Pescadores já tinham 'perdido a esperança', mas queimavam objetos para pedir socorro

Marciel dos Santos Souza contou à família que ele e os outros colegas “entregaram a vida a Deus” após sete dias sem contato; avião da FAB os localizou

Escrito por Italo Cosme italo.cosme@svm.com.br
04 de Setembro de 2026 - 11:58 (Atualizado às 12:01)
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Legenda: Imagem mostra pescadores em cima do barco no momento em que avião se aproxima para resgate.
Foto: Divulgação.

Os seis pescadores que estavam desaparecidos no litoral do Ceará “já não tinham esperança de serem encontrados”. O relato foi feito por Marciel dos Santos Souza, um dos resgatados, à irmã, Oziele dos Santos. Apesar disso, queimaram objetos todas as noites para tentar chamar atenção.

A esperança foi reavivada quando, na tarde desta quinta-feira (3), os tripulantes ouviram o barulho de um avião próximo. Neste momento, o grupo à bordo do SE Pescados lançou os sinalizadores que tinham dentro da embarcação para alertar que estavam ali.

Tratava-se do som vindo da aeronave SC-105 Amazonas, do Esquadrão Pelicano, da Força Aérea Brasileira (FAB). O avião, vindo do Mato Grosso do Sul após ser acionado pelas equipes de resgate da Marinha do Brasil, localizou o grupo a 480 km ao norte de Fortaleza (CE) e a 500km de São Luís, no Maranhão.

O grupo deve retonar pela capital cearense, já que é o ponto mais próximo de onde foram encontrados. 

O pescador Marciel dos Santos Souza, segundo a irmã, “pedia a Deus a todo tempo para que achassem eles logo”.  “Deus deu o livramento a ele”, disse Oziele, aliviada após conseguir falar com o irmão no início da noite dessa quinta-feira.

Motor apresentou problema

Segundo Marciel, o problema começou no motor da embarcação, que teria entrado em contato com água. O mestre tentou fazer o equipamento funcionar novamente, mas não conseguiu.

Sem conseguir navegar normalmente e sem contato, os pescadores permaneceram na embarcação durante os sete dias de espera. 

Dias de medo e angústia

Marciel contou à irmã que os sete dias foram marcados por medo e angústia. Segundo ele, a cada dia sem contato, os pescadores ficavam mais preocupados com a possibilidade de não serem encontrados.

Oziele afirmou que o irmão estava rouco de tanto chorar e pedir a Deus pelo resgate.

 Apesar do sofrimento emocional, os tripulantes estão bem fisicamente. A falta de comida também não foi um problema. A embarcação estava abastecida para uma viagem de aproximadamente 30 dias. Esse estoque, conhecido entre os pescadores como “rancho”, garantia mantimentos suficientes para o período.

O pescador Marciel dos Santos e a mãe, Maria Áurea. Família está aliviada.
Legenda: O pescador Marciel dos Santos e a mãe, Maria Áurea. Família está aliviada.
Foto: Arquivo pessoal.

Resgate permitiu contato com as famílias

Após a localização, a equipe de resgate chegou à embarcação. A Marinha também participou da operação. Os pescadores receberam acesso à internet e conseguiram, finalmente, avisar às famílias que estavam vivos e bem.

Para Oziele, a notícia representou um grande alívio. “Estes dias foram apreensivos. Ninguém estava tendo notícia de nada”, contou.

Desaparecimento

O S.E. Pescados havia saído de Itarema, no Litoral Oeste do Ceará, em 17 de agosto, para uma viagem de pesca prevista para durar cerca de 30 dias. O último contato conhecido ocorreu em 27 de agosto.

A Marinha iniciou uma operação de busca e salvamento e mobilizou 26 embarcações. A ação também contou com o Navio-Patrulha Oceânico Araguari, equipes da Capitania dos Portos e apoio aéreo.

A aeronave da FAB que participou da localização é equipada com sistema de infravermelho, capaz de identificar diferenças de temperatura e auxiliar na visualização em condições de escuridão ou baixa visibilidade. O recurso contribuiu para a identificação da embarcação durante a operação.

 

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