índia. É imperativo que assim aconteça. Sinalizações pouco concretas do Governo Federal, a esta altura, demonstram certo descaso com a urgência da questão.

O Governo do Ceará tem negociações abertas com três laboratórios para a aquisição de vacinas, mas sem a União tomar a dianteira é difícil pensar em uma estratégia de combate à pandemia que seja de fato ampla e, assim, eficaz.

Regionais

Um dos pilares do atual projeto de regionalização de Fortaleza é a promessa da Prefeitura de que as 12 novas regionais não custem "um centavo a mais" que as antigas sete, como já frisou o secretário de Governo, Renato Lima. Boa parte da economia deve vir da redução de custos com aluguel e manutenção dos prédios que hoje abrigam as secretarias e devem ser devolvidos. A gestão municipal estuda, inclusive, instalar as novas regionais em estruturas de contêineres.

Contemplados

Com o redesenho administrativo — e territorial —, as regionais tendem a aproximar serviços públicos da população fortalezense, mas também serviram, já neste início de governo, como um instrumento de acomodação de aliados. Além dos nomes de perfil técnico escolhidos para o comando de secretarias regionais, destacam-se também os de perfil político, inclusive suplentes de vereador. Outros nesta mesma condição, aliás, foram acomodados em cargos no segundo escalão do Governo Sarto, como Marta Gonçalves (PL), Natália Rios (PDT) e Disraelli Brasil (Rede).

*Equipe de Política redigiu a coluna.