O novo custo empresarial

Escrito por Janaina Lima producaodiario@svm.com.br
22 de Maio de 2026 - 06:00
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Legenda: Janaina Lima é contadora

A reforma tributária deixou de ser apenas uma discussão técnica para se tornar uma preocupação estratégica dentro das empresas. Embora muitos empresários ainda associem seus efeitos ao fim da transição, a preparação precisa começar agora, em 2026, pois a Contribuição sobre Bens e Serviço(CBS) passa a produzir impactos práticos já a partir de 2027.

O ponto central dessa mudança está na formação de preços. Durante anos, as empresas conviveram com um sistema em que os tributos ficavam embutidos no valor das operações, dificultando a leitura real dos custos e das margens. Com a nova sistemática, a tributação passa a exigir maior transparência e controle, obrigando o empresário a compreender com mais precisão quanto custa vender, quanto efetivamente sobra e qual margem precisa ser preservada.

Nesse novo cenário, vender mais não será suficiente. Empresas que não revisarem sua precificação poderão comprometer a própria rentabilidade. O risco está em duas pontas: absorver custos tributários sem perceber, reduzindo o lucro da operação, ou repassar valores de forma inadequada ao consumidor, perdendo competitividade em um mercado cada vez mais sensível a preço.

A CBS exigirá uma análise mais cuidadosa da composição dos custos empresariais, dos créditos aproveitáveis, das políticas comerciais e dos contratos vigentes. Pequenos erros de cálculo, falhas de parametrização ou ausência de integração entre as áreas fiscal, financeira e comercial poderão gerar perdas relevantes, especialmente em negócios que já operam com margens reduzidas.

Por isso, 2026 deve ser tratado como um ano de preparação estratégica. É o momento de revisar cadastros, sistemas, operações, tabelas de preço, condições comerciais e indicadores de margem. A empresa que deixar para agir apenas quando a mudança estiver em vigor poderá descobrir tarde demais que sua precificação não sustenta o novo modelo tributário.

A Reforma Tributária não altera apenas a forma de recolher tributos. Ela muda a forma de precificar, proteger margens e tomar decisões comerciais. Em um ambiente econômico cada vez mais competitivo, a gestão tributária deixará de ser apenas uma obrigação fiscal para se tornar parte essencial da estratégia empresarial.

Janaina Lima é contadora

João Soares Neto

18 de Abril de 2026