Bombeiros homenageiam vítimas do Edifício Andrea em ato inter-religioso sete anos após tragédia

O desabamento do prédio de sete andares deixou nove mortos e sete feridas em 2019.

Escrito por Italo Cosme italo.cosme@svm.com.br
15 de Outubro de 2026 - 18:28

Sete anos após o desabamento do Edifício Andrea, ocorrido às 10h28 de 15 de outubro de 2019, o Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBMC) reuniu familiares das vítimas, sobreviventes, ex-moradores, vizinhos e representantes de diferentes religiões em uma solenidade na manhã desta quinta-feira (15). A cerimônia homenageou as nove pessoas que morreram na tragédia e foi realizada no local onde ficava o prédio, no bairro Dionísio Torres, em Fortaleza.

Organizada anualmente pela 2ª Companhia do 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros, a solenidade ocorre no terreno onde foi construída a sede do batalhão. Inicialmente, os participantes acompanharam o hasteamento da bandeira e fizeram um minuto de silêncio.

Em seguida, líderes religiosos de diferentes crenças participaram de um momento inter-religioso, durante o qual prestaram suas homenagens. Familiares das vítimas, um militar e a síndica de um prédio vizinho também discursaram. Ao final, nove rosas foram entregues aos presentes, em referência às nove vítimas do desabamento.

Capitão Aguiar, do CBMC, ressaltou que a tragédia marcou a história do Ceará, apesar do trauma para os afetados direta e indiretamente. “A gente sabe que o desabamento mostrou o quanto o povo cearense é um povo solidário”, afirmou. E complementou: “É um povo que tem uma união. E que, diante de tragédias como essa, a gente se junta e fica mais forte". 

Entre os presentes que discursaram estavam o capitão Rocha, do CBMC, que representou a comunidade evangélica; a missionária Jéssica Lopes, da comunidade católica Shalom; e Luciano Klein, representante da Comunidade Espírita.

Bombeiros prestam homenagem às vítimas de desabamento do Edifício Andrea.
Legenda: Bombeiros prestam homenagem às vítimas de desabamento do Edifício Andrea.
Foto: Divulgação/CBMC.

Desabamento deixou nove mortos e sete feridos

O Edifício Andrea desabou na manhã de 15 de outubro de 2019, por volta das 10h28, no bairro Dionísio Torres, em Fortaleza. A queda dos sete andares mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, agentes de segurança e voluntários em uma operação de resgate com duração de 103 horas.

Nove pessoas morreram, e outras sete ficaram feridas. As buscas terminaram em 19 de outubro, após cinco dias de trabalho nos escombros.

Da esquerda para a direita: Capitão Rocha do CBMC, Jéssica Lopes e Luciano Klein.
Legenda: Da esquerda para a direita: Capitão Rocha do CBMC, Jéssica Lopes e Luciano Klein.
Foto: Divulgação/CBMC.

Perícia apontou cinco fatores para a queda do prédio

Um laudo da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), divulgado em janeiro de 2020, identificou falhas na reforma dos pilares de sustentação como fator determinante para o desabamento.

A investigação também apontou técnicas inadequadas durante a obra, ausência de escoramento dos pilares e de documentação técnica da reforma, sobrecarga na cobertura e falta de manutenção adequada ao longo dos anos. Segundo a perícia, a combinação desses problemas comprometeu a estabilidade da estrutura.

Edifício nunca havia passado por vistoria, segundo o MPCE

Registrado em cartório em 1982, o Edifício Andrea tinha cerca de 37 anos quando desabou. Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) em 2021, o prédio nunca havia passado por inspeção predial.O caso trouxe atenção para a importância da fiscalização e da manutenção preventiva em edifícios residenciais. 

Bombeiros levaram 5 dias para finalizar o trabalho de retirar as vítimas.
Legenda: Bombeiros levaram 5 dias para finalizar o trabalho de retirar as vítimas.
Foto: Gustavo Pellizzon.

Três pessoas foram indiciadas pela tragédia

Em janeiro de 2020, a Polícia Civil do Ceará indiciou dois engenheiros, José Andreson Gonzaga dos Santos e Carlos Alberto Loss de Oliveira, e o pedreiro Amauri Pereira de Souza. Segundo a investigação, a atuação dos três profissionais teve papel determinante para a queda do edifício.

O inquérito reuniu depoimentos de 40 pessoas, entre sobreviventes e testemunhas. Imagens de câmeras de segurança também ajudaram a esclarecer as intervenções realizadas na estrutura pouco antes do desabamento.

Na época, os três foram indiciados por crimes relacionados ao desabamento e aos danos provocados pela queda. 

Prefeitura pagou R$ 1,78 milhão pela desapropriação do terreno

Em 2023, após longa batalha judicial, as famílias receberam a indenização referente à desapropriação do terreno onde o prédio estava localizado: uma indenização total de R$ 1,7 milhão, paga pela Prefeitura de Fortaleza. O valor foi dividido entre 12 famílias. Uma quantia maior foi paga a um proprietário da cobertura.

Sobreviventes e familiares tentaram reconstruir a vida

Além das nove mortes, a tragédia deixou consequências físicas, emocionais e financeiras para sobreviventes e antigos moradores. Pessoas retiradas dos escombros precisaram lidar com ferimentos, enquanto famílias perderam casas, móveis e outros bens.

Em outubro de 2020, um ano após o desabamento, o Diário do Nordeste registrou as dificuldades enfrentadas por sobreviventes e familiares para retomar a rotina. Entre os relatos estavam sequelas físicas, perdas materiais e a luta para reorganizar a vida após a tragédia.

Dois anos depois, em 2021, as marcas do desabamento ainda faziam parte do cotidiano dos sobreviventes. O caso de Gilson Moreira Gomes, atingido enquanto estava em um mercadinho próximo ao edifício e submetido à amputação de parte do pé, foi um dos exemplos das consequências permanentes da queda. 

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