A proposta inicial para a construção de cinco espigões na praia custará aos cofres públicos a importância de R$110 milhões
Caucaia. A Praia do Icaraí , em Caucaia, "corre contra o tempo" para não se transformar numa Iparana, a sua vizinha que era um dos mais bucólicos recantos da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) até os anos 70 e definhou até desaparecer enquanto balneário. A erosão promovida pelo avanço do mar corrói calçadas, estradas e ameaça barraqueiros e alguns condomínios, sem se falar no bag wall (proteção) que foi parcialmente destruído pela força das ondas.
"Vejo com uma mistura de tristeza e preocupação. É que passa um filme na minha cabeça. Quando era pequeno, ainda um garoto de dez anos, frequentava com meus pais a Praia de Iparana. Acompanhei aos poucos o que aconteceu por lá. O mesmo filme está passando por aqui. Espero apenas que não tenha o mesmo desfecho", desabafa o professor Ariosto Gomes Júnior.
O vice-prefeito de Caucaia, Paulo Guerra, garante que "consultamos a comunidade científica quando fomos implantar o bag wall entre 2009 e 2010. Nos foi garantido que o equipamento suportaria os impactos. Os dois piques de onda swell que tivemos ultimamente, no entanto, o destruiram em parte".
Diante do problema, a Prefeitura decretou estado de emergência e, em seguida, encaminhou um projeto ao Ministério da Integração Nacional. "Eles estão analisando a proposta. Emergencialmente, vamos utilizar R$ 13 milhões nas áreas mais críticas e onde há risco de as pessoas perderem a vida, como nas proximidades de alguns condomínios ameaçados de desabamento. Enquanto essa verba não chega, estamos utilizando máquinas e caçambas para colocar sedimentos em áreas onde a erosão comprometeu muito e ameaça as pessoas. Também, daqui a dez dias, queremos iniciar a colocação dos enrocamentos aderentes (quebra-mar). Para iniciar essas obras emergenciais, estamos pedindo licença ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ibama", anuncia.
Paulo Guerra diz que a solução final virá através de um projeto do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), com a construção de cinco espigões na forma de T e três em L, além de um aterro hidráulico. "Inicialmente, estava orçada em R$ 110 milhões. Vamos propor a diminuição do aterro, o que reduzirá os custos a algo em torno de R$ 50 milhões". Após a conclusão das obras, 3.500 metros da orla marítima do Icaraí ficarão sob a guarda dos equipamentos.
O deputado federal Raimundo Gomes de Matos protocolou no último dia 12 duas emendas à Medida Provisória de número 637/13 destinando R$ 100 milhões para Caucaia e R$ 50 milhões para Beberibe, com o objetivo de conter a erosão marinha.
Projeto
O engenheiro agrônomo José Romildo Aragão Evangelista, residente no condomínio Village do Icaraí, e o engenheiro Carlos Cézar de Freitas elaboraram um projeto para o Icaraí. Segundo Romildo, "essa foi uma exigência do Ministério Público Federal (MPF), que a comunidade buscasse um técnico e formulasse uma proposta".
Segundo eles, emergencialmente, a proposta é de se "concretar o bag wall para lhe dar uma sobrevida". Definitivamente, propõem a construção do que chamam "Cezarswell Ecológico" que são dissipadores, equipamento que quebra a maré na costa e permite a passagem de sedimentos, garantindo a vida marinha e engordando a praia. O custo pode variar de R$ 70 milhões a R$ 200 milhões. (FM)
