A Usina de Dessalinização na Praia do Futuro, em Fortaleza, deve começar a sair do papel. O termo de autorização para o início das obras foi assinado nesta quinta-feira (16), cinco anos após o início do projeto.
Segundo Neuri Freitas, presidente da Cagece, a usina tem investimento avaliado em R$ 526 milhões, mas o valor deve ser atualizado, já que é referente a 2020. A Cagece firmou Parceria Público-Privada (PPP) com a Águas de Fortaleza para construção e operação da usina.
"Certamente vão ter alguns ajustes em relação ao preço, mas ainda não sabemos. Só começaremos a ter a informação mais precisa a partir do momento que começar a comprar os materiais, começar as obras e contratações. Qualquer necessidade de reequilíbrio precisa ser comprovada", afirmou.
O contrato de parceria com a Águas de Fortaleza, formado pelas empresas Marquise S/A, PB Construções LTDA e Abegoa Água S/A, foi firmado em 2021 e soma R$ 3,1 bilhões. A concessão terá duração de trinta anos. O prazo inicial de entrega da usina era 2023.
A mudança de local da usina, após impasse com as empresas de telecomunicações, não tornou o investimento necessário maior, segundo Neuri.
"Não [deixou o o projeto mais caro]. Na verdade, você tem ganhos para um lado e, para outros, você perde alguma condição. Mas, no geral, ficou equilibrado. O que a gente tem hoje de necessidade de rever o valor do investimento é em virtude do próprio tempo, da mudança do mercado", disse.
A expectativa é que as obras durem 24 meses, e a usina seja entregue no segundo semestre de 2028. A planta terá capacidade de dessalinizar mil litros d'água por segundo, equivalente a 12% da demanda de água do Macrossistema de Distribuição de Água de Fortaleza.
O incremento da oferta de água deve atender 720 mil pessoas da Capital, abrangendo os bairros Papicu, Varjota, Cidade 2000, Praia do Futuro, Caça e Pesca, Cais do Porto, Serviluz, Vicente Pinzón, Dunas, Aldeota e adjacências.
A região metropolitana deve ser beneficiada de forma indireta, a partir do desafogamento do sistema Jaguaribe/Metropolitano.
COMO SERÃO AS OBRAS?
A usina ocupará uma área de 2,4 hectares na Praia do Futuro. Será instalada uma tubulação que levará a água do mar até o empreendimento, onde ocorrerá a dessalinização.
O projeto contempla ainda um emissário de samoura, de cerca de 700 metros, que devolverá o rejeito com alta concentração de sal ao mar.
O equipamento vai utilizar tecnologia de osmose reversa para obtenção de água potável. Nesse processo, o sal é separado da água por meio da aplicação de uma pressão sobre o líquido.
Também será construída uma adutora, que transportará a água tratada até os reservatórios do Morro Santa Terezinha e da Praça da Imprensa, a partir de novas tubulações.
"A Águas de Fortaleza vai comprar as tubulações, que demoram aí de 30 a 60 dias para chegar. As escavações da adutora vão começar em 60 dias, aproximadamente, e há um tempo de produção da tubulação", explicou o presidente da Cagece.
O consórcio deve fazer o remanejamento de drenagem pluvial da região e a construção de uma nova areninha, já que a usina será instalada em um local onde funciona o equipamento esportivo da região.
Serão necessárias interdições viárias durante a instalação das tubulações. A divulgação das vias afetadas e dos desvios será feita conforme o andamento do projeto, em consonância com a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC).
O relatório ambiental também prevê outros impactos na região, como emissão de ruídos e poeira.
INTERCORRÊNCIAS DO PROJETO
O projeto da Dessal gerou um imbróglio entre a Cagece e as companhias de telecomunicação com cabos aterrados na Praia do Futuro. A usina precisou mudar de local, como garantia que os cabos e a conectividade não fossem afetadas.
A alteração, formalizada em julho de 2024, garantiu uma distância de 550 metros entre a captação de água para a usina e as estruturas de telecomunicações. Isso levou à mudança também dos locais de captação da água e emissão dos rejeitos, exigindo novos estudos de qualidade da água e corrente marinha.
Ao longo de 2025, o início da obra foi atrasada pela pendência de documentos, como a autorização da Marinha para o acesso ao mar e a licença ambiental para a realocação da rede de drenagem.
O prazo para início da construção em abril deste ano foi postergado pela ausência da licença para construção da nova areninha do bairro.