Belchior completaria 80 anos nesta segunda (26); relembre trajetória e legado do cantor cearense

Compositor reconhecido nacionalmente, o sobralense lançou músicas como "Sujeito de Sorte" e "Como Nossos Pais".

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
26 de Outubro de 2026 - 19:54
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Legenda: Belchior faleceu em 2017 após anos vivendo no Rio Grande do Sul.
Foto: Daniel Roman / Divulgação.

Nascido em Sobral, no Interior do Ceará, o cantor e compositor cearense Belchior completaria 80 anos nesta segunda-feira (26) se estivesse vivo. Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, um dos principais nomes da música popular brasileira, cantava sobre juventude e política, sendo o nome por trás de canções como "Sujeito de Sorte" e "Como Nossos Pais".

O destaque como compositor em todo o Brasil veio ainda na década de 1970, quando deixou o Ceará e passou a desenvolver a carreira no Sudeste.

Mas foi em 1976 que lançou o álbum "Alucinação", considerado um dos trabalhos mais importantes da discografia como cantor. O disco marcou a identidade artística do cearense, que possuía referências nordestinas, rock e elementos da Música Popular Brasileira.

Reconhecimento nacional

Em terras sobralenses, no norte do Ceará, Belchior já teve contato com a música na infância, época em que aprendeu a tocar piano e se aproximou da literatura. Na juventude, estudou em um seminário e ingressou no curso de Medicina, mas abandonou a graduação.

A construção de espaço como compositor se firmou nos festivais de música no Nordeste, ao lado de nomes como Fagner e Ednardo. Com eles, inclusive, formou, no início dos anos 70, um movimento de renovação da música cearense, conhecido como o "Pessoal do Ceará". 

Anos depois, o álbum "Alucinação", de 1976, veio junto da ida para o Sudeste. O disco trouxe canções que abordavam as inquietações de uma geração diante das transformações culturais e da repressão, trazendo, entre outras faixas icônicas, a música "Apenas um Rapaz Latino-Americano".

Carreira como artista

No caso de Belchior, a identidade artística se construiu a partir de fontes diversas, com diálogo entre a cultura nordestina, a literatura, a música urbana e o rock. 

Confira abaixo algumas das principais composições de Belchior:

  • Apenas um Rapaz Latino-Americano;
  • Como Nossos Pais;
  • Velha Roupa Colorida;
  • Sujeito de Sorte;
  • Alucinação;
  • Medo de Avião;
  • A Palo Seco;
  • Mucuripe;
  • Coração Selvagem;
  • Paralelas.

A obra dele voltou, inclusive, a ganhar visibilidade por meio de homenagens, documentários, livros e releituras musicais.

Em entevista à Agência Brasil, a filha de Belchior, Vannick Belchior, relembrou o legado dele como artista. "Eu lembro de uma vez que ele tava com uma camisa vermelha e uma calça verde e nossa, ele dava pirueta e fazia movimentos de karatê no palco e o público ensandecido. Completamente emocionado ali com a performance dele, única. Eu acho que para mim, como filha, o principal legado do meu pai é realmente essas amizades que ele deixou, as memórias, uma obra que me ensina muito enquanto mulher, enquanto ser humano, enquanto cidadã", comentou ela. 

Afastamento da vida pública

Apesar da relevância musical, Belchior passou os últimos anos da vida longe dos holofotes, fato que se concretizou quando o cantor começou a se afastar da rotina profissional e da exposição pública. 

Ele e a companheira, Edna Assunção, viveram de forma itinerante, passando pelo Rio Grande do Sul e até mesmo no Uruguai.

O afastamento teve início em 2007, ano em que ele começou a circular pelo Sul do Brasil. Relatos de amigos próximos dão conta de que o músico aproveitava uma rotina discreta, mas com algumas dificuldades financeiras.

Já em 2009, ele foi localizado em San Gregorio de Polanco, no Uruguai, onde concedeu entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo. À época, contou que não havia desaparecido e mencionou planos de produzir novas músicas, mas não retomou a carreira.

Os registros sobre esse período foram reunidos pelos jornalistas Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti no livro "Viver é Melhor que Sonhar: Os Últimos Caminhos de Belchior" e mostraram a época em que o artista viveu de favores de amigos em cidades distintas. 

Ele circulou por municípios como São Lourenço do Sul e Jaguarão antes de permanecer por períodos em Porto Alegre e em outras localidades do Rio Grande do Sul.

Morte aos 70 anos no RS

Belchior faleceu no dia 30 de abril de 2017, aos 70 anos, em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. Segundo informações da época, uma dissecção da aorta foi apontada como a causa da morte. 

O corpo foi trazido para o Ceará e o velório, realizado no dia 1º de maio de 2017, ocorreu em dois locais: no Teatro São João, em Sobral, e no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, reunindo milhares de fãs nas duas localidades. 

Enquanto isso, o sepultamento ocorreu no dia 2 de maio, no Cemitério Parque da Paz, em Fortaleza. 

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