Os seis pescadores que estavam desaparecidos no litoral do Ceará “já não tinham esperança de serem encontrados”. O relato foi feito por Marciel dos Santos Souza, um dos resgatados, à irmã, Oziele dos Santos. Apesar disso, queimaram objetos todas as noites para tentar chamar atenção.
A esperança foi reavivada quando, na tarde desta quinta-feira (3), os tripulantes ouviram o barulho de um avião próximo. Neste momento, o grupo à bordo do SE Pescados lançou os sinalizadores que tinham dentro da embarcação para alertar que estavam ali.
Tratava-se do som vindo da aeronave SC-105 Amazonas, do Esquadrão Pelicano, da Força Aérea Brasileira (FAB). O avião, vindo do Mato Grosso do Sul após ser acionado pelas equipes de resgate da Marinha do Brasil, localizou o grupo a 480 km ao norte de Fortaleza (CE) e a 500km de São Luís, no Maranhão.
O grupo deve retonar pela capital cearense, já que é o ponto mais próximo de onde foram encontrados.
O pescador Marciel dos Santos Souza, segundo a irmã, “pedia a Deus a todo tempo para que achassem eles logo”. “Deus deu o livramento a ele”, disse Oziele, aliviada após conseguir falar com o irmão no início da noite dessa quinta-feira.
Motor apresentou problema
Segundo Marciel, o problema começou no motor da embarcação, que teria entrado em contato com água. O mestre tentou fazer o equipamento funcionar novamente, mas não conseguiu.
Sem conseguir navegar normalmente e sem contato, os pescadores permaneceram na embarcação durante os sete dias de espera.
Dias de medo e angústia
Marciel contou à irmã que os sete dias foram marcados por medo e angústia. Segundo ele, a cada dia sem contato, os pescadores ficavam mais preocupados com a possibilidade de não serem encontrados.
Oziele afirmou que o irmão estava rouco de tanto chorar e pedir a Deus pelo resgate.
Apesar do sofrimento emocional, os tripulantes estão bem fisicamente. A falta de comida também não foi um problema. A embarcação estava abastecida para uma viagem de aproximadamente 30 dias. Esse estoque, conhecido entre os pescadores como “rancho”, garantia mantimentos suficientes para o período.
Resgate permitiu contato com as famílias
Após a localização, a equipe de resgate chegou à embarcação. A Marinha também participou da operação. Os pescadores receberam acesso à internet e conseguiram, finalmente, avisar às famílias que estavam vivos e bem.
Para Oziele, a notícia representou um grande alívio. “Estes dias foram apreensivos. Ninguém estava tendo notícia de nada”, contou.
Desaparecimento
O S.E. Pescados havia saído de Itarema, no Litoral Oeste do Ceará, em 17 de agosto, para uma viagem de pesca prevista para durar cerca de 30 dias. O último contato conhecido ocorreu em 27 de agosto.
A Marinha iniciou uma operação de busca e salvamento e mobilizou 26 embarcações. A ação também contou com o Navio-Patrulha Oceânico Araguari, equipes da Capitania dos Portos e apoio aéreo.
A aeronave da FAB que participou da localização é equipada com sistema de infravermelho, capaz de identificar diferenças de temperatura e auxiliar na visualização em condições de escuridão ou baixa visibilidade. O recurso contribuiu para a identificação da embarcação durante a operação.