Morre, aos 79 anos, a cantora e compositora Sueli Correa

Sueli escreveu grandes sucessos como "20 anos blue" e "Jura secreta"

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
04 de Março de 2023 - 15:39
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Legenda: Sua primeira canção foi escrita aos 18 anos e chamava-se "Balãozinho".
Foto: Divulgação

Morreu nessa sexta-feira (3), aos 79 anos, a cantora e compositora Sueli Correa Costa, escritora de grandes sucessos como "20 anos blue", eternizada por Elis Regina, e de "Jura secreta", marcada na voz de Simone. A cantora Fernanda Cunha, sobrinha da artista, comunicou a notícia nesse sábado (4). O velório está marcado para acontecer domingo (5), às 11h, em Botafogo, no Rio de Janeiro. A causa do óbito não foi revelada.

A mãe de Sueli tocava piano e ministrava aulas de canto coral, fato que fez a música estar sempre presente na vida dela. Foi nessas condições que a cantora aprendeu, sozinha, a tocar violão na adolescência. Sua primeira canção foi escrita aos 18 anos, no estilo Bossa Nova, e chamava-se "Balãozinho".

INÍCIO DE UM SONHO

Nos anos 1960 Sueli chegou a estudar na Fauldade de Direito de Juiz de Fora (MG). Essa mesma década marcou o iniciou de sua carreira como compositora. Na cidade mineira, Sueli compôs e cantou todas as músicas da peça "Cancioneiro de Lampião", encenada pelo Grupo Divulgação em 1967. No mesmo ano, ela trabalhou na trilha da peça "Bodas de Sangue".

Seus feitos musicais não se resumiram a composição. Sueli construiu um currículo admiravel, participando da trilha sonora de peças infantis, e em festivais. Como sua mãe, ela também ministrava aulas de música em colégios cariocas.

A DÉCADA DOS SUCESSOS

A década de 1970 conseguiria ser mais especial que sua antecessora. A carioca teve seu talento reconhecido por grandes nomes da época como Fafá de Belém, Alaíde Costa, Ângela Rô Rô, Elis Regina, Ivan Lins, Zélia Duncan, Zizi Possi, Agnaldo Rayol, Gal Costa, Wanderléa, Ithamara Koorax, Ney Matogrosso, Simone, Cauby Peixoto, Pedro Mariano, Joanna, Fagner, entre outros.

Em 1975 ela foi contratada pela EMI e gravou seu primeiro LP intitulado "Sueli Costa". Com produção de Gonzaguinha e arranjos de Paulo Moura e Wagner Tiso o vinil contava com sucessos como "Coração Ateu", "Retrato" e "Vamos dançar". 

O sucesso foi tanto que em 1977 veio o segundo LP, que possuía o mesmo nome do primeiro. Desta vez a produção foi de João Bosco e Aldir Blanc e contava com canções como "Guadalupe", "Outra Canção" e "Amor Amor".

HOMENAGENS E DESPEDIDAS

Alguns admiradores lamentaram a falta de reconhecimento que Sueli teve enquanto estava viva. 

"O Brasil não sabe quem ela é, mas a gente tem que fazer justiça e acordar o povo", afirmou o DJ Zé Pedro, amigo e admirador da artista.

O DJ foi uma das pessoas que publicaram homenagens a Sueli nas redes sociais.

"Sueli Costa, acordar sem você no Brasil é dor lancinante. Foi com 'Coração Ateu' que meu coração singrou pela primeira vez o mar das tuas melodias. Com você descobri Tite de Lemos, Cacaso, Abel Silva, Ana Terra e tantos outros poetas que se tornaram verdadeiros biógrafos da minha existência. Compositora decisiva nos destinos de Maria Bethânia, Simone e Nana Caymmi, você sempre foi arredia a consagrações, preferindo o quase anonimato pelas ruas e uma discografia estupenda como intérprete apenas para conscientes da sua importância. Agora, eu me sento aqui e nada mais tenho a dizer da tristeza que embaça meus olhos. Segue em paz, Sueli".

Com versos da música "Poeira e Solidão" o jornalista Hugo Sukman foi outra pessoa que homenageou Sueli.

 "Só poeira e solidão/Abraço o violão/ Procuro uma canção/ Na boca uma palavra/ E nada mais nas mãos/ Só desilusão, poeira/ O coração receia/ A ilusão primeira/ Difícil esse momento/ Que triste é o nosso tempo/ Poeira em minhas mãos'. (Que triste é o nosso tempo, tanta solidão aqui e agora sem nem ao menos a Sueli para cantá-la. Pouco antes do Aldir morrer inesperadamente, sua maior preocupação nas nossas conversas vespertinas diárias era com a saúde da Sueli, ele foi antes, agora ela vai, como antes já foi Cacaso, Tite de Lemos, e aqui só poeira e solidão, sem ninguém para cantar, procuro uma canção, difícil este momento, desisto)".

A cantora Teresa Cristina - com quem Sueli teve participação emocionante em lives durante a pandemia - escreveu que ainda tinha planos de compôr com a carioca.

"Encantou-se uma gigante! Sueli Costa sempre foi pra mim uma grande inspiração. Suas canções embalam a minha vida e muitas eu trago como tatuagens. Tínhamos planos de compor juntas💔 Hoje à tarde, quando minha voz voltar, eu farei uma live de agradecimento a essa compositora singular, gigantesca e genial. Viva Sueli Costa!!!".

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