Juazeiro revive o “Horto das Oliveiras”

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
15 de Abril de 2006 - 01:56
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Foto: Francisco Demontier

Juazeiro do Norte (Sucursal) — O Horto de Padre Cícero transforma-se numa espécie de “Horto das Oliveiras” durante a sexta-feira santa neste Município.

A tradição é de quase cinco décadas e os peregrinos procuram fazer essa relação do lugar com a Terra Santa.

Existe até o Santo Sepulcro, que fica distante cerca de 3 quilômetros da estátua, para onde os católicos estendem a caminhada. A estimativa da Igreja é de que, aproximadamente, 150 mil pessoas visitam a Colina do Horto neste período do ano.

A caminhada começa entre a tarde de quinta-feira e não pára mais, num ritmo frenético que invade a madrugada. São pessoas de todos os bairros, localidades rurais de Juazeiro e até cidades vizinhas.

Do Centro da cidade até o alto onde está o monumento em homenagem ao sacerdote, são cerca de 10 quilômetros. Mais que um ritual relacionado com a tradição religiosa, a peregrinação transforma-se em um teste de capacidade física. Dependendo do bairro onde a pessoa mora, a caminhada pode ser de até 30 quilômetros entre a ida e a volta. Uma carona? Nem pensar, pois há o sentido da penitência.

São homens, mulheres e crianças de todas as idades. É o caso de João Paulo, de apenas 4 anos, que mora na Vila Pelo Sinal, e sobe com a família pela estrada asfaltada. No mesmo caminho, a aposentada Socorro Ferreira, de 75 anos, saiu às 4 horas da madrugada do Sítio Taquari. Após duas horas de peregrinação, não reclamava cansaço e ainda anunciava disposição de retornar a pé. Num ritmo mais forte, um grupo de jovens fez o percurso entre o Sítio Carás do Umari e a Colina do Horto, no tempo de um minuto e 50 segundos pela chamada estrada nova.

A doméstica Maria do Socorro Silva veio de mais longe: Camaçari (BA), onde mora há 20 anos. Ela disse que aproveitou o período para rever a família e cumprir um ritual que sempre fez quando residia em Juazeiro. Nesta época do ano a Serra do Catolé, onde se encontra erguido o monumento, fica completamente revestida pelo verde da vegetação em virtude das chuvas que banham a região do Cariri. Até mesmo a estátua de Padre Cícero fica parcialmente encoberta, embelezando o visual para quem vai chegando ao Horto. Na maioria dos casos, a caminhada está relacionada com o pagamento de promessas feitas ao “Padim”.

Em torno do monumento, forma-se uma imensa multidão. Uns oram, outros cantam, acendem velas e soltam fogos, mas não faltam os que sobem para namorar e tomar vinho. A Polícia Militar promove um trabalho ostensivo em vários pontos da Rua do Horto, na estrada asfaltada e na Colina para evitar os excessos. No anfiteatro, um grupo católico canta músicas evangélicas e, no estacionamento: teatro ao ar livre com a encenação da peça “Jesus, o Nazareno”, pela Companhia de Produções Artísticas, Culturais e Turísticas (Compactur).

Com tanta gente, os vendedores ambulantes aproveitam para faturar alguns trocados a mais com a venda, principalmente, de alimentos e artigos religiosos. Para adentrar o Museu Vivo, formou-se uma enorme fila, além das dificuldades na hora de subir as escadarias e ficar próximo ao monumento. Este ano, nas celebrações em cada estação da Via-Sacra, foi sentida a ausência do monsenhor Murilo de Sá Barreto, que faleceu em dezembro último. Políticos de todos os partidos e facções sobem ao Horto em grupos e horários distintos, acompanhados de parentes e correligionários. São vereadores, prefeitos e deputados que aproveitam a multidão para testar a popularidade.