Suspeito de matar cearense em SP já havia assassinado outra namorada aos 17 anos

Primeira vítima de Eric Draven Trajano Oliveira namorava com ele há pouco menos de um ano e relatava episódios de ciúmes.

Escrito por Paulo Roberto Maciel paulo.maciel@svm.com.br
02 de Setembro de 2026 - 19:30 (Atualizado às 19:54)
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Legenda: Marcila de Souza Carvalho foi encontrada com sinais aparentes de violência no Jardim São Martinho, nesta segunda-feira (31).
Foto: Reprodução.

O principal suspeito por trás do feminicídio da cearense Marcila de Souza Carvalho, de 35 anos, também foi responsável pela morte de outra ex-namorada, há oito anos, também na capital paulista.

Em 28 de abril de 2018, Eric Draven Trajano Oliveira assassinou a facadas a jovem Andressa Aquino da Silva, após uma discussão supostamente motivada por ciúmes por parte dele. Ambos tinham 17 anos na época.

A história foi amplamente repercutida em diversos veículos de comunicação. Uma reportagem do Balanço Geral, da TV Record, exibida pouco após o crime, informa que o corpo da adolescente foi encontrado pelo pai dela ao chegar em casa.

Nesta quarta-feira (2), o Diário do Nordeste entrevistou Amanda Ingrid Aquino da Silva, a irmã da vítima, que relatou a indignação da família após a perda de Amanda e a ligação do suspeito com o caso mais recente.

Retrospectiva do fato

Conforme Amanda, o relacionamento da irmã e Eric não levantava suspeitas para a família. Pelo contrário. "Na nossa frente, ele era super calmo. Não tinha agressividade, mas chegava a ser estranho, dava pra ver que tinha alguma coisa de errado", contou.

Andressa apenas relatava que o então namorado era muito ciumento. Esse, inclusive, teria sido o motivo do término, que nunca chegou a ser efetivado.

"Ninguém estava lá quando aconteceu, mas suspeito que ele cometeu o ato porque ela tentou terminar com ele", disse a irmã.

Após finalizar a ação criminosa, Eric fugiu e se escondeu na casa do pai, onde a Polícia o encontrou. Ele não confessou o crime.

O Diário do Nordeste entrou em contato com uma parente de Eric Oliveira em busca de ouvir o lado da família. Embora ela tenha confirmado a responsabilidade dele no crime, não houve retorno quanto às propostas de entrevista. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

Família sente revolta

Por ser menor de idade, Eric não poderia ser preso. Em vez disso, foi setenciado à permanecer na Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) de São Paulo e cumprir medidas socioeducativas. O período em que ele permaneceu na instituição é desconhecido para Amanda.

A reportagem questionou o Tribunal de Justiça do Estado (TJSP) sobre o assunto. Em resposta, o órgão informou que processos envolvendo atos infracionais tramitam sob segredo de justiça e por isso não teriam como fornecer ou confirmar nenhuma informação.

Os parentes de Andressa não tiveram mais detalhes sobre o paradeiro dele desde então. "Teve muito 'disse-me-disse'. Uma pessoa que acha que viu ele, outra que reconheceu ele na rua, sempre teve esse comentário", relembrou Amanda.

Também à reportagem, a mulher relatou que, ao saber da morte da cearense, entrou imediatamente em contato com a irmã dela, Marina Rodrigues de Souza Carvalho, para compartilhar essas informações e prestar apoio.

Hoje, segundo Amanda, a família dela, especialmente a mãe, sente que teve um pedaço arrancado de si, enquanto o autor da dela pôde continuar com a vida e vitimar outra pessoa da mesma maneira.

"É revoltante demais, porque vimos que ele estava vivendo porque a gente viu que ele estava vivendo uma vida minimamente normal, em um relacionamento, com um filho, enquanto tudo isso foi arrancado da minha irmã. Ele não é alguém que pode viver em sociedade", desabafou.

Relembre o caso da cearense

Marcila de Souza Carvalho foi encontrada morta na manhã de segunda-feira (31) na casa onde vivia no bairro Jardim São Martinho, na Zona Leste de São Paulo. 

O caso foi registrado como feminicídio pelo 50º DP do Itaim Paulista, conforme informado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-SP) ao Diário do Nordeste.

Marcila teria sido assassinada a facadas na região do pescoço. Policiais militares foram acionados para atender a ocorrência e encontraram a vítima já sem vida no local, com sinais aparentes de violência.

O principal suspeito do crime é o ex-namorado dela, Eric Draven Trajano Oliveira, de 25 anos. Ele é investigado pela Polícia Civil de São Paulo (PC-SP) e não foi localizado até a publicação desta matéria.

À reportagem, uma das irmãs da vítima, Marina Rodrigues de Souza Carvalho, relatou que Marcila vivia há dez anos em São Paulo, desde que deixou o município cearense de Nova Russas, no Sertão do Crateús.

Até pouco tempo, trabalhava como atendente de caixa de um frigorífico, mas deixou o emprego para cuidar do filho de dois anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Ainda conforme a irmã, há dois meses, a cearense terminou o relacionamento com o suspeito do assassinato, que também é o pai da criança. Porém, ele continuou a buscar contato com a ex-namorada, chegando até a ameaçá-la.

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