Os condenados pela Chacina do Benfica devem sentar novamente no banco dos réus. Desta vez, Francisco Elisson Chaves de Souza, Douglas Matias da Silva e Stefferson Mateus Rodrigues Fernandes serão julgados por outro homicídio, ocorrido na mesma região meses antes.
A Justiça do Ceará agendou para o próximo dia 14 de dezembro de 2026, a partir das 8h30, o júri do trio acusado pelo assassinato de Davi Cavalcante de Sousa. A sessão está prevista para acontecer quase nove anos após a morte do jovem surpreendido pelos disparos de fogo enquanto trafegava em uma bicicleta na Rua Marechal Deodoro, em Fortaleza.
Francisco, Douglas e Stefferson foram pronunciados em março do ano passado. As defesas interpuseram recursos, mas a sentença foi mantida nas instâncias superiores. Agora, o processo que tramita na 1ª Vara do Júri, teve a pauta incluída para julgamento do Tribunal do Júri, a ser formado por sete populares sorteados.
A reportagem apurou que as defesas dos réus fizeram pedidos específicos para o dia do julgamento, como a utilização da ferramenta Google Maps/Street View para exibição de endereços que constam nos autos.
A Justiça deferiu os pedidos. Os advogados não foram localizados pela reportagem para comentar sobre o agendamento do júri.
PERSEGUIÇÃO
O Ministério Público do Ceará (MPCE) pede a condenação de Douglas Matias da Silva, Francisco Elisson Chaves de Souza e Stefferson Mateus Rodrigues Fernandes pelo homicídio qualificado (por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima) de Davi Cavalcante de Sousa e ainda pelos crimes de organização criminosa e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.
Conforme a acusação, o trio estava em um veículo que perseguiu a vítima. Em determinado ponto, os acusados saíram do veículo e começaram a atirar. Davi se escondeu dentro de um estabelecimento comercial, mas foi localizado e executado com pelo menos seis disparos.
O motivo do crime, segundo a investigação, foi a disputa pelo tráfico de drogas entre facções criminosas na região.
Familiares da vítima afirmaram à Polícia que ele usava e vendia drogas e que, pouco tempo antes do assassinato, "ouviram falar que ele teria trocado a clientela".
Davi, na época supostamente ligado ao Comando Vermelho (CV), foi atingido por seis disparos no crânio, pescoço, tórax e abdômen.
GUERRA ENTRE FACÇÕES
Dois meses após o assassinato de Davi Cavalcante de Sousa, sete pessoas foram mortas a tiros, em pontos próximos do bairro Benfica. A Polícia apontou que, novamente, foram Douglas Matias, Francisco Elisson e Stefferson Mateus os responsáveis pelo novo crime.
O trio foi denunciado por integrar a facção criminosa local Guardiões do Estado (GDE) e pelos homicídios do episódio que ficou conhecido como Chacina do Benfica.
Em 2019, eles foram a júri popular pela chacina, restando condenados Douglas e Stefferson. Somadas, as penas ultrapassam 300 anos de prisão.
Já Francisco Elisson foi absolvido pelos homicídios após provar para os jurados que estava em Paracuru no dia do massacre, mas condenado a quatro anos e dez meses de prisão pelo crime conexo de integrar organização criminosa.