Encontrado primeiro sapo fossilizado

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
16 de Junho de 2006 - 02:12
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Crato (Sucursal) — Um sapo fossilizado, do tamanho de uma caixa de fósforo, é a mais nova e valiosa peça do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri. O réptil foi classificado pela cientista Maria Eduarda de Castro Leal, que durante dois anos foi professora visitante da Universidade Regional do Cariri. O resultado das pesquisas está publicado no livro “Paleontologia Vertebrados - grandes temas e contribuições científicas”, divulgado recentemente pela Editora Interciência do Rio de Janeiro. A publicação, enviada ao sociólogo Plácido Cidade Nuvens, apresenta o relatório da descrição científica do primeiro sapo fóssil da Chapada do Araripe.

O fóssil foi encontrado, há mais de cinco anos, numa escavação de calcário laminado nos arredores da cidade de Santana do Cariri e se encontra depositado no Museu de Paleontologia que a Universidade Regional do Cariri mantém naquela cidade. Porém, somente agora foi classificado, isto é, reconhecido, oficialmente, pela comunidade científica como uma peça rara.

A cientista Maria Eduarda de Castro Leal chamou o sapo fossilizado de Arariphrynus placidoi. A denominação escolhida pela pesquisadora carioca para o novo fóssil classificado é a junção de vários nomes: Arari é um prefixo derivado de Chapada do Araripe (a formação sedimentar onde foi encontrado o fóssil); phrynus é sapo, em grego; e placidoi é uma homenagem ao professor Plácido Cidade Nuvens, fundador do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri e grande incentivador da pesquisa paleontológica no Nordeste do Brasil, razão pela qual também já foi agraciado com o Troféu Sereia de Ouro pelo Sistema Verdes Mares de Comunicação.

Para o professor Plácido Cidade, a homenagem é um reconhecimento à sua dedicação em favor da preservação da reserva fossilífera da região. Ressalta que apenas um batráquio fossilizado fora classificado anteriormente no Brasil, o Baurubatrachus pricei encontrado na formação Marília da Bacia sedimentar de Bauru, no estado de São Paulo.

Sentado no banco da praça de Santana, Plácido comemora a classificação do fóssil, dizendo que é uma grande contribuição para a ciência. Acrescenta que o resultado dos estudos da paleontóloga na região do Cariri legou para a ciência do Ceará a descrição do primeiro sapo fóssil, o melhor do Brasil, com achados da idade cretácea.

O catálogo científico da paleontologia da Chapada do Araripe inclui cerca de 35 peixes, 250 insetos, 25 pterossauros, três dinossauros, três jacarés, um lagarto e agora um sapo, além de dezenas de plantas fósseis. “O Museu recebe mais de dois mil visitantes por mês, cerca de 30 mil visitantes por ano, o dobro da população de Santana”, diz o professor Alexandre Feitosa, diretor do Museu, acrescentando que os fósseis estão transformando agricultores em exímios artistas. Eles estão fabricando réplicas de fósseis da melhor qualidade. Alexandre sugere um amplo trabalho de divulgação dessa riqueza do Cariri que tem atraído turistas de todo o mundo.

A população de Santana do Cariri, extremamente pobre, convive com uma riqueza incomensurável de fósseis de peixes, plantas com flores, insetos, dinossauros, pterossauros, tartarugas, crocodilos, animais pré-históricos com cerca de 110 milhões de anos. É uma enorme variedade de espécies que contam a história da evolução da vida e da terra. Falta, entretanto, segundo o professor Alexandre, uma iniciativa empresarial para exploração dessa riqueza. Ele diz que, a cada ano, cresce o número de visitantes. No entanto, não há uma infra-estrutura turística que atenda a demanda.

O sapo classificado por Maria Eduarda vai se juntar a esta coleção valiosa do Museu de Paleontologia. O importante trabalho de pesquisa científica teve o apoio financeiro da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) que concedeu bolsa de estudos especial à jovem pesquisadora, enquanto o seu orientador Paulo Brito é pesquisador financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).