Obras da usina de dessalinização são autorizadas após cinco anos do início do projeto

Usina na Praia do Futuro irá dessalinizar água do mar para reforçar capacidade hídrica de Fortaleza.

Escrito por Mariana Lemos mariana.lemos@svm.com.br
16 de Julho de 2026 - 15:09
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Legenda: Foto da maquete da futura usina de dessalinização que a Dessal construirá na Praia do Futuro
Foto: Divulgação / Dessal

Usina de Dessalinização na Praia do Futuro, em Fortaleza, deve começar a sair do papel. O termo de autorização para o início das obras foi assinado nesta quinta-feira (16), cinco anos após o início do projeto.

Segundo Neuri Freitas, presidente da Cagece, a usina tem investimento avaliado em R$ 526 milhões, mas o valor deve ser atualizado, já que é referente a 2020. A Cagece firmou Parceria Público-Privada (PPP) com a Águas de Fortaleza para construção e operação da usina.

"Certamente vão ter alguns ajustes em relação ao preço, mas ainda não sabemos. Só começaremos a ter a informação mais precisa a partir do momento que começar a comprar os materiais, começar as obras e contratações. Qualquer necessidade de reequilíbrio precisa ser comprovada", afirmou. 

O contrato de parceria com a Águas de Fortaleza, formado pelas empresas Marquise S/A, PB Construções LTDA e Abegoa Água S/A, foi firmado em 2021 e soma R$ 3,1 bilhões. A concessão terá duração de trinta anos. O prazo inicial de entrega da usina era 2023.

A mudança de local da usina, após impasse com as empresas de telecomunicações, não tornou o investimento necessário maior, segundo Neuri. 

"Não [deixou o o projeto mais caro]. Na verdade, você tem ganhos para um lado e, para outros, você perde alguma condição. Mas, no geral, ficou equilibrado. O que a gente tem hoje de necessidade de rever o valor do investimento é em virtude do próprio tempo, da mudança do mercado", disse.

A expectativa é que as obras durem 24 meses, e a usina seja entregue no segundo semestre de 2028. A planta terá capacidade de dessalinizar mil litros d'água por segundo, equivalente a 12% da demanda de água do Macrossistema de Distribuição de Água de Fortaleza. 

O incremento da oferta de água deve atender 720 mil pessoas da Capital, abrangendo os bairros Papicu, Varjota, Cidade 2000, Praia do Futuro, Caça e Pesca, Cais do Porto, Serviluz, Vicente Pinzón, Dunas, Aldeota e adjacências.

A região metropolitana deve ser beneficiada de forma indireta, a partir do desafogamento do sistema Jaguaribe/Metropolitano.

COMO SERÃO AS OBRAS? 

A usina ocupará uma área de 2,4 hectares na Praia do Futuro. Será instalada uma tubulação que levará a água do mar até o empreendimento, onde ocorrerá a dessalinização.

O projeto contempla ainda um emissário de samoura, de cerca de 700 metros, que devolverá o rejeito com alta concentração de sal ao mar. 

O equipamento vai utilizar tecnologia de osmose reversa para obtenção de água potável. Nesse processo, o sal é separado da água por meio da aplicação de uma pressão sobre o líquido.

Também será construída uma adutora, que transportará a água tratada até os reservatórios do Morro Santa Terezinha e da Praça da Imprensa, a partir de novas tubulações. 

"A Águas de Fortaleza vai comprar as tubulações, que demoram aí de 30 a 60 dias para chegar. As escavações da adutora vão começar em 60 dias, aproximadamente, e há um tempo de produção da tubulação", explicou o presidente da Cagece. 

O consórcio deve fazer o remanejamento de drenagem pluvial da região e a construção de uma nova areninha, já que a usina será instalada em um local onde funciona o equipamento esportivo da região.

Serão necessárias interdições viárias durante a instalação das tubulações. A divulgação das vias afetadas e dos desvios será feita conforme o andamento do projeto, em consonância com a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC). 

O relatório ambiental também prevê outros impactos na região, como emissão de ruídos e poeira. 

INTERCORRÊNCIAS DO PROJETO

O projeto da Dessal gerou um imbróglio entre a Cagece e as companhias de telecomunicação com cabos aterrados na Praia do Futuro. A usina precisou mudar de local, como garantia que os cabos e a conectividade não fossem afetadas. 

A alteração, formalizada em julho de 2024, garantiu uma distância de 550 metros entre a captação de água para a usina e as estruturas de telecomunicações. Isso levou à mudança também dos locais de captação da água e emissão dos rejeitos, exigindo novos estudos de qualidade da água e corrente marinha. 

Ao longo de 2025, o início da obra foi atrasada pela pendência de documentos, como a autorização da Marinha para o acesso ao mar e a licença ambiental para a realocação da rede de drenagem. 

O prazo para início da construção em abril deste ano foi postergado pela ausência da licença para construção da nova areninha do bairro. 

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