As escolas da rede pública do Ceará se destacaram nas notas de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em 2025. Das 100 unidades públicas estaduais do Brasil com maiores médias na prova, 24 são do Ceará.
Ao todo, 16 estados aparecem no ranking. Além do Ceará, se destacam Minas Gerais, com 16 escolas, Rio Grande do Sul, com 14, e Goiás, com 10.
Os dados foram compilados pela Secretaria da Educação do Ceará (Seduc-CE) a partir dos microdados do Exame, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Entre os destaques está a Escola Estadual de Educação Profissional (EEEP) Marta Maria Giffoni de Sousa, que obteve a 2ª melhor média de redação do País com 854,25. A nota ficou distante apenas 7,05 pontos do primeiro lugar, o colégio Tiradentes de Santa Maria, do Rio Grande do Sul.
Localizada em Acaraú, cidade do Litoral Oeste a 230 km de Fortaleza, a unidade já foi destaque em outras edições da prova. Em 2024, a média da escola na redação foi 912. Em 2025, dos 168 alunos da EEEP inscritos no exame, 138 tiraram nota superior a 800. Destes, 70 atingiram 900 pontos.
Maioria das escolas do ranking são profissionalizantes
Assim como ela, a maioria das unidades do Ceará que aparecem no ranking são escolas profissionalizantes, com 18 nesse modelo de ensino. Dentre as outras escolas, estão quatro colégios militares, uma escola de tempo integral e uma escola regular.
O secretário executivo de Equidade, Direitos Humanos, Educação Complementar e Protagonismo Estudantil da Seduc, Helder Nogueira, ressalta que as escolas profissionalizantes já têm mais experiência com o ensino em tempo integral, além de ter seleção prévia dos estudantes.
“O fato de ter seleção indica que tem uma motivação maior das pessoas que vão atrás da escola. Existem questões na educação que fazem toda a diferença, como por exemplo, maior participação da família na vida do estudante, a motivação inicial do estudante de estar na escola”, afirma.
Para a diretora da escola, Mirele Rodrigues, a estrutura organizacional das EEEPs favorece a preparação dos alunos.
“A proposta inicial das EEEPs era mercado de trabalho. Só que com o passar do tempo, esse olhar foi mudando. Hoje é uma proposta diferenciada, não só técnica, nem só acadêmica, mas humana”, diz.
Apesar dos alunos do terceiro ano do ensino médio precisarem estagiar no segundo semestre, como uma obrigatoriedade do curso profissionalizante, Mirele acredita que a preparação não sofre uma “quebra”. Ela defende que o treino desde o primeiro ano, quando entram na escola, tem efeitos na etapa final.
O colégio adota a metodologia de laboratório de redação no último ano do ensino médio, mas as outras séries também tem as próprias estratégias de aprendizagem na área, voltadas para a leitura, interpretação textual, repertório e argumentação.
Apenas três escolas em destaque são de Fortaleza
Das 24 escolas estaduais que se destacaram na nota da redação, apenas três ficam em Fortaleza: a Escola de Ensino Médio Doutor César Cals (51º), o Colégio da Polícia Militar do Ceará General Edgard Facó (57º) e a EEEP Leonel de Moura Brizola (90°).
Helder explica que o resultado reflete um cenário complexo na Capital, que tem mais alunos e uma proporção maior deles em situação de vulnerabilidade social.
“Quando a gente olha para uma cidade maior, como é a nossa capital, você vê que esses elementos de perfil de trajetória escolar dos estudantes são mais desafiadores. As vulnerabilidades se apresentam de forma mais evidente, do ponto de vista da participação das famílias, de possíveis violências incidentes na trajetória de vida do estudante, das suas expectativas de projeto de vida”, relata.
No entanto, o secretário afirma que as iniciativas de preparação para o Enem são as mesmas em toda a rede. Ele cita o programa Enem Chego Junto Chego Bem, uma agenda de mobilização e preparação para os concluintes, como um dos exemplos de programas implementados pela pasta.
Os alunos do terceiro ano também são alvo do projeto Sou + Terceirão, que designa um coordenador escolar para acompanhar com mais atenção os estudantes concluintes, desde a recomposição de aprendizagens até a busca ativa para evitar infrequência.