BNB marca novos pregões para o microcrédito, com TCU de olho

Banco flexibiliza exigências financeiras e regionaliza lotes após fracasso de certames anteriores.

Escrito por Paloma Vargas paloma.vargas@svm.com.br
15 de Julho de 2026 - 09:50 (Atualizado às 09:46, em 20 de Julho de 2026)
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Legenda: Banco do Nordeste modificou editais para gerenciamento dos seus programas de microcrédito orientado, Agroamigo e Crediamigo.
Foto: Shutterstock/Cabral Correia.

O Banco do Nordeste (BNB) marcou para 3 de agosto a realização dos novos pregões eletrônicos para selecionar as entidades que operacionalizarão os programas de microcrédito produtivo orientado.

A sessão pública para o Agroamigo (Pregão nº 2026/90077) terá início às 11h, enquanto a disputa pelo Crediamigo (Pregão nº 2026/90078) ocorrerá às 15h, ambas no portal Compras.gov.br.

A nova tentativa de licitação ocorre após o fracasso dos certames realizados em abril deste ano, quando nenhuma das empresas concorrentes conseguiu atender aos requisitos técnicos e legais exigidos nos editais anteriores.

Na ocasião, as propostas foram desclassificadas, principalmente pela falta de inscrição das participantes no Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO). O assunto, que envolve bilhões de reais anualmente, é polêmico e se arrasta há anos.

O processo tem sido acompanhado de perto pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que identificou indícios de restrição à competitividade.

ERRAMOS (Atualização feita em 17 de julho às 11h58): o Diário do Nordeste publicou na primeira versão desta matéria que o ministro Benjamin Zymler, do TCU, afirmou no despacho que havia existência de "fumaça de bom direito". No entanto, o documento diz que "em derradeira participação nestes autos, à peça 13, haja vista os indícios de irregularidade alardeados pelo representante – e a fumaça do bom direito –, determinei a oitiva, seguida de diligências ao Banco do Nordeste do Brasil S.A.". 

Em nota, o BNB informou que "conforme consta do Despacho de 17/4/2026, proferido no Processo TC 007.358/2026-1, o Ministro, ao contrário do que sugere a matéria, afastou, em análise preliminar, a existência de fumus boni iuris quanto às alegações relacionadas à exclusividade territorial, ao cronograma de migração e à matriz de riscos dos editais, reconhecendo que esses aspectos possuíam justificativas técnicas e operacionais compatíveis com a natureza e a complexidade dos programas. A plausibilidade jurídica identificada na decisão restringiu-se a pontos específicos das exigências de qualificação técnica e econômico-financeira, que foram submetidos à oitiva do Banco para aprofundamento da instrução processual, sem qualquer conclusão de irregularidade".

Em nota, o TCU afirmou que "no TC 007.358/2026-1, em despacho (Peça 437), o ministro Benjamin Zymler entendeu que havia indícios de irregularidade e fumaça do bom direito que justificavam a realização de oitiva e diligências ao BNB. No entanto, o banco informou que as licitações haviam sido fracassadas, o que resultaria na perda de objeto do processo.

Conforme o despacho, a licitação do BNB foi realizada em razão do Acórdão 2.906/2025-Plenário, cujo cumprimento está sendo verificado no processo TC 008.639/2026-4, de relatoria do ministro Odair Cunha. Assim, foi determinado o envio do TC 007.358/2026-1 ao gabinete desse ministro, para avaliação. O TC 007.358/2026-1 não foi ainda apreciado pelo TCU".

Flexibilização e regionalização

Para sanar os problemas apontados, o BNB informa ter promovido mudanças nos editais. A principal nocidade é a regionalização do serviço em cinco blocos geográficos por programa, o que permite, segundo o banco, a participação de entidades com diferentes capacidades operacionais.

O Ceará ficou em um bloco dividido com o Rio Grande do Norte. Os pregões incluem gestão operacional, supervisão, acompanhamento de indicadores e aplicação da metodologia dos dois programas.

Veja como ficou toda a divisão da área de atuação do BNB:

  • Maranhão e Piauí;
  • Ceará e Rio Grande do Norte;
  • Paraíba, Pernambuco e Alagoas;
  • Sergipe e Bahia;
  • Minas Gerais e Espírito Santo.

Além disso, houve uma redução nas barreiras financeiras:

  • Capital de Giro: A exigência caiu de 8,33% do valor global para 0,833% do valor anual estimado.
  • Patrimônio Líquido: O requisito baixou de 5% do valor global para 0,5% do valor anual.
  • Fim da Regra "1/12": Foi afastada a exigência de que o patrimônio líquido fosse superior a um doze avos de todos os contratos vigentes da entidade, regra que poderia inabilitar até as grandes operadoras atuais.

O BNB reforça que os novos modelos incorporam contribuições de especialistas e respeitam as decisões dos órgãos de controle, citando inclusive o Acórdão nº 2.906/2025 do TCU.

Sobre o andamento das fiscalizações, o TCU afirma que analisa a contratação de pessoa jurídica pelo Banco do Nordeste para operacionalizar o microcrédito produtivo orientado no processo TC 007.358/2026-1.

"Não houve julgamento de mérito nem há data prevista para que o processo vá a Plenário. As únicas informações públicas são as disponíveis na página do processo."

Inec avalia participar de novo pregão do BNB

O Banco do Nordeste foi questionado pelo Diário do Nordeste se já possui um plano para o caso de os novos processos licitatórios também fracassarem e se há possibilidade de perdurar a gestão das atuais operadoras, Inec e Camed, até que se tenha novas empresas.

O BNB não respondeu aos questionamentos. O espaço segue aberto.

As atuais gestoras dos programas, o Instituto Nordeste Cidadania (Inec), que opera o Agroamigo, e a Camed Microcrédito, responsável pelo Crediamigo, não participaram dos pregões que fracassaram em abril.

O diretor-presidente do Inec, Stelio Gama, afirmou que a instituição não participou do processo anterior porque, como Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), não atendia a certos requisitos de habilitação. Ele destacou que, após consultas ao mercado, o BNB alterou os editais, ampliando as possibilidades para Oscips.

"Em relação ao novo edital publicado pelo Banco do Nordeste, o Instituto está realizando uma análise técnica detalhada das condições estabelecidas. Somente após a conclusão dessa avaliação o Inec definirá seu modelo de atuação no processo licitatório. Portanto, neste momento, ainda não há decisão definitiva quanto à participação do Instituto", declarou.

Procurada pelo Diário do Nordeste para saber se há intenção de participar deste novo edital, a Camed Microcrédito não respondeu até a publicação desta matéria. O espaço encontra-se disponível para manifestação.

 

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