Zuenir Ventura tem obra que reconta a História do Brasil; relembre livros do jornalista

Jornalista e escritor morreu aos 95 anos nesta terça-feira (22).

Escrito por João Gabriel Tréz joao.gabriel@svm.com.br
22 de Setembro de 2026 - 14:13
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Legenda: Premiado jornalista e membro da ABL, Zuenir Ventura abordou temas como a ditadura militar e o assassinato de Chico Mendes em livros.
Foto: Imagem do filme 'Mestre Zu' / Divulgação.

Zuenir Ventura, jornalista e escritor mineiro que morreu nesta terça-feira (22) aos 95 anos, tem obra literária que se debruça em fatos e características históricas do Brasil.

Membro da Academia Brasileira de Letras desde 2014 e vencedor de prêmios como Jabuti, Esso e Vladimir Herzog, o autor abordou temas como a ditadura militar, o assassinato do seringueiro e sindicalista Chico Mendes e a desigualdade social no Rio de Janeiro.

As obras se ligam à prática jornalística do mineiro, que atuou ao longo dos anos em veículos como O Cruzeiro, Veja, Isto É e Jornal do Brasil. Mais recentemente, ele trabalhou no O Globo. 

Relembre livros de Zuenir Ventura

“1968 — O ano que não terminou” (1988)

Principal obra da carreira de Zuenir Ventura, o livro lançado em 1988 vendeu mais de 400 mil cópias e destrincha marcos ocorridos em 1968 no Brasil e no mundo, costurando política, arte e sociedade.

No próprio ano no qual se debruça, o jornalista foi afetado pelo Ato Institucional 5 e acabou sendo preso, ficando encarcerado por cerca de três meses. Como uma reportagem de fôlego, a obra relembra fatos como a Passeata dos Cem Mil, no Brasil, e o Maio de 1968, na França. 

“Cidade partida” (1994)

Após uma chacina que vitimou 21 pessoas, ocorrida em 1993 na favela de Vigário Geral, Zuenir Ventura passou 10 meses frequentando o território para construir a obra.

A partir da convivência em um lado pouco explorado da capital fluminense, o jornalista construiu o livro de não ficção que aborda aspectos como violência policial, desigualdade social e a mobilização da sociedade civil em prol da paz. 

Em 1995, Zuenir ganhou troféu no Prêmio Jabuti pela obra, reconhecida na categoria de Melhor Reportagem.

"Chico Mendes – Crime e castigo” (2003)

Em 1989, Zuenir produziu e publicou a série de reportagens “O Acre de Chico Mendes”, sobre o assassinato do ambientalista, no Jornal do Brasil. Com o trabalho, ele venceu os prêmios Esso e Vladimir Herzog, de jornalismo. 

A produção da época foi recuperada e ampliada anos depois como o livro “Chico Mendes, Crime e Castigo”, de 2003. Para este lançamento, o jornalista retornou ao Acre para coletar informações atualizadas sobre os legados do sindicalista e o julgamento dos assassinos.

"Vozes do Golpe 1964", com Luiz Fernando Veríssimo e Moacyr Scliar (2004)

Publicação especial, ela reúne Zuenir Ventura com os também escritores Luiz Fernando Veríssimo e Moacyr Scliar. Os três produziram textos sobre o golpe militar de 1964, sendo parte ficção e parte relatos pessoais, abordando contextos prévios e o desenvolvimento do regime. 

Na obra, a parte do mineiro é focada em acontecimentos que ele mesmo vivenciou antes do início da ditadura. Entre eles,  o Comício das Reformas, ocorrido em 13 de março na Central do Brasil, no qual 300 mil manifestantes se reuniram. 

Zuenir relata, ainda, o que vivenciou no próprio dia do golpe, quando estava em Brasília prestes a assumir como professor na Escola de Comunicação da UnB. Como uma crônica, ele narra as reações frente às notícias e fatos que marcaram a data.

 “1968: O que fizemos de nós” (2008)

O livro “1968 — O ano que não terminou” marcou a carreira de Zuenir, tendo sido reeditado dezenas de vezes. O autor, no entanto, revisitou a proposta e o ano com um novo olhar e, assim, publicou o livro reportagem “1968: O Que Fizemos de Nós”.

A obra mergulha nas diferenças e semelhanças entre a juventude do século XXI e aquela dos anos 1960, discutindo aspectos como drogas, política e liberdade. Um dos destaques do livro é o episódio em que Zuenir narra a experiência de ir em uma rave na Zona Oeste do Rio de Janeiro, aos 75 anos, e entender a cultura eletrônica e o consumo de drogas sintéticas

Em entrevista ao Memória Globo, Zuenir resumiu a obra: “Abordei as heranças importantes que 1968 deixou: o movimento feminista, o de negros, o movimento gay e o ecológico. E uma herança maldita, que são as drogas”.