O Município de Porteiras, situado no extremo sul do Ceará, a cerca de 522 quilômetros de Fortaleza, está se destacando como um grande produtor de tomates do Cariri. O produtor Elmar Júnior está revolucionando a cultura com novas técnicas que estão sendo aplicadas com sucesso na região. De acordo com suas explicações, para cada hectare plantado a atividade emprega 20 pessoas
Porteiras - (Antônio Carlos Alves) - Até a colheita, o processo de plantio do tomate em Porteiras leva cerca de 110 dias para que o produto seja levado aos centros consumidores. Na estufa, onde se evita o início das pragas, as sementes são semeadas e, com 25 dias vão para o campo. A variedade mais precoce é a SM-16, que vem se adaptando muito bem ao solo dos campos produtores de Porteiras.
Segundo Elmar Júnior, proprietário do Sítio Cancela, onde são plantados em média quatro hectares por ano, a produtividade atinge resultados altamente positivos. “Por hectare, nós estamos plantando 16 mil pés, que rende 1.100 caixas vendidas a R$ 20,00, a unidade. O retorno financeiro gira em torno de R$ 35 mil por hectare. Durante a colheita, a média é de 60 toneladas. É ainda um das culturas que está rendendo bons lucros para o Município de Porteiras”, ressalta Elmar Júnior.
A melhor época para plantar tomate na região de Porteiras é de outubro à dezembro, que coincide com os 90 dias do período invernoso. Para a colheita o período indicado vai de abril à maio, a melhor época para a venda. Toda a produção vai para o mercado consumidor de Mossoró, no Rio Grande do Norte.
A grande vantagem encontrada pelos produtores de tomate em Porteiras é a irrigação feita por gotejamento. “Faz vinte anos que estou investindo no plantio de tomate, mas aproveito e planto mamão, maracujá, goiaba, jerimum e pimentão. Agora mesmo plantei feijão e maracujá consorciado e dentro de oito meses estarei com a produção do fruto pronta para colheita”, lembra Elmar.
Outra vantagem para o produtor é o custo zero com energia porque o sistema é feito por gravidade. Toda a água que chega ao campo para irrigação vem do pé da Serra do Araripe. “É um negócio rentável, mas requer muito cuidado para que os prejuízos não se tornem rotineiros”, avisa Elmar Júnior que garante assistência aos colegas.
Prova disso é o agricultor Francisco Alves Santana, conhecido por seu Liro, que recebe ajuda de Elmar diariamente. Ele plantou 45 mil pés, e segundo seus cálculos irá colher 2.500 caixas por hectare, comercializadas para Mossoró a preço de R$ 21,00. “Trabalho com 20 pessoas no período da colheita e pago a diária a R$ 6,00, com direito almoço e merenda”, diz seu Liro.
O irmão de seu Liro, José Milton Alves de Santana, aproveita para selecionar o melhor tomate, que segue para exportação. “Aqui nossa grande preocupação é com qualidade e não com quantidade”, avisa José Milton.
A variedade que mais se adaptou ao clima do pé da serra, a SM-16, chega a produzir 8 quilos de frutos por pé. “Na Serra da Ibiapaba o produtor gasta por cada pé plantado R$ 2,00. Em Porteiras se consegue a mesma produção com custos de R$ 0,70 a R$ 0,80”, explica Elmar Júnior.
Diante do sucesso nos plantios de tomate, o prefeito Fábio Cardoso, estuda a criação de uma cooperativa para que a produção seja melhor aproveitada e o capital de giro beneficie a região. “Iremos apoiar essa cultura, porque entendemos que nosso Município e um dos maiores produtores de tomate do Ceará na área do sertão. Será uma maneira de ajudarmos os produtores com assistência técnica gratuita, incentivo financeiro através de convênios com as agências financeiras da região, e o que é mais importante, evitando de vez a figura do atravessador”, frisa Fábio Cardoso.