A cearense Marcila de Souza Carvalho, de 35 anos, foi encontrada morta na manhã de segunda-feira (31) na casa onde vivia no bairro Jardim São Martinho, na Zona Leste de São Paulo.
O caso foi registrado como feminicídio pelo 50º DP do Itaim Paulista, conforme informado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-SP) ao Diário do Nordeste.
Marcila teria sido assassinada a facadas na região do pescoço. Policiais militares foram acionados para atender a ocorrência e encontraram a vítima já sem vida no local, com sinais aparentes de violência.
O principal suspeito do crime é o ex-namorado dela, Eric Draven Trajano Oliveira, de 25 anos. Ele é investigado pela Polícia Civil de São Paulo (PC-SP) e não foi localizado até a publicação desta matéria.
Vítima tinha medida protetiva contra ex
Em entrevista à reportagem, uma das irmãs da vítima, Marina Rodrigues de Souza Carvalho, relatou que Marcila vivia há dez anos em São Paulo, desde que deixou o município cearense de Nova Russas, no Sertão do Crateús.
Até pouco tempo, trabalhava como atendente de caixa de um frigorífico, mas deixou o emprego para cuidar do filho de dois anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
"Fui eu quem trouxe Marcila para a Capital. Eu moro aqui há 16 anos. Viemos para buscar uma vida melhor, mais oportunidades, para nós duas", disse Marina.
Ainda conforme a irmã, há dois meses, a cearense terminou o relacionamento com o suspeito do assassinato, que também é o pai da criança. Porém, ele continuou a buscar contato com a ex-namorada, chegando até a ameaçá-la.
Eles viviam se separando. O relacionamento durou três anos, mas ficavam nesse vai e volta. Ela já relatou para as vizinhas que ele a agrediu e, por conta disso, resolveu fazer um Boletim de Ocorrência (B.O) por violência doméstica e uma medida protetiva contra ele".
Marina ressaltou que não tinha conhecimento da medida cautelar nem das supostas agressões sofridas pela irmã. Ela disse ainda que a família ficou "assustada e de coração partido" com a brutalidade do crime.
Ela também soube que os parentes do suspeito não sabem onde ele está temem que ele tenha feito algo contra si mesmo. Já o filho do casal ainda não sabe bem o que aconteceu e possivelmente ficará sob os cuidados dela.
"Ontem, ele não dormiu, tá tendo febre, não sei se é psicológico. Estou mantendo ele comigo, mas não sei como vai ser, porque tenho mais três filhos. Tá bem difícil lidar com essa perda", desabafou Marina.
Família pede ajuda para trazer o corpo ao Ceará
Ainda segundo a irmã, o desejo da família é trazer o corpo de Marcila de São Paulo para o Ceará. Porém, há uma barreira financeira no valor de R$ 13 mil.
Isso inclui os custos das passagens de ida e volta de Marina, que precisa ir pessoalmente para acompanhar o translado. "Não temos nem metade para arcar com esse custo. Em cima da hora, não sei como vou fazer", disse.
Marina explicou que já conseguiu o transporte do corpo de Fortaleza para Nova Russas. Porém, para que o translado seja viabilizado junto com um velório rápido para a família, eles precisam pagar por um serviço privado.
Caso utilizassem o serviço gratuito da prefeitura, as regras impediriam que uma funerária particular fizesse a retirada e o transporte do corpo posteriormente.
Na esperança de contornar essa situação, a família de Marcila abriu uma campanha solidária, em busca de conseguir o valor necessário para pagar a ida da irmã até a capital paulista e trazer Marcila de volta à terra natal.
"Qualquer ajuda é bem-vinda. Minha mãe, uma senhora de 62 anos, está toda hora me perguntando quando Marcila vai voltar para casa. É angustiante, mas esperamos que isso tudo vá dar certo", finalizou Marina.
Como ajudar?
Todas as doações podem ser feitas para o Pix de Marina Rodrigues de Souza Carvalho, a irmã de Marcila. O número é (11) 98212-4938.