Avanço do PL esvazia bancadas de Ciro e Capitão Wagner no Legislativo

Oposição na Câmara e na Assembleia terá perfil mais conservador e bolsonarista na próxima legislatura

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
Legenda: Aliados de Ciro, Roberto Cláudio e Capitão Wagner foram empurrados para a suplência após crescimento do PL
Foto: Thiago Gadelha

A reeleição de Elmano de Freitas (PT) ainda no primeiro turno, no domingo (4), foi o principal fato político da Eleição no Ceará. Porém, a análise da disputa proporcional mostra resultados igualmente reveladores sobre o novo cenário político do Estado. 

A oposição não encolheu, mas mudará de perfil para a próxima legislatura, que começa em 1° de Fevereiro de 2027. 

Na prática, o crescimento do PL, sob comando de André Fernandes, dizimou as bancadas ligadas a Ciro Gomes, Roberto Cláudio e Capitão Wagner. E o estrago se repetiu em Fortaleza e Brasília.

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O puxador de votos 

O primeiro sinal veio da Câmara dos Deputados. André Fernandes obteve a votação recorde de 684.372 votos, quase o triplo dos 229.509 de 2022, e se tornou o deputado federal mais votado da história do Ceará.  

Sozinho, somou mais de duas vezes e meia o quociente eleitoral. Ou seja: carregou a legenda. O PL fez quatro cadeiras e divide com o PSB o posto de maior bancada cearense. O último eleito do Estado, Carmelo Neto (PL), entrou com 56.068 votos. 

Do outro lado do conglomerado opositor, o saldo foi negativamente pesado. Mauro Filho (União), aliado histórico de Ciro, ficou na suplência com 90.150 votos. O ex-prefeito José Sarto (PSDB), cuja candidatura foi lançada pelo próprio Ciro, também ficou de fora. Dayany do Capitão (União), esposa de Capitão Wagner, não passou dos 48.160 votos. 

Estrago na Assembleia 

Na Assembleia Legislativa, o impacto foi ainda maior. O PL encerra a legislatura com três deputados e volta com seis. Tancredo dos Santos, Bella Carmelo e Abreu Júnior, três dos quatro mais votados do Estado, somaram mais de 409 mil votos. 

O PSDB de Ciro, que chegou a reunir sete cadeiras após a janela partidária, elegeu apenas três. Ficaram sem mandato Queiroz Filho, Cláudio Pinho, Felipe Mota, Antônio Henrique e Heitor Férrer, todos da bancada mais ao centro na Casa, além de Sargento Reginauro, ligado a Capitão Wagner. 

Diagnóstico reservado 

Nesta semana, no retorno das sessões da Assembleia Legislativa, os parlamentares da oposição tentavam fazer uma leitura do que aconteceu. Todos, entretanto, admitem que perderam os mandatos por conta do avanço do PL.  

O eleitor cearense de sentimento antipetista concentrou votação no PL, que lidera o outro campo político da polarização nacional. Acabou sobrando para a bancada de oposição mais tradicional.  

Correlação de forças 

É bom lembrar que Elmano mantém maioria folgada na Assembleia. A oposição que chega em 2027, entretanto, será mais homogênea e bolsonarista. A hegemonia deste campo está no PL de André Fernandes. 

 

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