Jovem perde movimentos após andar em brinquedo do Hopi Hari, em SP

Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação e pediu perícia na atração.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
21 de Setembro de 2026 - 07:27 (Atualizado às 07:52)
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Legenda: O caso aconteceu em abril deste ano, quando Júlia Bossini e o marido, João Pedro Bossini, viajaram do Paraná até o parque.
Foto: Reprodução Fantástico.

O Ministério Público de São Paulo investiga o caso de uma jovem que perdeu parte dos movimentos do corpo após sofrer um edema cerebral durante um passeio na montanha-russa do parque Hopi Hari, em Vinhedo, no interior do estado. O assunto foi tema de reportagem do Fantástico, neste domingo (20). 

O caso aconteceu em abril deste ano, quando Júlia Bossini e o marido, João Pedro Bossini, viajaram do Paraná até o parque para curtir um feriado. 

A Montezum, maior montanha-russa de madeira da América Latina, foi um dos primeiros brinquedos escolhidos pelo casal. Ela tem cerca de 42 metros de altura e pode alcançar uma velocidade de até 103 km/h em pouco mais de um quilômetro de extensão. 

O acidente, no entanto, aconteceu no fim do dia, quando os dois foram pela segunda vez na atração. Imagens de câmera de segurança mostram Júlia entrando consciente e tranquila no brinquedo. Dois minutos depois, o carrinho retorna à plataforma e Júlia está desacordada.

Ela foi levada para a Santa Casa de Vinhedo, que fica a cerca de 15 quilômetros do parque de diversões, e já foi encaminhada diretamente para a UTI, devido à gravidade do caso.

Os primeiros exames feitos pela equipe médica da unidade mostraram uma hemorragia intracraniana e um grande edema cerebral. Por causa desse quadro, ela precisou ser operada às pressas.

"Foi uma craniectomia descompressiva. Essa cirurgia visa a retirada de uma grande porção da calota craniana para permitir o cérebro fazer esse processo de inchaço", disse o neurocirurgião Victor Batistela ao Fantástico. 

Mecanismo de contragolpe

O diagnóstico foi de traumatismo cranioencefálico, o TCE. O laudo médico emitido pelo especialista mostra que a lesão de Júlia foi causada por mecanismo de contragolpe durante ida na montanha-russa. 

"Apenas um movimento brusco de aceleração e desaceleração e rotação do crânio pode fazer a ruptura de vasos sanguíneos cerebrais, causando uma hemorragia intracraniana e levando a um edema cerebral, que foi o caso da Júlia em especial".

"Ela perdeu o movimento do lado esquerdo completamente. O braço e a perna, ela não movimenta. Ela tem dificuldade de fala, memórias turvas", disse João Bossini.

Júlia passou 57 dias internada em Vinhedo. A família entrou na Justiça para exigir uma perícia que esclareça as circunstâncias do acidente. Até o momento, ela já passou por sete cirurgias e ainda tenta recuperar os movimentos

Em agosto, o Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação para apurar o caso e pediu uma perícia policial na montanha-russa. O processo ainda está em andamento.

Outras vítimas já relataram sofrer fraturas e outras lesões por solavancos e freadas bruscas na Montezum. Ao menos 40 registros foram encontrados em uma plataforma de avaliação de consumidores nos últimos dois anos. Os relatos são de dores no pescoço, lesões no joelho e até costelas quebradas.

Parque alega inspeções periódicas

Em nota ao Fantástico, o Hopi Hari disse que a Montezum possui certificação internacional emitida pelo grupo TÜV Nord e que as inspeções são feitas anualmente. Informou também que segue rigorosamente as normas nacionais para parques de diversões.

A assessoria do parque informou ainda que placas e avisos sonoros alertam sobre restrições, informando "a atração como radical, pela força e movimentos nela envolvidos, e contraindicando para pessoas com problemas na coluna, gestantes e portadores de condições clínicas específicas".

O comunicado destacou um parecer do Ministério Público de São Paulo, de agosto deste ano, que descarta o risco coletivo da montanha-russa. O documento foi emitido depois que uma mulher foi levada à enfermaria com dores no pescoço, em julho.

Sobre o caso de Júlia, o Hopi Hari afirma que a jovem recebeu pronto atendimento, respeitando os protocolos de segurança, que o parque acompanhou de perto todo o processo de internação, custeando as despesas, e que um seguro foi franqueado à família.