O mercado automotivo do Ceará pode ter em 2026 o melhor desempenho desde 2014, seguindo o movimento do setor em âmbito nacional.
Foram emplacados 89 mil veículos no primeiro semestre deste ano, com alta de 17% em relação ao ano passado, conforme dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores no Ceará (Fenabrave-CE).
A alta nas vendas é ainda maior do que a registrada no Brasil, de 16%. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revisou a projeção e avalia que o País pode superar a marca de 3 milhões de unidades vendidas pela primeira vez após 12 anos.
Se a trajetória no mercado cearense for mantida, há grande possibilidade de o recorde também ser batido, segundo Ana Furtado, diretora executiva da Fenabrave.
"Os números permitem uma estimativa bastante otimista. Mantendo esse ritmo, o Ceará deverá superar com folga os resultados do ano passado e registrar um dos melhores desempenhos de sua história recente, embora essa confirmação dependa do desempenho dos próximos meses", destaca.
O segmento com um dos mercados mais aquecidos é o de automóveis e comerciais leves, com alta nas vendas de 18%, perdendo apenas para o segmento de ônibus.
Já as motos tiveram alta nos emplacamentos de 17,3%. Os únicos segmentos com queda nas vendas foram o de caminhões (-1,95%) e de implementos rodoviários (-6,52%).
DESEMPREGO MÍNIMO E QUEDA NOS PREÇOS EXPLICAM RECUPERAÇÃO
A retomada do setor automotivo cearense é resultado de um conjunto de elementos, como a recuperação gradual da economia e a ampliação da oferta de veículos, aponta Ana Furtado.
"Observamos ampliação da oferta de veículos, a chegada de novas marcas e o forte avanço dos modelos eletrificados. Além disso, observamos um consumidor mais disposto a investir na troca do veículo, mesmo diante de um cenário em que o crédito ainda representa um desafio", aponta.
A executiva da Fenabrave projeta que, se o ambiente econômico continuar favorável e houver uma redução gradual das taxas de juros, o mercado deve continuar aquecido.
A taxa Selic em 14,25% é um dos gargalos que permanecem no setor, já que encarece as parcelas e represa parte da demanda, aponta o economista Allisson Martins, economista e colunista do Diário do Nordeste.
Apesar disso, os preços médios dos veículos têm diminuído. "A relação entre preços e vendas é direta, uma vez que, depois de anos de forte encarecimento, os preços relativos cederam. E guerra de preços entre montadoras, sobretudo as chinesas, aliviou", explica.
O recorde mínimo de desemprego, com massa salarial em expansão, também explica a recuperação do setor. "Preço menor com renda em alta é a receita clássica para expansão das vendas, o que significa que consumidor que estava fora do mercado voltou", reitera.