Entenda mudanças táticas no Fortaleza comandado por Zé Ricardo
Técnico altera forma de atuar da equipe e, com três partidas na bagagem, tenta a 2ª vitória dirigindo o Leão no sábado (7), contra o Fluminense, no Castelão
Um novo modo de jogar. A tônica é a do Fortaleza, passadas três partidas sob o comando de Zé Ricardo. Tido como reativo, o treinador já começa a dar parâmetros táticos ao clube e põe a formação à prova contra o Fluminense, amanhã, na Arena Castelão, a partir das 17 horas, pela 18ª rodada da Série A do Brasileiro.
Diferente do antecessor, Rogério Ceni, que teve uma passagem vitoriosa e com títulos, a equipe mudou consideravelmente a forma de atuar, a começar pelo esquema de 4-4-2 para 4-3-3. Mesmo que a concepção da formação só exista antes da bola rolar, vale ressaltar que Zé Ricardo tem trabalhado sempre com apenas um centroavante, dois atacantes nos extremos e um armador. Em campo, o argentino Mariano Vázquez ganhou espaço entre os titulares, enquanto Romarinho, muito defendido pelo ex-técnico, foi sacado.
A configuração é divergente mesmo na forma de atacar, uma vez que Vázquez se posiciona ao lado de Wellington Paulista quando o time não tem a posse de bola e retoma o padrão de Ceni. Na construção das jogadas, nada de verticalidade, goleiro fora da área, transição rápida ou volantes propondo a armação. O Leão agora inicia o lance com zagueiros e laterais, buscando avançar no meio-campo através de bolas esticadas, com menos triangulações.
Somando as partidas diante de Internacional, Santos e Fluminense, a equipe apresentou uma média de 51 lançamentos, número 82% maior do que o índice leonino em todo o Brasileirão, que é de 28 por jogo. A estratégia foi utilizada na origem de quatro dos cinco gols tricolores com Zé Ricardo, sendo a única exceção um pênalti convertido contra o time paulista na Vila Belmiro.
A adoção do sistema também resulta na queda da quantidade de passes trocados. Em nenhum dos confrontos, desde a 15ª rodada, o número alcançou a média na competição de 359, mesmo atuando com um a mais desde o 1º tempo contra o time esmeraldino.
Defesa em testes
Principal gargalo de Ceni, a composição defensiva teve uma mudança radical de filosofia. Antes marcando por zona, em que os jogadores mantinham as posições fixas, o Leão migrou para a tática de encaixe. A conjuntura exige que cada jogador fique marcando uma peça adversária.
Tal fator é acompanhado por uma linha de marcação mais reativa, sem pressionar a saída de bola. O Fortaleza então passa a brigar pela posse somente a partir do círculo central, diminuindo ainda a liberdade dos volantes, que ficam presos à frente da grande área, mantendo o ferrolho consistente que protege o goleiro Felipe Alves.
O que pesa é a maior necessidade de faltas, sempre que a contenção mano a mano é vencida. Com Zé Ricardo, o plantel tricolor comete 19 contenções por duelo, sete mais que na era Ceni. Além do excesso de intervenções, é mais lento na recomposição e, muito reativo, apresenta dificuldades para contra-atacar, o que resulta em menor velocidade.