Na primeira eleição em que as mulheres puderam votar no Brasil, em 3 de maio de 1933, o eleitorado feminino cearense tornou-se um alvo inédito da acirrada disputa para a Assembleia Nacional Constituinte.
Longe de representar uma emancipação imediata e plena, a inserção das mulheres na política local foi instrumentalizada pelos dois maiores grupos partidários do Ceará: a Liga Eleitoral Católica (LEC) e o antigo Partido Social Democrático (PSD).
Ambas as agremiações valeram-se de discursos morais e tradicionais para capturar esse novo contingente eleitoral sem abalar a hegemonia masculina no poder. É que o que mostram estudos da historiadora Larissa Almeida Custódio da Silva, mestra em História Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC).
Esse episódio histórico compõe a série "Onde estão as mulheres no poder?", sobre gênero e política. A primeira reportagem fala sobre como as mulheres chegam a 2026 com peso de eleições mais caras e dificuldade de converter recursos em votos.