Sobral comemora hoje os 86 anos do eclipse total do Sol, que teve grande importância para o mundo com a comprovação da Teoria da Relatividade, de Albert Einstein. Na programação, estão sendo realizados desde sexta-feira, no Museu do Eclipse, cursos de capacitação para professores da rede pública de ensino, para que possam desenvolver atividades sobre este importante fenômeno nas diversas escolas do Município. Em julho, a cidade terá reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), dentro do calendário de atividades do Ano Mundial da Física.
F. Edilson Silva
Sucursal Sobral
No mesmo local onde foi observado o eclipse total do Sol, na Praça da Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio, o professor Demerval Carneiro, ministra palestra, às 20 horas de hoje, abordando galáxias, buracos negros, nascimento, vida e morte das estrelas. Demerval é diretor do Planetário Rubens de Azevedo, do Centro Dragão do Mar, em Fortaleza, e fará comentários sobre as imagens obtidas no telescópio do Museu do Eclipse e de simulações de eventos astronômicos. Em 1919 foram designadas equipes, explica o professor, para acompanhar o eclipse, na Ilha do Príncipe, na África, e em Sobral. As medidas realizadas no Ceará foram mais precisas. “Com base nas fotos e medidas, foi comprovada a Teoria da Relatividade, fato que transformou Sobral em patrimônio histórico e científico mundial”, explica.
O vice-prefeito Clodoveu Arruda considera que, depois do pânico da população e do deslumbra-
mento por parte das missões científicas, Sobral foi palco dos primeiros minutos do mundo moderno, de uma nova visão sobre o Universo “que iria mudar para sempre a história da Humanidade”. Para marcar este fato, a Prefeitura criou o Museu do Eclipse, em 1999. Hoje, o lugar é procurado por turistas e visitantes de todo o País, sendo considerado um ícone de divulgação histórica e científica da região Nordeste do Brasil. O Museu é composto de dois prédios, em forma de meia-lua cada. No prédio da ala esquerda está instalado o Observatório Astronômico Henrique Morize, que é equipado com o telescópio LX 200 - Schmidt - Cassegrain 16´, o mais potente e avançado das regiões Norte e Nordeste. Com este equipamento é possível observar os mais diversos tipos de astros.
Conta também com a luneta usada pelos pesquisadores em 1919, uma série de fotografias demonstrando a formação dos astros, buracos negros, cometas, galáxias, o primeiro mapa da lua feito no Brasil e outras relíquias. Na ala direita, foi montada uma exposição com painéis contendo mapas e fotos da cidade de Sobral na época do Eclipse, dos integrantes das comissões brasileiras e estrangeiras, e de instrumentos usados pelos cientistas. O acervo é formado, ainda, por simuladores elétricos de eclipses e réplicas movimentadas do sistema solar que traduzem, de modo virtual, as experiências das expedições astronômicas; bem como cópias dos jornais da época, com destaque para o Correio da Semana, da Diocese de Sobral, que foi o primeiro a noticiar a comprovação da Teoria da Relatividade. O responsável pelo “furo” foi o bispo dom José Tupinambá da Frota, que fez a tradução de um documento escrito em inglês pelos pesquisadores. O Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, refundiu a notícia que chegou ao conhecimento do mundo através do “The New York Times”.
O mais famoso eclipse total do Sol de toda a história da astronomia, atraiu para Sobral uma expedição de cientistas norte-americanos, brasileiros e ingleses. A comissão inglesa, enviada pelo Observatório de Greenwich, foi composta pelo Dr. C.D. Crommmelin, secretário da Royal Astronomy Society, e Dr. C. Davidson, astrônomo. A comissão americana foi enviada pelo Carnegie Institute de Washington. A comissão brasileira foi composta por oito membros, tendo à frente, Henrique Morize, chefe do Observatório do Rio de Janeiro. Durante o eclipse foi possível a visualização das estrelas que estavam ao seu redor. Com uma câmera acoplada ao telescópio foram feitas oito fotos perfeitas, onde havia, pelo menos, sete estrelas. Os resultados desse trabalho foram publicados meses depois e discutidos no encontro científico realizado, em Londres, no dia 6 de novembro de 1919.
A partir da comprovação em Sobral, a teoria de Einstein se popularizou muito rápido, associando ao seu nome a equação “E=mc²”, oriunda da Teoria Especial da Relatividade, concebida em 1905, e da Teoria da Relatividade Geral, publicada em 1916, na qual se demonstrou a correlação entre massa, energia e gravitação. Para o professor Gregório Maranguape da Cunha, vice-reitor da UVA e doutor em Matemática Aplicada, “as duas teorias se combinam e sustentam a noção de que não há movimentos absolutos, somente relativos, e que nem mesmo o tempo é absoluto”. Universo e tempo se interrelacionam em um sistema quadrimensional espaço-tempo curvo, sendo a quarta dimensão o tempo. Na geometria clássica, a menor distância entre dois pontos é dada pelo comprimento do segmento de reta que os liga. Na teoria de Einstein, é dada por uma linha curva.