Cearense de Nova Russas é morta a facadas em São Paulo após ameaças de ex-namorado

Marcila de Souza Carvalho teria sido assassinada a facadas por ex-companheiro na capital paulista.

Escrito por Paulo Roberto Maciel paulo.maciel@svm.com.br
01 de Setembro de 2026 - 19:47 (Atualizado às 19:52)
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Legenda: Caso é investigado pelo 50º DP do Itaim Paulista, Zona Leste de São Paulo.
Foto: Arquivo pessoal.

A cearense Marcila de Souza Carvalho, de 35 anos, foi encontrada morta na manhã de segunda-feira (31) na casa onde vivia no bairro Jardim São Martinho, na Zona Leste de São Paulo. 

O caso foi registrado como feminicídio pelo 50º DP do Itaim Paulista, conforme informado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-SP) ao Diário do Nordeste.

Marcila teria sido assassinada a facadas na região do pescoço. Policiais militares foram acionados para atender a ocorrência e encontraram a vítima já sem vida no local, com sinais aparentes de violência.

O principal suspeito do crime é o ex-namorado dela, Eric Draven Trajano Oliveira, de 25 anos. Ele é investigado pela Polícia Civil de São Paulo (PC-SP) e não foi localizado até a publicação desta matéria.

Vítima tinha medida protetiva contra ex

Em entrevista à reportagem, uma das irmãs da vítima, Marina Rodrigues de Souza Carvalho, relatou que Marcila vivia há dez anos em São Paulo, desde que deixou o município cearense de Nova Russas, no Sertão do Crateús.

Até pouco tempo, trabalhava como atendente de caixa de um frigorífico, mas deixou o emprego para cuidar do filho de dois anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

"Fui eu quem trouxe Marcila para a Capital. Eu moro aqui há 16 anos. Viemos para buscar uma vida melhor, mais oportunidades, para nós duas", disse Marina.

Ainda conforme a irmã, há dois meses, a cearense terminou o relacionamento com o suspeito do assassinato, que também é o pai da criança. Porém, ele continuou a buscar contato com a ex-namorada, chegando até a ameaçá-la.

Eles viviam se separando. O relacionamento durou três anos, mas ficavam nesse vai e volta. Ela já relatou para as vizinhas que ele a agrediu e, por conta disso, resolveu fazer um Boletim de Ocorrência (B.O) por violência doméstica e uma medida protetiva contra ele".
Marina Rodrigues de Souza Carvalho
Irmã da vítima

Marina ressaltou que não tinha conhecimento da medida cautelar nem das supostas agressões sofridas pela irmã. Ela disse ainda que a família ficou "assustada e de coração partido" com a brutalidade do crime.

Ela também soube que os parentes do suspeito não sabem onde ele está temem que ele tenha feito algo contra si mesmo. Já o filho do casal ainda não sabe bem o que aconteceu e possivelmente ficará sob os cuidados dela.

"Ontem, ele não dormiu, tá tendo febre, não sei se é psicológico. Estou mantendo ele comigo, mas não sei como vai ser, porque tenho mais três filhos. Tá bem difícil lidar com essa perda", desabafou Marina.

Família pede ajuda para trazer o corpo ao Ceará

Ainda segundo a irmã, o desejo da família é trazer o corpo de Marcila de São Paulo para o Ceará. Porém, há uma barreira financeira no valor de R$ 13 mil.

Isso inclui os custos das passagens de ida e volta de Marina, que precisa ir pessoalmente para acompanhar o translado. "Não temos nem metade para arcar com esse custo. Em cima da hora, não sei como vou fazer", disse.

Marina explicou que já conseguiu o transporte do corpo de Fortaleza para Nova Russas. Porém, para que o translado seja viabilizado junto com um velório rápido para a família, eles precisam pagar por um serviço privado.

Caso utilizassem o serviço gratuito da prefeitura, as regras impediriam que uma funerária particular fizesse a retirada e o transporte do corpo posteriormente.

Na esperança de contornar essa situação, a família de Marcila abriu uma campanha solidária, em busca de conseguir o valor necessário para pagar a ida da irmã até a capital paulista e trazer Marcila de volta à terra natal.

"Qualquer ajuda é bem-vinda. Minha mãe, uma senhora de 62 anos, está toda hora me perguntando quando Marcila vai voltar para casa. É angustiante, mas esperamos que isso tudo vá dar certo", finalizou Marina.

Como ajudar?

Todas as doações podem ser feitas para o Pix de Marina Rodrigues de Souza Carvalho, a irmã de Marcila. O número é (11) 98212-4938.