Condenados pela Chacina do Benfica têm data para sentar de novo no banco dos réus por mais uma morte

A sessão está programada para o próximo mês de dezembro.

Escrito por Redação seguranca@svm.com.br
12 de Setembro de 2026 - 07:00
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Legenda: O bairro Benfica foi palco de uma série de assassinatos em poucos meses.
Foto: Arquivo DN.

Os condenados pela Chacina do Benfica devem sentar novamente no banco dos réus. Desta vez, Francisco Elisson Chaves de Souza, Douglas Matias da Silva e Stefferson Mateus Rodrigues Fernandes serão julgados por outro homicídio, ocorrido na mesma região meses antes.

A Justiça do Ceará agendou para o próximo dia 14 de dezembro de 2026, a partir das 8h30, o júri do trio acusado pelo assassinato de Davi Cavalcante de Sousa. A sessão está prevista para acontecer quase nove anos após a morte do jovem surpreendido pelos disparos de fogo enquanto trafegava em uma bicicleta na Rua Marechal Deodoro, em Fortaleza.

Francisco, Douglas e Stefferson foram pronunciados em março do ano passado. As defesas interpuseram recursos, mas a sentença foi mantida nas instâncias superiores. Agora, o processo que tramita na 1ª Vara do Júri, teve a pauta incluída para julgamento do Tribunal do Júri, a ser formado por sete populares sorteados.

A reportagem apurou que as defesas dos réus fizeram pedidos específicos para o dia do julgamento, como a utilização da ferramenta Google Maps/Street View para exibição de endereços que constam nos autos.

A Justiça deferiu os pedidos. Os advogados não foram localizados pela reportagem para comentar sobre o agendamento do júri.

PERSEGUIÇÃO

O Ministério Público do Ceará (MPCE) pede a condenação de Douglas Matias da Silva, Francisco Elisson Chaves de Souza e Stefferson Mateus Rodrigues Fernandes pelo homicídio qualificado (por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima) de Davi Cavalcante de Sousa e ainda pelos crimes de organização criminosa e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.

Conforme a acusação, o trio estava em um veículo que perseguiu a vítima. Em determinado ponto, os acusados saíram do veículo e começaram a atirar. Davi se escondeu dentro de um estabelecimento comercial, mas foi localizado e executado com pelo menos seis disparos.

O motivo do crime, segundo a investigação, foi a disputa pelo tráfico de drogas entre facções criminosas na região. 

Familiares da vítima afirmaram à Polícia que ele usava e vendia drogas e que, pouco tempo antes do assassinato, "ouviram falar que ele teria trocado a clientela".

Davi, na época supostamente ligado ao Comando Vermelho (CV), foi atingido por seis disparos no crânio, pescoço, tórax e abdômen.

GUERRA ENTRE FACÇÕES

Dois meses após o assassinato de Davi Cavalcante de Sousa, sete pessoas foram mortas a tiros, em pontos próximos do bairro Benfica. A Polícia apontou que, novamente, foram Douglas Matias, Francisco Elisson e Stefferson Mateus os responsáveis pelo novo crime.

O trio foi denunciado por integrar a facção criminosa local Guardiões do Estado (GDE) e pelos homicídios do episódio que ficou conhecido como Chacina do Benfica.

Em 2019, eles foram a júri popular pela chacina, restando condenados Douglas e Stefferson. Somadas, as penas ultrapassam 300 anos de prisão.

Já Francisco Elisson foi absolvido pelos homicídios após provar para os jurados que estava em Paracuru no dia do massacre, mas condenado a quatro anos e dez meses de prisão pelo crime conexo de integrar organização criminosa.

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