Williame Moura
Neste sábado, 18 de abril de 2026, peguei o carro e o estacionei o mais perto que pude da ACI, mesmo assim eram 200 metros em meio a camelôs e transeuntes do centro da cidade de Fortaleza.
Vi a nova Praça do Ferreira, mas preferi ir cortando pela rua Pedro Borges. Meu relógio dizia que faltavam cinco minutos para as dez horas da manhã. Sol cearense, a pino.
Olhei os ponteiros quando apertava o botão 6 de um velho elevador da sede da Associação Cearense de Imprensa, no edifício Perboyre e Silva, patrono da entidade da qual sou integrante desde muito ou, para não esconder, desde o século passado.
Houve um clarão, lá estava o velho auditório, a porta abria e era 9:59min. quando vi Williame Moura, o nonagenário e homenageado do dia.
Guapo, alegre, sadio e lúcido. Vestia calça e camisa esporte, calçado sem meias, bem posto, voz firme e se fazia acompanhar da companheira de 57 anos, Maria Luiza, e de seus descendentes, da primeira e segunda geração.
O auditório semi-cheio, em manhã de sábado, dizia ser um seleto e verdadeiro grupo de amigos, colegas e admiradores. Abraçamos-nos, cumprimentei-o com efusão e fui sentar.
A sessão estava aberta por uma dupla musical, acordeão e violão, ao som suave da voz de esmerado canto do acordeonista.
Daí para frente houve uma pletora de falas, todos sinceros, sem e com floreios, dizendo o que já sabíamos e ali atestávamos com a presença, a simplicidade, a competência, a saúde longeva, a responsabilidade profissional e o desvelo pelos familiares desse guapo noventão WM que conheci,a mbos em trabalho, nos anos sessenta no Correio do Ceará e no Diário do Nordeste, décadas depois.
Para não sair do prumo e fugir do essencial, direi que repetiria a ida, tal a alegria jorrante nas muitas falas, da placa marcando a efeméride, que lhe foi entregue ao som de carinhosas, justas e bem ditas locuções.
Não sou de dizer o que não sinto, foi uma manhã feliz, tão feliz quanto os olhos iluminados de sua companheira, Maria Luiza.
João Soares Neto é empreendedor