Depois de três anos, dez meses e 21 dias dos assassinatos do motorista de aplicativo Max Bley Loureira Alves e de Charles Machado Fernandes, conhecido como 'Júnior', o julgamento dos quatro réus acusados dos crimes, incluindo um policial militar, ainda não aconteceu.
O grupo seria submetido ao Tribunal do Júri neste mês de setembro, mas a sessão foi adiada para 30 de novembro. Serão julgados o policial militar Handrie Fernandes de Souza, o homem apontado como comparsa dele, Ítalo Jardel Farias Oliveira, e os indicados como mandantes do crime, Pedro Batista Lima e Francisco Charles de Abreu Pessoa.
Os homicídios aconteceram no dia 13 de outubro de 2022, no cruzamento da Avenida Professor Gomes de Matos com a rua Vasco da Gama, no bairro Montese, em Fortaleza. O alvo seria apenas Charles, mas, por estar próximo, Max também foi atingido pelos disparos.
De acordo com o advogado Taian Lima, que compõe a defesa de Pedro Batista, o adiamento foi definido na manhã desta quinta-feira (3), pouco antes do início do júri que analisaria os casos de Handrie, Ítalo e Pedro. O motivo, segundo ele, foi garantir que o grupo seja julgado junto, uma vez que, por ter apresentado atestado médico, Francisco Charles Pessoa já havia conseguido postergar seu próprio julgamento para novembro.
"Constatado o desmembramento e adiamento do julgamento quanto a um único réu, essa banca defensiva considerou grave prejuízo ao constituinte, pois culmina em efeitos substanciais ao próprio julgamento do Tribunal do Júri. Sem adiantar a tese defensiva, mas o direito de interrogar o corréu ausente seria tolhido, uma afronta ao ordenamento jurídico", acrescentou, em nota, o advogado.
O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) confirmou o adiamento. Em comunicado enviado à reportagem, o órgão explicou que a sessão prevista para esta quinta foi adiada para 30 de novembro após pedido da defesa dos réus e manifestação favorável do Ministério Público. "O processo tramita na 5ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza", concluiu.
Relembre o crime
O Diário do Nordeste publicou, em junho de 2024, quando o grupo foi pronunciado, que a vítima Charles estava em um veículo Chevrolet Cruze com outro homem, identificado como Fábio Alves de Sousa, o 'Bil', que também foi baleado, mas sobreviveu. Já Max conduzia um Chevrolet Onix, levando uma família de turistas para o Aeroporto de Fortaleza.
Conforme as investigações, conduzidas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil do Ceará (PCCE), não havia nenhuma relação entre os ocupantes dos dois veículos, que, por coincidência, pararam em um semáforo fechado e ficaram aguardando a abertura do sinal.
Durante a espera, uma moto Honda XRE, na qual estavam os réus Handrie Fernandes e Ítalo Jardel, parou entre os dois automóveis. A denúncia apontou que Ítalo conduzia a moto e Handrie estava na garupa. Eles surpreenderam as vítimas com disparos efetuados tanto contra os ocupantes do Cruze como contra o motorista do Onix.
A vítima Charles ainda tentou fugir, mas foi perseguida pela dupla e perdeu o controle do veículo, que colidiu com um muro. No local, os réus dispararam outras vezes contra ele. Depois, fugiram. Uma das armas utilizadas nos homicídios pertencia a Handrie, que era policial militar. Ele foi preso no exercício da função, em uma base da PM no José Walter.
Qual foi a motivação?
Na versão de Ítalo Jardel, ele e o PM Handrie foram contratados para interceptar e matar Charles, que, supostamente, vinha ameaçando empresários. Conforme o depoimento, um despachante de uma sucata enviou a foto do carro em que a vítima estava e ordenou a abordagem.