Iguatu entrega moderno abatedouro

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
18 de Janeiro de 2013 - 02:23
Abate de bovinos na nova unidade de Iguatu. Recém-inaugurada, conta com inspeção estadual de fiscais da Adagri. Também terá a presença diária de uma médica veterinária que acompanhará os procedimentos FOTO: HONÓRIO BARBOSA

Iguatu Depois de vários anos de espera, esta cidade, localizada no Centro-Sul, agora dispõe de um moderno abatedouro de bovinos, suínos e ovinos. A obra, orçada em R$ 1,5 milhão, foi construída com recursos do Governo do Estado em convênio com o município. A unidade é apontada como uma das mais modernas do Nordeste e é a primeira do Interior a dispor de Serviço de Inspeção Estadual, realizado por fiscais da Adagri.

Há três dias começou o funcionamento do abatedouro que recebeu a denominação de Dr. João Francisco do Amaral Neto, em homenagem ao médico veterinário, que trabalhou no serviço público e privado neste município por vários anos. Há oito anos, ele já criticava o modelo de abate e a estrutura inadequada do antigo matadouro e sugeriu ao ex-prefeito Agenor Neto a busca por recursos para implantação de uma unidade moderna para atender a região.

O ex-prefeito de Iguatu conseguiu firmar parceria com o Governo do Estado e a obra foi iniciada em abril de 2011. "O nosso esforço foi para eliminar uma estrutura antiga, inadequada, que agredia o meio ambiente", disse Agenor Neto. "Conseguimos realizar uma obra necessária e de grande benefício para o Estado". O novo abatedouro atende os padrões de higiene, inspeção sanitária e de proteção ambiental.

A obra, mesmo depois de construída, demorou funcionar em decorrência de atraso na instalação de equipamentos e obtenção de licença ambiental de funcionamento por parte da Semace e da Adagri. As licenças, inicialmente, foram concedidas em nome do município de Iguatu, mas a unidade, após processo de concessão pública, passou a ser administrada por uma empresa privada, a Agropecuária Lavor. Houve necessidade de mudança na titularidade das licenças retardando o início dos trabalhos.

O prefeito de Iguatu, Aderilo Alcântara, ressaltou o avanço para o setor agropecuário com a instalação do abatedouro. "É um dos mais modernos do Nordeste e que vai trazer benefícios para a saúde dos consumidores, abate sem sofrimento para os animais e segurança para os criadores e vendedores de carne. Aqui não há desperdício e o funcionamento segue as normas exigidas pela legislação do setor".

A empresa Agropecuária Lavor foi a única que participou do processo de licitação para a concessão pública de administração da unidade por um prazo de 20 anos, no valor de R$ 516 mil. Nessa primeira semana, a média de abate diário é de 35 animais.

A matança só é iniciada com a presença de um médico veterinário da Adagri que verifica a sanidade dos animais, inspeciona as vísceras e carcaças. "Aqui foi instalado o Sistema Estadual de Inspeção e a carne poderá ser comercializada para todo o Estado", esclareceu a veterinária, Raquelly Braga, da Adagri. "Trabalhamos para assegurar a qualidade da carne desde o processo de abate até o produto final com selo estadual de sanidade".

A unidade dispõe de equipamentos automatizados. Os funcionários passam por processo de adaptação, pois a maioria trabalhava no sistema manual, no antigo matadouro. O novo sistema usa pistola pneumática e o corte de carne e ossos é feito com serras elétricas. As peças seguem em sistema de carretilha sem contato com o chão. "Aqui, temos de ter higiene como se estivéssemos em ambiente hospitalar. No salão de abate só ficam as pessoas autorizadas e os operários paramentados", esclareceu Raquelly. Há espaço no pavimento superior com vidraça para que visitantes e criadores possam acompanhar o serviço.

De acordo com levantamento recente do Conselho Regional de Medicina Veterinária, 90% dos matadouros públicos no Ceará funcionam de forma inadequada. O órgão considera a situação preocupante e defende a construção de matadouros regionais, pois a maioria das cidades não tem condições financeiras e estrutura de manter adequadamente um abatedouro.

Um exemplo na região vem de Cariús e Quixelô, que estão com matadouros fechados por decisão da Semace. Em Quixelô, o abate é feito de forma irregular, na chamada carne de moita. Em Cariús, os animais são abatidos em Jucás. A Secretaria de Agricultura de Quixelô estuda a possibilidade de recuperar o matadouro ou de transferir mediante contrato a matança para o abatedouro de Iguatu.