Propostas sem consistência na campanha eleitoral de 2020

Até o momento, início da segunda semana de campanha eleitoral, os candidatos à Prefeitura de Fortaleza, em geral, têm apresentado poucas propostas para a nova gestão da Cidade que se inicia em 1º de janeiro de 2021. Tudo bem que a maioria dos atos até aqui, de contato direto com o eleitor, não favorece o aprofundamento das propostas.

Mesmo assim, o que tem sido dito pelos concorrentes ao principal cargo público da maior cidade do Ceará, até aqui, é um conjunto de sugestões vagas, a maioria delas sem estudo minimamente aprofundado, e muitas chegam ao conhecimento da imprensa e do público em declarações genéricas, às vezes até sem planejamento.

É preciso muita boa vontade para destacar algo que seja minimamente diferente do trivial. E isso é ruim para o candidato e, principalmente, para o eleitor.

Centro sem debate

Um dos principais alvos dos candidatos na primeira semana, do ponto de vista geográfico, foi o Centro da Capital. A estratégia é clara: lá estão pessoas de todos os outros bairros. É naquele bairro que se reúne um número considerável de fortalezenses de todas as partes para comprar ou trabalhar.

Mas, até o momento, quais as principais sugestões para a área? "Fomentar a economia", "ter criatividade com a informalidade", "incentivar moradia na região", "investir no bairro". Convenhamos, é pouco demais para uma área que sofre há anos com a necessidade de um planejamento mais efetivo.

Praia do futuro

Neste domingo (4) boa parte do movimento de campanha pela manhã foi na Praia do Futuro, outra área da Capital que carece de mais atenção do poder público e que tem um imbróglio judicial difícil de ser resolvido: a questão das barracas de praia. Não se trata apenas de saber quem é contra ou quem é a favor da retirada das barracas. Isso seria reduzir por completo a discussão. O que o cidadão precisa saber é quais são os planos para a área de maneira mais objetiva. Mais uma vez, o posicionamento dos nobres candidatos deixou a desejar em conteúdo.

Sem planejamento

Nesse contexto, é preciso destacar que, historicamente, as eleições no Brasil dificilmente se decidem por propostas. E isso é ruim demais. Candidatos sem propostas, por consequência, podem fazer governos sem projetos e entregar resultados sem planejamento. E deixar de resolver problemas mais urgentes e históricos. A partir do dia 9 deste mês, os candidatos irão entrar nas casas das pessoas por meio dos programas de rádio e TV e, espera-se, possam mostrar mais debate público qualificado do que vem acontecendo até o momento.

Rádio e TV

Por falar em horário eleitoral gratuito, o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) reúne nesta segunda-feira (4) os partidos, candidatos e os veículos de comunicação para fazer o sorteio da ordem de exibição dos programas, o tempo que cada candidato terá ao seus dispor nas inserções e também o plano de mídia de todo o período eleitoral. A propaganda eleitoral gratuita começa no dia 9 de outubro e termina no dia 12 de novembro, para o primeiro turno.